"Horrores": Cármen lamenta degradação da linguagem em debate político
Ministra criticou uso da palavra como instrumento de agressão em ambiente parlamentar.
Da Redação
terça-feira, 28 de abril de 2026
Atualizado às 16:12
Durante julgamento na 1ª turma do STF, ministra Cármen Lúcia lamentou a degradação do debate político contemporâneo, especialmente quanto ao uso da linguagem como forma de ataque pessoal entre agentes públicos.
Ao comentar as ofensas proferidas pelo deputado Federal José Nelto, contra o deputado Federal Gustavo Gayer, a ministra afirmou que a política, historicamente marcada pelo diálogo e pela construção de consensos, tem se distanciado de sua essência.
"A linguagem se tornou realmente um instrumento de agressão para alguns no que é a política, que é a arte da palavra e do convencimento."
Cármen Lúcia relembrou que o ambiente parlamentar sempre foi concebido como espaço de confronto de ideias - e não de ataques pessoais. Segundo a ministra, mesmo diante de divergências ideológicas, havia respeito entre os interlocutores:
"As pessoas podiam ter ideias e ideologias contrárias, mas chegavam no cafezinho e se falavam sem nenhum tipo de agressão."
A ministra alertou para o momento em que o debate deixa de ser impessoal e passa a atingir diretamente a pessoa, o que, para ela, representa um ponto de ruptura:
"A impessoalidade vai até um ponto em que você não atinge a própria pessoa."
Ambiente eleitoral
Cármen Lúcia também demonstrou preocupação com os reflexos desse cenário sobre as novas gerações. Segundo a ministra, a exposição reiterada a discursos agressivos pode influenciar a forma como jovens compreendem e exercem a política:
"Essa juventude vai trabalhar como a ideia de serem políticos, parlamentares, governantes?"
A ministra destacou ainda o contexto eleitoral, apontando que a intensificação de ataques verbais tende a se agravar em períodos de disputa política.
Inteligência artificial
Outro ponto abordado foi o uso de ferramentas tecnológicas para amplificar discursos ofensivos. Cármen Lúcia mencionou a atuação de robôs e o uso de inteligência artificial na disseminação de ataques:
"Esse tipo de xingamento é feito hoje com o uso de tecnologias, de máquinas, da tal da inteligência artificial. Isso nem é inteligência. A inteligência é uma compreensão que se tem de algo, e é incompreensível que se faça isso."
Para Cármen Lúcia, o fenômeno representa um agravamento da degradação do debate público, ao ampliar o alcance de manifestações agressivas e dificultar a responsabilização.






