Operação da PF investiga venda de dados ligados a ministros do STF
Mandados de prisão e busca foram cumpridos em três Estados após investigação sobre base clandestina com informações sensíveis.
Da Redação
quinta-feira, 5 de março de 2026
Atualizado às 09:26
Uma base clandestina com dados pessoais de ministros do STF levou a Polícia Federal a deflagrar, nesta quinta-feira, 5, a Operação Dataleaks, voltada a desarticular uma organização criminosa suspeita de obter, adulterar e comercializar informações sensíveis.
Segundo a apuração, o material reunido nesse banco ilegal era alimentado por acessos indevidos a sistemas e bancos de dados oficiais, além de registros extraídos de bases governamentais e privadas.
Com autorização do STF, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária, nos Estados de São Paulo, de Tocantins e de Alagoas.
A PF informou que o grupo investigado não apenas obtinha dados de forma ilegal, como também alterava registros para, em seguida, negociar as informações no mercado clandestino.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.
A investigação segue para dimensionar a extensão do vazamento e verificar possíveis conexões com outros esquemas de obtenção e venda ilegal de informações sensíveis.
Entenda
Em fevereiro, a PF deflagrou uma ofensiva para apurar o suposto acesso indevido a dados da Receita Federal envolvendo ministros do STF e familiares. Na ocasião, quatro servidores foram alvo.
A apuração foi instaurada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que, em janeiro, mandou abrir procedimento para verificar se houve vazamento de informações sigilosas de integrantes da Corte e de seus familiares tanto na Receita Federal quanto no Coaf - Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
O inquérito avançou no contexto de desdobramentos de uma reportagem sobre um contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes. Em dezembro, a coluna de Malu Gaspar informou que, somado por três anos, o contrato chegaria a R$ 131,3 milhões.




