Especialista explica mudanças migratórias nos EUA e reflexos no Brasil
Daniel Toledo afirma que as novas regras ampliam a discricionariedade migratória e impactam brasileiros que buscam residência nos EUA.
Da Redação
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Atualizado às 12:55
A nova orientação do DHS - Departamento de Segurança Interna ampliou a margem de decisão de agentes de imigração na análise de pedidos de ajuste de status nos Estados Unidos.
Com isso, a medida amplia o risco de restrições a estrangeiros que ingressam legalmente no país como turistas e posteriormente solicitam residência permanente sem retorno ao país de origem.
A mudança ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos e impacta brasileiros que buscavam o ajuste de status como alternativa para permanência no país.
Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e imigração empresarial nos Estados Unidos e sócio do escritório Toledo Advogados Associados, afirma que o principal impacto está na leitura mais rigorosa sobre coerência migratória.
"O que muda agora é a forma como a intenção do estrangeiro passa a ser observada. Se a autoridade entender que houve incompatibilidade entre o motivo declarado na entrada e a movimentação posterior, o risco de negativa aumenta significativamente".
Embora a legislação migratória americana não tenha sido formalmente alterada, a nova diretriz muda a forma prática de análise dos processos. Na avaliação de especialistas, o ajuste fortalece uma interpretação mais restritiva sobre pedidos feitos dentro do território americano, especialmente em casos em que a mudança de estratégia ocorre pouco tempo após a entrada com visto de turismo.
Dados do U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) mostram que os pedidos de ajuste de status superaram 1 milhão no último ano fiscal, ampliando o volume de processos e a pressão operacional sobre a imigração americana.
Segundo Toledo, o governo busca frear condutas consideradas inconsistentes do ponto de vista migratório. "O ajuste de status nunca foi um direito automático. O problema é quando ele surge como uma decisão improvisada, sem coerência documental ou justificativa compatível com a entrada inicial no país", diz.
Para brasileiros que pretendem construir residência legal no país, Daniel reforça que a mudança gera a necessidade de planejamento prévio. O advogado afirma ainda que processos estruturados por vias empresariais ou profissionais tendem a apresentar menor vulnerabilidade justamente por sustentarem uma lógica migratória mais consistente.
"Existe uma diferença clara entre quem constrói uma estratégia migratória dentro das categorias legais disponíveis e quem tenta reconfigurar completamente sua permanência depois da entrada. O improviso passou a custar mais caro."
Entre os caminhos mais utilizados por brasileiros, o especialista destaca as categorias como EB-2 NIW, voltada a profissionais com qualificação diferenciada, EB-5, direcionada a investidores, além de vistos empresariais como L-1 e E-2.
Outro ponto de preocupação para Toledo está na ampliação dos critérios subjetivos de análise. Com mais discricionariedade, agentes federais poderão considerar histórico migratório, comportamento dentro do país e padrões de permanência com peso maior na decisão final.
"O ambiente migratório americano está menos tolerante e muito mais orientado por cruzamento de dados e análise de coerência. Quem pretende viver nos Estados Unidos precisa entender que imigração deixou de ser espaço para improviso e passou a exigir estratégia desde o início", conclui.
