Especialista alerta para riscos na gestão de créditos na saúde em 2026
O perigo está na ineficiência de judicializar ativos de baixa viabilidade enquanto créditos recuperáveis são negligenciados.
Da Redação
terça-feira, 24 de março de 2026
Atualizado às 16:16
O setor de saúde suplementar encerrou o último ciclo com um cenário de pressão extrema sobre as margens. Segundo dados do IESS - Instituto de Estudos de Saúde Suplementar e do CNJ, a judicialização da saúde mantém uma curva ascendente, ultrapassando a marca de 500 mil novos processos anuais. Contudo, o impacto financeiro mais severo não reside apenas nas condenações, mas na gestão ineficiente e não estratégica dos créditos a receber.
Peterson dos Santos, advogado especialista em Recuperação de Ativos e sócio-diretor da Eckermann & Santos - Sociedade de Advogados, observa que muitas instituições de saúde operam com um "ponto cego" estratégico:
"Há uma tendência de judicialização automática de carteiras inadimplentes sem uma análise prévia de viabilidade. Isso gera um custo processual e administrativo que, muitas vezes, supera o valor recuperável, enquanto créditos com alto potencial de liquidez expiram por falta de uma abordagem técnica e fundamentada".
O cenário exige que hospitais, laboratórios e operadoras tratem a recuperação de ativos como parte integrante do CRH - Ciclo de Receita Hospitalar. A expertise em gestão de grandes carteiras demonstra que a recuperação em escala depende de inteligência de dados para priorizar o que realmente traz fôlego ao caixa.
"O objetivo não é apenas o êxito processual, mas a recomposição da saúde financeira da operação, evitando que o jurídico se torne um centro de custos adicional em um setor de margens já reduzidas", conclui Peterson dos Santos.





