Imigração legal aos EUA em 2026 ficou mais cara, alerta advogado
Segundo Daniel Toledo, fundador do Toledo Advogados Associados, os reajustes federais de taxas a partir de 1º/1 exigem planejamento financeiro e viram pré-requisitos para estudar, trabalhar, investir e morar no país.
Da Redação
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Atualizado às 11:31
Com novas atualizações de taxas federais entrando em vigor em 2026 e um ambiente de análise mais criteriosa, a imigração legal para os Estados Unidos passou a exigir um planejamento mais técnico e mais caro do que muitos brasileiros imaginam.
A avaliação é do advogado Daniel Toledo, fundador do Toledo Advogados Associados e especialista em imigração, que aponta um movimento crescente de pessoas buscando informação sobre quais vistos são mais comuns, quanto custa o processo, quanto tempo leva e qual é o custo real de se estabelecer no país.
"Em 2026, a regra é simples: quem trata imigração como improviso tende a perder dinheiro e tempo. O caminho viável é escolher o visto compatível com o objetivo de montar um orçamento completo, que inclua taxas oficiais, preparação documental e custo de instalação", afirma.
Os vistos mais comuns para 2026, e para que cada um serve
Toledo divide a demanda em quatro objetivos principais: morar, trabalhar, estudar e investir. Em cada um, há rotas recorrentes e armadilhas frequentes.
Para estudar (F-1 e J-1)
O visto F-1 (estudante acadêmico) segue como a porta de entrada mais usada por brasileiros para cursos de inglês, graduação e pós. A taxa consular (MRV) para a categoria F está dentro do grupo de US$ 185 do Departamento de Estado.
Além disso, há a taxa SEVIS (I-901), que, para estudantes F e M, é de US$350.
"O F-1 não é um visto 'para morar', mas é uma rota legítima para quem quer estudar e ganhar tempo para se reposicionar com estratégia. O problema é quando a pessoa entra sem projeto e sem clareza do que vem depois. Atualmente, é um dos mais desafiadores para ser aprovado", diz.
Para trabalhar (H-1B, L-1, O-1)
No trabalho, os caminhos variam conforme perfil:
- H-1B (ocupações especializadas): depende de empresa patrocinadora e, em muitos casos, do processo de seleção anual.
- L-1 (transferência intraempresa): usado por executivos/gerentes ou profissionais com conhecimento especializado transferidos por grupo econômico.
- O-1 (habilidade extraordinária): aplicável a profissionais com carreira robusta e evidências de destaque.
A taxa consular para vistos baseados em petição (H, L, O) é US$205, segundo o Departamento de Estado. Prazos variam por categoria e centro de processamento, e o governo orienta checagem caso a caso no painel oficial de tempos do USCIS.
Para investir e empreender (E-2 e rotas de green card por mérito/investimento)
No empreendedorismo, o visto mais citado é o E-2 (investidor de tratado), cuja taxa consular é US$ 315.
Toledo ressalta que, embora seja popular, ele não serve para qualquer cenário: exige investimento "substancial" e empresa real operando, com risco e execução.
"Não existe valor mágico para E-2. O investimento tem de ser coerente com o tipo de negócio e com o plano operacional. O que reprova não é 'faltar dinheiro', é faltar lógica", afirma.
Já para residência permanente (green card), entram rotas como EB-1/EB-2 (incluindo NIW) por mérito e, para perfis específicos, EB-5 por investimento qualificado. (Os custos e prazos aqui variam fortemente por estratégia e elegibilidade.)
Quanto custa um processo "bem-feito" e o que entra na conta
As taxas oficiais são apenas parte do orçamento. Em 2026, além do MRV e do SEVIS (para estudantes), o candidato precisa prever:
- Traduções juramentadas, certificações, cópias e envio internacional;
- Avaliações acadêmicas/profissionais (quando exigidas);
- Provas de lastro financeiro (para estudo e investimento);
- Taxas do USCIS em petições feitas dentro dos EUA, quando aplicável;
- Honorários jurídicos e custos de compliance societário/tributário (para quem empreende).
Toledo recomenda que a preparação documental comece com antecedência. "Um processo com escritório experiente não começa quando a pessoa 'decide ir'. É preciso organizar histórico profissional, documentação, estratégia e dinheiro. Para a maioria, o ideal é trabalhar com 60 a 120 dias de preparação antes do protocolo", destaca.
Sobre o tempo de resposta, o advogado ressalta que os prazos oscilam por fila e categoria, mas que há instrumentos para reduzir incerteza em casos elegíveis, como o premium processing, cujo mecanismo está atrelado ao formulário I-907 e pode garantir ação em janela acelerada em categorias específicas.
Moradia e custo de vida: o "segundo orçamento" que derruba planos
O erro mais comum, segundo Toledo, é planejar só o visto e ignorar o custo de instalação. "Muita gente chega com o dinheiro do processo e descobre depois que precisa de mais alguns meses de caixa para morar, transportar-se e operar", alerta o especialista.
Não existe um "custo EUA" único: muda radicalmente por cidade. Ainda assim, dados públicos ajudam a criar um piso de referência.
- Aluguel: relatórios nacionais do Zillow apontam melhora de acessibilidade e desaceleração, mas ainda indicam pressão relevante nas grandes áreas urbanas e na relação aluguel/renda.
- Gastos médios anuais: o Consumer Expenditure Survey do BLS indica que as despesas médias anuais do consumidor em 2024 ficaram em US$78.535 (média nacional, todas as categorias).
- Carro: estimativas da AAA para 2024 colocam o custo médio anual para possuir e operar um veículo novo em US$ 12.297.
- Energia elétrica: séries oficiais do EIA mostram o preço médio residencial e sua evolução, útil para estimar a conta mensal conforme consumo e estado.
Na prática, o advogado recomenda que o brasileiro trabalhe com um "colchão" de instalação: depósito/primeiro aluguel, custos de mobília, seguro, transporte e imprevistos de saúde, que variam conforme estado e perfil familiar.
Escola e faculdade: matrícula, calendário e o que o visto não resolve
Para famílias com filhos, a matrícula em escolas públicas costuma seguir o calendário local e regras de distrito escolar (varia por condado e estado). Para o ensino superior, o custo médio publicado em 2024-25 mostra diferenças grandes entre:
- Faculdades públicas (in-state) vs out-of-state;
- Community colleges ou universidades de 4 anos;
- Instituições privadas.
O College Board compila médias e intervalos por estado e tipo de instituição, com variações relevantes na tuition publicada.
Toledo é direto sobre uma expectativa recorrente: visto não "barateia" mensalidade por si só. "O que reduz custo de faculdade é bolsa, escolha de instituição, estratégia acadêmica e, em alguns casos, status migratório que permita condições de residente. O F-1, por definição, não foi desenhado para dar 'benefício de mensalidade' ao estrangeiro."
Abrir empresa nos EUA: quanto tempo leva e o que dá retorno ao brasileiro
Para quem pretende empreender, os EUA permitem abertura rápida de empresas, mas a velocidade depende do estado e do modelo societário.
- EIN (tax ID federal): o IRS afirma que, no sistema online, o número pode ser emitido "em minutos" e, se aprovado, "imediatamente".
- Constituição em estados como Delaware: há serviços de processamento acelerado (inclusive no mesmo dia), conforme tabela pública de serviços expedidos.
O que não é rápido, ressalta o advogado, é transformar empresa em negócio sustentável e, em certos vistos, isso é determinante.
Sobre setores "mais rentáveis", ele evita fórmulas prontas, mas cita uma tendência: serviços B2B com contrato, operações enxutas e demanda local previsível tendem a performar melhor do que negócios montados apenas para "servir ao visto".
"Quando o negócio nasce para cumprir um requisito, ele normalmente morre na primeira turbulência. Quando nasce para resolver um problema real do mercado local, aí sim ele sustenta a estratégia migratória".
O resumo para 2026: rota certa, orçamento completo e prazo realista
Com ajustes de taxas anunciados para 2026 e maior peso na comprovação e coerência dos pedidos, Toledo recomenda três passos:
- Definir objetivo principal (estudo, trabalho, investimento);
- Montar uma planilha com custos oficiais e custo de vida por cidade;
- Preparar documentação com antecedência.
"Imigração legal não é só 'tirar visto'. É um projeto de vida com cronograma, orçamento e risco. Quem entende isso chega melhor, gasta menos no erro e escolhe caminhos mais sólidos", conclui.




