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Memória viva

“Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas?”, diz Cármen Lúcia

Em voto emocionado, destacou a dimensão humana do crime e a limitação da Justiça diante da perda.

Da Redação

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Atualizado às 14:53

A ministra do STF, Cármen Lúcia, defendeu a condenação dos réus acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, e acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Em seu voto, a ministra lembrou que, quando presidia o STF, abriu uma sessão dizendo que não sabia como dar início em solidariedade a Marinete, mãe de Marielle, e afirmou que jamais imaginou que, oito anos depois, estaria a julgar o caso, e questionou:

“Quantas Marielles o Brasil permitirá sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de Justiça nesta pátria de tantas indignidades?"

Veja o momento:

O julgamento se deu na 1ª turma da Corte, que condenou os réus por unanimidade.

“Este processo tem me feito muito mal. Muito mal espiritualmente, muito mal psicologicamente. Pela impotência do direito diante da vida dilacerada."

A ministra aprofundou a dimensão humana da perda e o impacto irreparável provocado pelo crime.

“Eu aprendi que se pode arrancar a alma de um ser humano sem lhe rasgar as carnes. O assassinato de um filho, de uma filha, é bem a mostragem disso. O cordão umbilical que se desata no parto aqui é estilhaçado por um sicário de ódio desmedido, de ganância insaciável, de um descaso humano sem limites.”

Cármen Lúcia afirmou que nenhuma decisão judicial é capaz de reparar a dor causada pela violência.

“A Justiça humana não é capaz de apaziguar essa dor. Esse julgamento é apenas o testemunho tímido, quase constrangido da minha parte, da resposta que o direito pode dar diante da dor pungente e atroz que tem aqui a face da mãe, da filha, do filho, das viúvas, da trabalhadora que se afirma ter sobrevivido quando todo mundo tem o direito à vida e não à sobrevida. Esse processo, eu digo, presidente, me faz mal.”

Ao recordar manifestação feita oito anos antes no plenário do STF, a ministra voltou a mencionar as vítimas e seus familiares, destacando os limites da atuação judicial diante da perda.

“Pela impotência do Direito diante da vida dilacerada, que a minha pobre humanidade é inábil para não saber como enxergar, vou repetir o que falei há oito anos atrás no plenário deste Supremo, por não ter como enxugar a lágrima dessas mães, por Marielle, por Anderson, por não poder acudir Luíara, Arthur, de ver sem precisar olhar a ferida que as acomete a segurar vida afora como a sombra de suas almas que vão acompanhá-las para sempre. É certo que hoje Marielle e Anderson não têm mais limites. Nós é que seguimos com os nossos.”

A ministra concluiu reafirmando o sentido do julgamento.

“Mas a gente persiste para que a vida de ambos, especialmente a sua morte prematura, não tenha sido em vão.”

Assista:

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