MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Posto indenizará por impor legging e permitir assédio contra frentista
Violação a direitos

Posto indenizará por impor legging e permitir assédio contra frentista

Segundo os autos, empresa contratava apenas “mulheres bonitas” e impunha o uso de calça legging para destacar atributos físicos; funcionárias que se recusavam eram ameaçadas com punições.

Da Redação

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Atualizado às 08:49

Posto de gasolina foi condenado ao pagamento de R$ 23.240 reais por danos extrapatrimoniais a frentista obrigada a usar calça legging no ambiente de trabalho e submetida a cantadas, constrangimentos e assédio. A sentença foi proferida pelo juiz de Direito Gustavo Deitos, da 2ª vara do Trabalho de Santos/SP, que reconheceu a prática de assédio sexual, abuso do poder diretivo e coação por parte do empregador.

O caso

Segundo os autos, a frentista era obrigada a usar exclusivamente calça legging durante o expediente. Uma testemunha relatou que a empresa só contratava "mulheres bonitas" e impunha a vestimenta para evidenciar atributos físicos, com o objetivo de atrair a atenção do público masculino. Quem descumprisse a exigência era ameaçada com punições ou orientada a voltar para casa.

A mesma testemunha afirmou que as funcionárias eram constantemente alvo de cantadas e olhares intimidadoras, especialmente por parte de caminhoneiros.

Também foi relatado que o próprio empregador praticava assédio sexual, tendo inclusive enviado à testemunha um vídeo de conteúdo pornográfico. Já o depoimento da testemunha indicada pela empresa foi desconsiderado pelo juízo por falta de isenção e credibilidade.

  (Imagem: Adobe Stock)

Posto indenizará por impor uso de calça legging e permitir assédios contra frentista.(Imagem: Adobe Stock)

Grave violação a direitos

Na sentença, o juiz concluiu que houve grave violação à dignidade, honra e privacidade da trabalhadora. Para o magistrado, a imposição do uso da calça legging foi intencional, com o claro propósito de explorar a imagem feminina para fins comerciais, o que configura assédio e coação.

O juiz aplicou o protocolo do CNJ para Julgamento com Perspectiva de Gênero, além da Constituição, do CC e de convenções internacionais ratificadas pelo Brasil. Ele destacou que o assédio sexual é um obstáculo direto ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 5 da Agenda 2030 da ONU, que trata, dentre outros pontos, da igualdade de gênero e da eliminação de todas as formas de violência conta mulheres e meninas.

Embora a condenação tenha seguido o valor pedido na inicial, R$ 23.240 reais, o magistrado registrou que havia elementos para arbitrar valor superior. A sentença também determinou o envio de ofícios ao Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e à Delegacia de Polícia Civil de Santos para apuração das condutas relatadas.

O processo tramita em segredo de justiça.

Informações: TRT da 2ª região.

Patrocínio

Patrocínio

ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

instagram
GONSALVES DE RESENDE ADVOGADOS

ATENDIMENTO IMEDIATO

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA
TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA