OAB/SP reúne especialistas para debater IA e eleições de 2026
Comissão de Direito Digital discutirá os impactos dos neurobots, da Integridade Cognitiva e da Inteligência Artificial sobre a democracia e a liberdade de escolha do eleitor brasileiro.
Da Redação
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Atualizado às 10:50
As eleições de 2026 e os impactos da inteligência artificial sobre a democracia brasileira estarão no centro do debate promovido pela Comissão de Direito Digital da OAB/SP - Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo, no dia 30/7, às 18h30. Com o tema "A Defesa da Democracia na Era da Inteligência Artificial: Neurobots e Integridade Cognitiva", o encontro reunirá especialistas para discutir como agentes artificiais já são capazes de influenciar o ambiente informacional onde os eleitores constroem suas convicções políticas.
O debate abordará um dos desafios mais relevantes da atualidade: a utilização de inteligências artificiais capazes de simular comportamento humano, influenciar narrativas, estabelecer relações de confiança e interferir na formação da opinião pública nas redes sociais. O fenômeno já desperta preocupação crescente entre pesquisadores, juristas, autoridades eleitorais e especialistas em tecnologia em diversos países.
O palestrante será o sociólogo, estrategista político, especialista em comportamento humano e em inteligência artificial aplicada à comunicação política Marcelo Senise, presidente do IRIA – Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial. Senise coordena o "Relatório Nacional sobre a Integridade Cognitiva das Eleições Brasileiras", desenvolvido a partir dos dados da plataforma Sentinela Eleitoral, estudo que analisa a atuação de agentes artificiais sofisticados nos ecossistemas políticos digitais brasileiros e propõe uma nova abordagem para a proteção da democracia na era da inteligência artificial.
O debate contará com a participação da advogada e jornalista Dra. Elaine Keller e será conduzido pelo advogado Coriolano Camargo, presidente da Comissão de Direito Digital da OAB São Paulo e presidente da Digital Law Academy, uma das maiores referências brasileiras em Direito Digital, ao lado da secretária-geral da Comissão, Soraya Michele Roque.
Para Marcelo Senise, a inteligência artificial inaugura uma nova dimensão na defesa das instituições democráticas.
"Durante décadas concentramos nossos esforços em proteger a segurança do voto. Agora precisamos proteger também o ambiente onde esse voto é construído. A democracia começa muito antes da urna. Ela nasce na liberdade de consciência do cidadão. Se esse espaço puder ser manipulado por inteligências artificiais capazes de simular pessoas reais, estaremos diante de um dos maiores desafios institucionais do nosso tempo".
O conceito de Integridade Cognitiva, desenvolvido pelo IRIA, propõe ampliar a compreensão sobre segurança eleitoral. Além da proteção tecnológica do processo de votação, o instituto defende a necessidade de preservar a autenticidade do ambiente informacional onde os cidadãos constroem suas convicções políticas e tomam suas decisões.
Durante o encontro serão apresentados os principais resultados do monitoramento realizado por meio da plataforma Sentinela Eleitoral, que identificou indícios compatíveis com a atuação de agentes artificiais sofisticados em importantes ecossistemas políticos brasileiros. O instituto denomina esses agentes de neurobots, por sua capacidade de interagir, argumentar, adaptar linguagem, estabelecer vínculos de confiança e influenciar percepções de maneira semelhante ao comportamento humano.
Ao colocar a Integridade Cognitiva na pauta da principal Comissão de Direito Digital do país, a OAB São Paulo antecipa uma discussão que tende a ocupar espaço crescente no debate jurídico, eleitoral e institucional brasileiro à medida que se aproximam as eleições de 2026.
Como destaca Marcelo Senise, o debate já não gira em torno da possibilidade de utilização da inteligência artificial nas campanhas eleitorais, mas da capacidade das instituições democráticas de compreender e enfrentar esse novo cenário.
"A grande pergunta das eleições de 2026 talvez não seja quem utilizará Inteligência Artificial. Essa pergunta já foi respondida. A verdadeira questão é se conseguiremos preservar a liberdade de consciência do eleitor em um ambiente onde humanos e inteligências artificiais já convivem sem que, muitas vezes, seja possível distingui-los".