MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Grupo de Nelson Willians é alvo por suposta fraude de R$ 3,8 bi em ICMS
Operação Distrato

Grupo de Nelson Willians é alvo por suposta fraude de R$ 3,8 bi em ICMS

Investigação do MP/SP apura esquema de comercialização de créditos irregulares de ICMS; empresas e endereços ligados ao advogado estão entre os alvos de 38 mandados de busca e apreensão.

Da Redação

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Atualizado às 08:39

O MP/SP deflagrou na manhã desta quarta-feira, 15, a Operação Distrato, que investiga fraudes fiscais na casa de R$ 3,8 bilhões na Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo).

O principal alvo da operação é grupo ligado ao advogado Nelson Wilians. A suspeita é de venda de créditos tributários sem lastro econômico para empresas interessadas em reduzir indevidamente o ICMS devido ao Estado.

Ao todo, são cumpridos 38 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além de Londrina e Cambé, no Paraná.

 (Imagem: Ronny Santos/Folhapress)

Advogado Nelson Wilians é alvo de operação do MP/SP que apura fraude bilionária.(Imagem: Ronny Santos/Folhapress)

Participam da operação integrantes do MP/SP, da Secretaria da Fazenda e Planejamento, da Procuradoria-Geral do Estado, além das polícias Civil e Militar.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas paulistas créditos de ICMS com deságio, apresentados como supostos instrumentos de planejamento tributário e como se estivessem regularmente autorizados pelo Fisco.

Após aderirem ao modelo, as empresas deixavam de recolher integralmente o imposto e remuneravam os intermediários com honorários de êxito que, segundo o CIRA/SP, chegavam a 70% do valor dos créditos utilizados.

As investigações apontam que os créditos negociados não possuíam qualquer lastro econômico. Para conferir aparência de legalidade às operações, os envolvidos teriam utilizado contratos, procurações, apólices e até documentos fictícios atribuídos à própria Administração Tributária.

A investigação atribui ao grupo ligado a Nelson Wilians papel central na estrutura de comercialização desses créditos. A advogada Mayra Fahur de Paula, de Londrina/PR, é apontada como integrante do núcleo investigado e também foi alvo de busca e apreensão. Até o momento, o CIRA/SP não divulgou oficialmente os nomes dos investigados.

Fraude em larga escala

A Secretaria da Fazenda informou que já instaurou centenas de procedimentos fiscais relacionados ao caso. Até o momento, foram lavrados autos de infração contra 752 empresas, em valores que superam R$ 3,8 bilhões.

Segundo o CIRA/SP, a fraude não apenas reduziu artificialmente a arrecadação estadual, mas também comprometeu a livre concorrência ao permitir que empresas beneficiadas diminuíssem ilegalmente sua carga tributária, obtendo vantagem competitiva em relação aos contribuintes que recolhem regularmente seus tributos.

A operação busca reunir novas provas, identificar os beneficiários econômicos do esquema e responsabilizar os envolvidos por crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Patrocínio