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Financiamentos imobiliários

Advogado comenta projeto que permite quitar imóvel com precatório

Proposta amplia uso de créditos judiciais para quitação da casa própria, reduz pressão financeira sobre servidores e reacende debate sobre os precatórios como ativos econômicos, e não apenas passivos do Estado.

Da Redação

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Atualizado às 08:54

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza agentes da segurança pública a utilizar créditos de precatórios para quitar ou amortizar financiamentos imobiliários. A proposta também limita a taxa de desconto aplicada pelas instituições financeiras e amplia o rol de beneficiários, incluindo agentes de trânsito e socioeducativos.

Para Gilberto Badaró, advogado especialista em precatórios e sócio do Badaró Almeida & Advogados Associados, a medida representa um avanço na utilização prática desses créditos.

A aprovação, na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, do projeto que permite o uso de precatórios para quitação ou amortização de financiamentos imobiliários de agentes de segurança pública é uma medida positiva e coerente do ponto de vista jurídico e econômico”, afirma.

Segundo o especialista, o debate também reforça uma mudança de percepção sobre o papel dos precatórios na economia.

O mais importante é que esse debate ajuda a consolidar uma visão mais moderna sobre os precatórios. Eles não devem ser tratados apenas como passivo fiscal do Estado, mas também como ativos com potencial de circulação econômica, garantia patrimonial e acesso ao crédito”, observa.

Badaró avalia ainda que o modelo pode produzir impactos positivos em diferentes setores: A utilização desses créditos para amortização de financiamentos habitacionais também é positiva para a economia, fortalece o mercado imobiliário e contribui para a redução do endividamento”.

Na avaliação do advogado, a possibilidade poderia ser ampliada para outras categorias do funcionalismo público: Essa possibilidade não deveria ficar restrita apenas aos profissionais da segurança pública. O modelo pode ser ampliado para demais servidores públicos federais, estaduais e municipais, especialmente em casos de precatórios alimentares ligados a salários, aposentadorias e verbas remuneratórias”, afirma.

 (Imagem: Divulgação)

Gilberto Badaró, sócio do escritório Badaró Almeida & Advogados Associados.(Imagem: Divulgação)

O especialista também defende a ampliação do uso dos precatórios em operações de crédito: Hoje, muitos servidores possuem créditos relevantes contra o próprio Estado e, ao mesmo tempo, enfrentam acesso limitado a crédito barato. A utilização do precatório como garantia tende a reduzir o risco das operações financeiras e contribuir para juros mais baixos”.

Outro efeito apontado por Badaró envolve o mercado de compra e venda desses créditos: Outro efeito relevante é a tendência de redução dos deságios excessivos do mercado de precatórios. Quanto maior a utilidade econômica do crédito, maior tende a ser sua liquidez e valorização”, conclui.

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Badaró Almeida & Advogados Associados