MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Após falência da Posco, credores alertam para dívida milionária no CE
Empresarial

Após falência da Posco, credores alertam para dívida milionária no CE

Passivo declarado é de R$ 644 milhões, mas credores dizem que valor pode se aproximar de R$ 1 bilhão.

Da Redação

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Atualizado às 16:13

A Posco Engenharia e Construção do Brasil, braço da sul-coreana Posco Engineering & Construction responsável por obras na CSP - Companhia Siderúrgica do Pecém, teve a falência decretada no fim de 2025 com um passivo declarado de R$ 644,3 milhões.

Segundo reportagem do Diário do Nordeste, credores alertam que o rombo pode se aproximar de R$ 1 bilhão, diante de valores ainda não reconhecidos formalmente no processo.

O processo de falência tramita na 3ª vara Empresarial, de Recuperação de Empresas e de Falências de Fortaleza/CE e envolve ao menos 16 empresas sediadas no Ceará, além de credores trabalhistas e tributários.

Muitas dessas companhias prestaram serviços entre 2013 e 2015, período de construção da siderúrgica, e afirmam não ter recebido pelos contratos firmados.

 (Imagem: Adobe Stock)

Empresa sul-coreana Posco, responsável pela construção da CSP, decretou falência no fim de 2025.(Imagem: Adobe Stock)

Passivo concentrado em créditos trabalhistas

De acordo com os dados constantes nos autos e divulgados pelo Diário do Nordeste, a maior parte da dívida declarada decorre de créditos trabalhistas, que somam R$ 573,5 milhões.

Há ainda R$ 33,7 milhões em débitos tributários, cerca de R$ 10,4 milhões devidos a empresas fornecedoras e R$ 26,6 milhões classificados como créditos subordinados.

Entre os credores trabalhistas, destaca-se o escritório Campelo Costa Sociedade de Advogados, que concentra um crédito superior a R$ 560 milhões, decorrente da atuação jurídica relacionada ao empreendimento.

Dívida pode ser maior que a declarada

Segundo o advogado Frederico Costa, maior credor no processo, há indícios de que parte relevante do passivo não foi incluída na relação apresentada pela empresa.

Um dos pontos destacados é um suposto déficit tributário de cerca de R$ 200 milhões, relacionado a uma empresa da qual a Posco teria sido sócia, embora negasse formalmente o vínculo.

Além disso, há créditos ainda em discussão judicial, como o da empresa Maqloc, subcontratada para locação de andaimes industriais, que cobra R$ 22 milhões e não aparece na lista oficial de credores por conta do processo ainda estar em andamento.

Para Frederico, a própria natureza de litígios empresariais - como arbitragens sigilosas, ações em segredo de Justiça ou credores que ainda não se habilitaram - impede, neste momento, a fixação exata do montante devido. 

Suspeitas de fraude 

Segundo o Diário do Nordeste, credores sustentam que a estrutura societária da Posco no Brasil teria sido utilizada como uma "empresa de fachada".

Para Frederico Costa, a subsidiária brasileira, controlada em 99% pela matriz sul-coreana, teria funcionado apenas como veículo operacional, sem patrimônio compatível com uma obra estimada em US$ 5,4 bilhões.

Na mesma linha, o advogado Hugo Dias, que representa a Maqloc, afirma haver indícios de ocultação e blindagem patrimonial antes do pedido de autofalência.

Diante disso, os credores estudam pedidos de desconsideração da personalidade jurídica para alcançar bens de outras empresas do grupo Posco.

Ativos insuficientes 

O patrimônio informado pela Posco Engenharia e Construção do Brasil é modesto frente ao tamanho do passivo.

Os ativos totais somam cerca de R$ 47 milhões, mas apenas R$ 11 mil são classificados como ativos circulantes, disponíveis para pagamento de dívidas no curto prazo.

A maior parte do patrimônio está registrada como ativo não circulante, incluindo depósitos judiciais - aproximadamente R$ 45 milhões - cujo levantamento depende do desfecho de ações judiciais.

Há ainda um terreno no distrito do Pecém, adquirido por R$ 1,6 milhão, e um veículo Ford Fusion, ano 2015.

Extratos bancários juntados aos autos indicam saldo inferior a R$ 1 mil em conta corrente.

Empresa atribui quebra a fatores econômicos

Nos autos, a Posco Engenharia e Construção do Brasil nega qualquer prática fraudulenta.

A empresa sustenta que a falência decorreu de fatores externos, como o aumento dos custos operacionais, a recessão econômica brasileira entre 2014 e 2016, a ausência de novos contratos após 2018, a crise no setor siderúrgico e os impactos da pandemia da Covid-19.

Segundo a defesa, até o momento não foram identificados elementos que justifiquem responsabilização civil ou penal dos administradores, ressalvada a possibilidade de apuração futura.

Decisão judicial

Em outubro de 2025, os credores obtiveram uma primeira vitória judicial. Em decisão liminar, o Judiciário determinou a extensão da responsabilidade da dívida à Posco Engineering & Construction e à Posco Holdings Inc., controladoras da subsidiária brasileira.

Na decisão, a empresa é descrita como uma "empresa de uma obra só", constituída para executar empreendimento específico e que, após o encerramento dos contratos, deixou obrigações pendentes sem lastro patrimonial suficiente.

ArcelorMittal 

A Companhia Siderúrgica do Pecém, hoje denominada ArcelorMittal Pecém, não integra o polo da disputa. A siderúrgica foi adquirida integralmente pela ArcelorMittal em 2023, por US$ 2,2 bilhões, após aprovação do Cade.

Em nota, a ArcelorMittal informou que não teve qualquer participação nos contratos firmados entre a Posco Engenharia e Construção do Brasil e suas subcontratadas, nem mantém relação comercial com as empresas credoras listadas no processo.

Patrocínio

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

NORONHA E NOGUEIRA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

NORONHA E NOGUEIRA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA
TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA