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Portos marítimos

Expansão portuária nos EUA abre portas para brasileiros, diz advogado

Modernização da infraestrutura logística americana impulsiona negócios regionais e favorece programas como EB-5 e E-2.

Da Redação

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Atualizado às 14:04

Os Estados Unidos intensificaram nos últimos anos os investimentos em infraestrutura portuária, movimento que vem abrindo espaço para novos negócios e atraindo investidores estrangeiros, entre eles brasileiros interessados em obter residência legal no país por meio dos vistos de investimento EB-5 e E-2.

A modernização dos portos está ligada ao aumento do comércio internacional, à necessidade de tornar as cadeias logísticas mais eficientes e à estratégia do país de fortalecer exportações e reduzir gargalos históricos no transporte de cargas.

Segundo Daniel Toledo, fundador da Toledo Advogados Associados, o movimento não é recente, mas ganhou escala maior nos últimos anos. "Os investimentos sempre existiram, mas hoje são muito mais robustos e concentrados em regiões estratégicas para a economia americana", afirma.

Portos estratégicos concentram investimentos

O principal exemplo é o porto de Los Angeles, maior dos Estados Unidos e responsável por cerca de 20% de toda a carga conteinerizada que entra no país pelo Pacífico. Em 2024, o terminal movimentou aproximadamente 8,6 milhões de TEUs, de acordo com dados oficiais da autoridade portuária local.

Ainda na costa oeste, o porto de Oakland, na região da baía de São Francisco, recebeu investimentos voltados à ampliação de terminais e modernização de equipamentos. No litoral leste, o porto de Nova York e Nova Jersey se consolidou como o principal ponto de entrada de mercadorias vindas da Europa e da África, com cerca de 9,4 milhões de TEUs movimentados em 2024, segundo a Port Authority of New York and New Jersey.

No sul do país, o porto de Galveston, no Texas, tem papel central na exportação de petróleo, derivados químicos e produtos agropecuários. "Toda a região do Golfo funciona como um grande corredor energético e industrial dos Estados Unidos", explica Toledo.

 (Imagem: Divulgação)

Daniel Toledo, advogado especialista em Direito Internacional e imigração.(Imagem: Divulgação)

Infraestrutura logística amplia efeito econômico

Os investimentos portuários impactam diretamente a economia local e nacional. Dados do Bureau of Economic Analysis mostram que o PIB dos Estados Unidos superou US$29 trilhões em 2024, com o setor de transporte e armazenagem respondendo por cerca de 3% desse total.

Além dos portos, o país conta com uma das maiores malhas ferroviárias do mundo, com mais de 225 mil quilômetros de trilhos, segundo a Association of American Railroads. Essa estrutura conecta áreas portuárias a centros industriais e logísticos em praticamente todo o território americano.

"É comum encontrar trens com vários quilômetros de extensão transportando combustíveis, grãos e produtos químicos do litoral para o interior do país", relata Toledo. Ele também destaca a expansão de corredores rodoviários em estados como o Texas, com rodovias de múltiplas faixas ligando a costa a grandes centros urbanos.

Esse fluxo constante de mercadorias e trabalhadores estimula negócios complementares, como centros de manutenção, garagens de caminhões, hotéis, lojas de conveniência e imóveis comerciais e residenciais.

Vistos EB-5 e E-2 ganham destaque

Os vistos de investimento se tornaram uma das principais portas de entrada legal para estrangeiros. O visto EB-5 concede o green card a quem investe a partir de  800 mil em áreas qualificadas ou US$ 1.05 milhão em outras regiões, desde que o projeto gere ao menos dez empregos nos Estados Unidos. O Departamento de Estado disponibiliza cerca de 10 mil vistos EB-5 por ano.

Já o visto E-2 permite residência temporária renovável para cidadãos de países que mantêm tratado comercial com os Estados Unidos. O Brasil não faz parte dessa lista, mas brasileiros com dupla cidadania europeia podem se qualificar. Os investimentos costumam começar em torno de US$100 mil, dependendo do tipo de negócio.

"O E-2 é muito utilizado em empreendimentos ligados à logística, alimentação e serviços locais. O EB-5, por sua vez, é buscado por quem deseja residência permanente de forma direta, sem exigência de formação acadêmica específica", afirma Toledo.

Janela de oportunidade apesar do rigor migratório

Mesmo com o endurecimento da fiscalização migratória e análises mais rigorosas de processos, especialistas avaliam que os vistos de investimento continuam entre os mais bem aceitos pelo governo americano.

A política migratória dos Estados Unidos segue critérios econômicos. Investidores que geram empregos e desenvolvimento regional continuam sendo prioridade. A atual fase de modernização logística representa uma janela clara de oportunidades.

"O país precisa de capital, eficiência e expansão produtiva. Quem entende esse movimento e estrutura investimentos alinhados a essa demanda encontra caminhos legais e sólidos para imigrar", conclui.

Toledo Advogados Associados

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