MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Censo de Diversidade aponta avanço da presença negra no setor jurídico
Equidade e valorização

Censo de Diversidade aponta avanço da presença negra no setor jurídico

Pesquisa da Aliança Jurídica pela Equidade Racial, que reúne escritórios do país, mapeia dados e desafios para acelerar progressão de carreira de profissionais.

Da Redação

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Atualizado às 15:49

O "Censo de Diversidade", realizado pela Aliança Jurídica pela Equidade Racial em parceria com a Diversidade Corporativa e o CEERT - Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, mostra que a participação de profissionais negros na área jurídica de escritórios de advocacia do país passou para 13,4% em 2025, ano da terceira edição da pesquisa.

A pesquisa contou com a participação de 4.056 profissionais que responderam por meio de questionário online. A coleta de informações ocorreu entre setembro de 2024 e dezembro do ano passado.

No estudo anterior, em 2021, o percentual foi de 11,3%. Se consideradas as áreas jurídica e administrativa dos escritórios, a presença de pessoas negras atingiu 21,2% frente a 20,4% em igual período.

Os dados foram compilados com dez escritórios que integram a Aliança – BMA Advogados, Demarest Advogados, Lefosse Advogados, Lobo de Rizzo, Mattos Filho, Pinheiro Neto Advogados, Stocche Forbes, TozziniFreire Advogados, Trench Rossi Watanabe e Veirano. Na primeira edição do Censo, em 2018, com nove escritórios participantes, a representatividade negra foi inferior a 1%.

No setor administrativo, a representatividade se apresenta maior: 30,9% são de pessoas negras; enquanto no jurídico, a proporção é de 13,4%. O resultado do Censo evidencia que a diversidade racial ainda se concentra mais em funções das áreas administrativas do que em áreas de maior poder decisório e remuneração.

"Há avanços nos dados de 2025. Mas esse retrato reforça a necessidade e a urgência de acelerarmos ações concretas e políticas constantes de desenvolvimento e retenção de profissionais negros ao longo da trilha da carreira jurídico", diz Robson de Oliveira, presidente da Aliança Jurídica pela Equidade Racial e sócio do Demarest Advogados.

"Para transformar essa realidade, romper as barreiras e a cultura de exclusão da nossa sociedade, é preciso não só aumentar a presença, mas acolher, capacitar e reter talentos. A troca de experiências e o compromisso real dos escritórios em construir soluções concretas e colaborativas são essenciais para agirmos juntos em prol da equidade racial no mercado jurídico", completa.

 (Imagem: Divulgação)

Robson de Oliveira, presidente da Aliança Jurídica pela Equidade Racial e sócio do Demarest Advogados.(Imagem: Divulgação)

Avanço

O estudo também indica melhora no índice de pessoas negras em níveis mais altos dos escritórios, embora o patamar ainda esteja distante do necessário para reduzir a sub-representação estrutural. Na área jurídica, a presença de pessoas negras na liderança cresceu de 5,6% para 7,8%. No consolidado geral (administrativo e jurídico), esse ritmo se manteve – passou de 5,2% (2021) para 7,4% (2025).

A ascensão aos cargos de diretoria explica, em parte, outro dado constatado no estudo: os homens negros (no consolidado geral) tiveram progressão no grupo que recebe mais de dez salários mínimos.

Um dos pontos destacado por Luiza Sato, sócia do TozziniFreire e integrante do conselho da Aliança, é que as mulheres negras seguem praticamente ausentes na liderança, majoritariamente branca – sinal de que a promoção de equidade requer iniciativas com foco em progressão, sponsorship e critérios transparentes de promoção.

"Os dados sobre a baixa presença de mulheres negras na liderança mostram que o desafio da equidade é também interseccional. Precisamos de estratégias intencionais que considerem essas camadas de desigualdade para promover mudanças reais e sustentáveis", diz.

"A Aliança Jurídica pela Equidade Racial segue imbuída da responsabilidade de adotar medidas e políticas que permitam aumentar a diversidade racial nos escritórios de advocacia. O Censo demonstra que continuamos avançando em termos de inclusão, mas ainda há muito a ser feito e, em particular, devemos estar também atentos à interseccionalidade, promovendo intencionalmente o aumento do número de mulheres negras, além de outros grupos minorizados", diz Barbara Rosenberg, sócia do BMA, que também integra o conselho da entidade.

Dados por sexo e orientação afetivo-sexual

O Censo de Diversidade 2025 constatou ainda aspectos relevantes ao mapear outros pilares de diversidade, equidade e inclusão. Em relação ao gênero, a proporção de profissionais mulheres aumentou para 55,4% ante 52,6% na edição anterior do levantamento (2021). A predominância feminina é de 59,5% quando consideradas as áreas administrativa e jurídica dos escritórios.

Outro destaque da pesquisa envolve a orientação afetivo-sexual: o total de participantes da pesquisa que declararam não ser heterossexuais cresceu de 11,8% (2021) para 15% (2025).

Próximos passos

Os resultados do Censo de 2025 apontam aumento gradual dos indicadores de equidade racial no mercado jurídico e refletem as ações desenvolvidas pela Aliança Jurídica pela Equidade Racial ao longo dos últimos anos.

Os levantamentos de 2018, 2021 e 2025 indicam a ampliação do debate sobre diversidade racial entre os escritórios de advocacia e a incorporação do tema à agenda do setor.

Diante desse cenário, a Aliança Jurídica informou que iniciará uma nova etapa de atuação, voltada à implementação de um plano estruturado em três frentes: acesso e oportunidades, para ampliar portas de entrada no mercado; desenvolvimento e liderança, para fortalecer a formação e a ascensão profissional; e pertencimento e progressão, com foco no acolhimento, na permanência e no avanço de talentos negros na carreira jurídica.

"Mais do que um retrato, o Censo é um instrumento de governança, ao permitir medir com consistência, comparar a evolução entre ciclos e transformar intenção em responsabilidade. Quando o setor se dispõe a olhar para os dados com seriedade, ganha condições de definir prioridades, acompanhar resultados e prestar contas sobre o que está mudando e sobre o que ainda precisa mudar", diz Anna Mello, sócia do Trench Rossi Watanabe e integrante do conselho da Aliança.

Demarest Advogados

Patrocínio

JAQUELINE MENEZES SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
JAQUELINE MENEZES SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

MENEZES ADVOGADOS

GONSALVES DE RESENDE ADVOGADOS

ATENDIMENTO IMEDIATO

NORONHA E NOGUEIRA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

NORONHA E NOGUEIRA SOCIEDADE DE ADVOGADOS tem atuação na área empresarial trabalhista