PT aciona STF e TSE contra vídeo feito com IA de Bolsonaro em apoio a Flávio
Federação aponta propaganda eleitoral antecipada e tentativa de contornar medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Da Redação
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Atualizado às 10:37
O PT e a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) acionaram o STF e o TSE após a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial de Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.
Nas petições, as legendas sustentam que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada e também representa tentativa de contornar as medidas cautelares impostas a Jair.
Avatar na convenção
O vídeo foi apresentado durante a convenção nacional do PL, realizada no sábado, 25, na Arena Pacaembu, em São Paulo. Produzida com inteligência artificial, a gravação recriou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro para transmitir uma mensagem aos convencionais e apoiadores.
No conteúdo, o avatar afirma que o ex-presidente está “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária” e pede que o público receba Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como a pessoa escolhida para substituí-lo.
A mensagem termina com a afirmação de que “o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”.
Segundo a representação eleitoral, o vídeo foi transmitido nos canais do PL e de Flávio Bolsonaro no YouTube. A Federação afirma que o conteúdo alcançou milhares de espectadores e permaneceu disponível na internet.
Assista:
IA como meio da mensagem
A Federação Brasil da Esperança acionou o TSE contra o diretório nacional do PL e Flávio Bolsonaro. Para o grupo, a gravação promoveu uma transferência de capital político do ex-presidente para o filho e ultrapassou os limites permitidos durante a pré-campanha.
A representação sustenta que o conteúdo fez referência direta ao cargo em disputa e apresentou o senador como sucessor político de Jair Bolsonaro. A entidade também argumenta que a reprodução sintética ampliou o impacto emocional e o poder de persuasão da mensagem.
Ao tratar do papel da tecnologia, a Federação afirmou que “a inteligência artificial não foi utilizada como mero recurso ilustrativo ou artístico. Constituiu o próprio meio pelo qual se viabilizou a manifestação político-eleitoral atribuída a Jair Messias Bolsonaro”.
Segundo a petição, a resolução do TSE proíbe o uso de conteúdo sintético para favorecer ou prejudicar candidaturas.
A Federação pede a retirada do trecho considerado irregular, a proibição de novas divulgações e, em caso de descumprimento, a remoção pelo YouTube, além do reconhecimento da propaganda antecipada e do uso irregular de inteligência artificial.
A Federação também solicita a aplicação de multa de R$ 30 mil para cada publicação e por representado.
Leia a petição.
Restrição imposta pelo STF
Em outra frente, o PT levou o episódio ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O partido sustenta que a exibição do avatar pode configurar descumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro.
A decisão mencionada pela legenda proíbe o ex-presidente de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros e independentemente do meio utilizado. Para o PT, a criação de imagem e voz sintéticas não afasta a autoria política da mensagem nem os efeitos da restrição.
Na petição, o partido afirmou que “o uso de voz e imagem sintéticas para fazer a pessoa ‘falar’ não configura exceção ao comando; ao contrário, é o caso exato que o comando abarca”.
A legenda também compara o episódio à divulgação da chamada “Carta aos Brasileiros”, anteriormente analisada por Moraes.
Segundo o PT, o vídeo apresenta gravidade adicional por ter sido produzido com inteligência artificial, transmitido em um ato partidário e direcionado à promoção de uma candidatura.
Leia a petição.