Noiva passa mal, é internada, e juíza celebra casamento em hospital
Magistrada levou cerimônia à unidade de saúde para realizar sonho do casal.
Da Redação
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Atualizado às 13:24
Uma cerimônia de casamento coletivo terminou de forma inesperada em Rodrigues Alves, no interior do Acre. Após uma das noivas passar mal e ser encaminhada para uma unidade de saúde, a juíza responsável pela celebração foi até o hospital para oficializar a união.
Francisca Mesquita da Silva aguardava o início da cerimônia, realizada na última quinta-feira, 30, quando começou a sentir fortes dores de cabeça, enjoo e dormência no rosto. A pressão arterial chegou a 16 por 11, e ela também perdeu temporariamente os movimentos do lado esquerdo do corpo.
Diante dos sintomas, o companheiro, Francisco Jander Costa Bezerra levou a noiva para a Unidade Mista de Saúde de Rodrigues Alves. A suspeita inicial era de que Francisca pudesse estar sofrendo um AVC.
Ela realiza tratamento contra um câncer no colo do útero há cerca de oito meses. A doença foi identificada após complicações decorrentes de uma gestação de alto risco. Em outubro de 2025, a filha que esperava morreu ainda durante a gestação.
O casal acreditava que teria de adiar o casamento. Depois de concluir a celebração coletiva no estádio Pedro Santana, no entanto, a juíza Mirella Ribeiro, acompanhada da equipe do Projeto Cidadão do TJ/AC, dirigiu-se à unidade de saúde.
Com Francisca ainda deitada em uma maca e usando o vestido branco, a magistrada conduziu os votos, ouviu o "sim" dos noivos e os declarou casados. A cerimônia foi encerrada com a troca de alianças e um beijo do casal.
"Não vai ser o local que vai impedir de concretizar esse sonho deles", afirmou a juíza ao TJ/AC.
Segundo a magistrada, os noivos já haviam cumprido todas as etapas necessárias para a habilitação do casamento e demonstrado o desejo de oficializar a união.
Conforme divulgado pelo g1, Francisca e Jander vivem juntos há seis anos e moram em Cruzeiro do Sul, cidade vizinha. Eles estavam entre os 91 casais inscritos no casamento coletivo promovido pelo Projeto Cidadão, iniciativa do Tribunal acreano.
O casal já havia procurado um cartório anteriormente, mas não conseguiu arcar com as despesas do casamento civil. Por isso, Francisca conta que, mesmo se sentindo mal, resistiu inicialmente à ideia de deixar o local da cerimônia.
Após ser informada de que a juíza estava no hospital, a noiva autorizou a entrada da magistrada e se emocionou com a possibilidade de realizar o casamento.
Depois do atendimento inicial, ela foi transferida para o Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, onde passou por uma tomografia. Francisca recebeu alta na tarde de sexta-feira, 31.