STJ reinaugura biblioteca com acervo raro e coleção do ministro Célio Borja
Espaço foi modernizado e passa a abrigar obras históricas e fotografias de Ricardo Stuckert.
Da Redação
terça-feira, 5 de maio de 2026
Atualizado às 12:10
Nesta terça-feira, 5, o STJ reinaugurou sua biblioteca após obras de reforma e modernização.
A cerimônia marca também a incorporação da "Coleção Ministro Célio Borja" ao acervo e a abertura de exposição com obras raras do Direito, além de fotografias assinadas por Ricardo Stuckert, que passam a compor o ambiente.
Considerada um dos maiores acervos jurídicos do país e inaugurada em 1948, a biblioteca estava fechada desde o início de março para intervenções estruturais. Foi reestruturada para aliar preservação histórica, tecnologia e acessibilidade.
O novo projeto busca ampliar as condições de estudo e pesquisa, além de fortalecer o papel institucional do STJ na difusão do conhecimento jurídico.
Acervo Ministro Célio Borja
A reinauguração foi marcada pela incorporação da coleção do ex-ministro do STF Célio Borja, composta por cerca de seis mil volumes.
O acervo reúne obras fundamentais do direito, publicadas do século XVII aos dias atuais, e passa a integrar a Sala de Coleções Especiais, preparada para conservação e consulta de livros raros.
Formado em Direito pela antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), Célio Borja destacou-se tanto na advocacia quanto na vida institucional.
Foi ministro do STF entre 1986 e 1997, período em que participou de julgamentos importantes na fase de redemocratização do país e da consolidação da Constituição de 1988.
Antes disso, teve atuação expressiva na política: foi deputado Federal, chegando a exercer a presidência da Câmara dos Deputados, e também ocupou o cargo de ministro da Justiça, no governo José Sarney.
Além da carreira pública, Célio Borja manteve forte vínculo com o meio acadêmico e intelectual, sendo reconhecido por sua produção jurídica e por sua vasta biblioteca pessoal - justamente a coleção que agora foi incorporada ao acervo do STJ.
O livro mais antigo
Ainda, entre os destaques, está um exemplar da obra Commentariorum Juris Civilis, de Nicolai Vigelius (1529-1600), impresso em 1562 na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Trata-se do livro mais antigo do acervo do tribunal e de uma raridade bibliográfica, com poucos exemplares existentes no mundo.
Encadernada em pergaminho - material amplamente utilizado no século XVI -, a obra atravessou séculos como registro do pensamento jurídico ocidental.
Para ser exibido com segurança, o exemplar passou por processo de higienização e estabilização conduzido pelo Lapre - Laboratório de Preservação e Restauro do STJ.
Além da preservação física, o tribunal também realizará a digitalização integral da obra, que será disponibilizada na BDJur - Biblioteca Digital Jurídica, ampliando o acesso de magistrados, servidores, pesquisadores e estudantes, ao mesmo tempo em que reduz o manuseio do original.
Confira a cerimônia:
Programação
A programação da reinauguração da biblioteca do STJ foi organizada em quatro momentos principais:
11h | Abertura e reinauguração da biblioteca
Participaram da abertura:
- Ministro Herman Benjamin – presidente do STJ e do Conselho da Justiça Federal;
- Ministro Benedito Gonçalves – diretor-geral da Enfam;
- Professora Denise Pires de Carvalho – presidente da Capes;
- Cristian Brayner – secretário de Cultura e Memória do STJ;
11h25 | Incorporação da Coleção Min. Célio Borja
Com a presença de:
- Desembargador Luiz Paulo da Silva Araújo Filho – presidente do TRF da 2ª região;
- Rita de Cássia Sant’Anna Cortez – presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros;
- Marcelo Borja – advogado e neto do ministro Célio Borja, representando a família;
11h40 | Exposição permanente “Povos Originários – Guerreiros do Tempo”
- Ricardo Stuckert – fotógrafo responsável pelas obras expostas
11h45 | Palestra de encerramento - "A importância atual do Direito Comparado"
- Apresentação: ministro Luis Felipe Salomão – vice-presidente do STJ e do CJF
- Palestrante: professora Aida Kemelmajer de Carlucci – Universidade de Mendoza (Argentina) e Universidade de Buenos Aires, além de integrante da comissão de redação do Código Civil argentino.






