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Censura ou proteção

Nunes Marques vota por validar lei que proíbe Marcha da Maconha

Ministro acompanhou a divergência e defendeu a validade da norma de Sorocaba/SP.

Da Redação

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Atualizado às 09:57

Após pedido de vista, o ministro do STF, Nunes Marques, votou para reconhecer a constitucionalidade da lei municipal 12.719/23, de Sorocaba/SP, que proíbe marchas, eventos e reuniões que façam apologia ao uso de substâncias ilícitas, como a Marcha da Maconha.

Até a suspensão do ministro em junho, o placar estava 5 a 1 a favor do voto do relator, ministro Gilmar Mendes, que considerou a norma inconstitucional por violar as liberdades de expressão e de reunião. A maioria será formada com somente mais um voto entre os três ministros que ainda não se manifestaram.

O julgamento virtual vai até dia 25, terça-feira.

Veja o placar atual:

O caso volta ao centro das atenções justamente na semana seguinte ao afastamento do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), autor da sanção da lei e figura conhecida nas redes sociais pelo estilo que lhe rendeu o apelido de “prefeito tiktoker”. No último dia 6, ele foi afastado do cargo por decisão da Justiça, acusado de comandar um esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal.

Entenda o caso

A norma contestada foi aprovada em fevereiro de 2023, quando Manga ainda estava no exercício da função. À época, ele se posicionou publicamente contra a realização da Marcha da Maconha em Sorocaba/SP e manteve uma postura crítica ao evento em diversas aparições nas redes sociais. (Veja abaixo)

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A ação foi proposta pela PGR, que argumenta que a lei municipal viola os direitos fundamentais à liberdade de expressão e de reunião. Segundo a PGR, o dispositivo municipal inviabiliza, na prática, qualquer debate público sobre a descriminalização das drogas, em desacordo com a Constituição.

O prefeito defendeu a validade da norma, alegando que a lei busca proteger a saúde pública, especialmente de crianças e adolescentes, contra a apologia ao uso de drogas.

 (Imagem: Gustavo Moreno/STF)

Nunes reforça divergência e apoia constitucionalidade da lei contra marchas pró-drogas.(Imagem: Gustavo Moreno/STF)

Voto do relator

O relator, ministro Gilmar Mendes, lembrou que o STF firmou entendimento no sentido de que manifestações públicas pela legalização das drogas estão protegidas pelas garantias constitucionais da liberdade de expressão e de reunião.

Para o relator, a norma municipal “procedeu à verdadeira proibição de tais expressões do pensamento”. S.Exa. considerou que o diploma “não se coaduna com a compreensão desta Corte a respeito do tema”.

Segundo o ministro, “a Lei municipal 12.719/2023 mostra-se inconstitucional, na medida em que viola os direitos à liberdade de expressão e de reunião, além de transgredir frontalmente a jurisprudência que se sedimentou no âmbito deste Supremo Tribunal Federal”.

Ao concluir seu voto, Gilmar Mendes propôs que seja declarada a inconstitucionalidade da lei municipal, por entender que ela representa uma restrição desproporcional e ilegítima aos direitos fundamentais garantidos pela Constituição.

Os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Edson Fachin acompanharam Gilmar.

  • Leia o voto do relator

O ministro Flávio Dino também acompanhou o relator, mas defendeu que menores não devem participar dessas manifestações, como já ocorre com o consumo de álcool e tabaco.

  • Leia o voto de Dino

Corrente divergente

O ministro Cristiano Zanin abriu divergência. Para ele, “não há [...] incompatibilidade prima facie entre a Lei municipal ora impugnada e a Constituição, tendo em vista a sua ratio de proteção legítima da saúde, sobretudo de crianças e adolescentes”.

Segundo Zanin, é possível compatibilizar o texto legal com a Constituição, desde que se faça uma distinção entre manifestações políticas legítimas, como aquelas favoráveis à descriminalização das drogas, e eventos que configurem apologia ou exaltação ao uso de entorpecentes.

“É possível manter a higidez do texto legal impugnado, apenas compatibilizando-o com o texto constitucional por meio da técnica da interpretação conforme à Constituição.”

Assim, votou para julgar parcialmente procedente a ação, permitindo atos públicos que tenham como objetivo a defesa da descriminalização ou a reforma da política de drogas, mas mantendo a vedação a manifestações que façam apologia ao uso de drogas ilícitas.

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