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Propostas ao Tribunais

AASP apresenta cinco propostas para fortalecer Tribunais Superiores

Conjunto inédito inclui recomendação para que as Cortes instituam código de ética específico, além de medidas sobre decisões monocráticas, sustentação oral e uso de inteligência artificial.

Da Redação

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Atualizado às 10:52

A AASP – Associação dos Advogados apresentou no dia 6/8 um conjunto estruturado de cinco propostas para ampliar a segurança jurídica e fortalecer a confiança nos Tribunais Superiores.

Entre as recomendações estão a instituição de um código de ética específico para as Cortes, a adoção de regras mais rigorosas sobre impedimento e suspeição na Magistratura, a redução das decisões monocráticas em matérias relevantes e a supervisão humana obrigatória em decisões judiciais apoiadas por inteligência artificial.

O documento também sugere que o STF reveja o entendimento firmado na ADIn 3.367, para reconhecer que a competência do CNJ para controlar a atuação administrativa e financeira do Judiciário abrange os atos administrativos da própria Corte.

As medidas foram apresentadas pela presidente Paula Lima Hyppolito Oliveira e pelo vice-presidente da AASP e diretor da Revista, Antonio Carlos de Oliveira Freitas, no encerramento do evento de lançamento da Revista da AASP Especial Tribunais Superiores e a Crise Institucional.

 (Imagem: Reprodução/Arte Migalhas/AASP)

Propostas buscam fortalecer a confiança, a transparência e a segurança jurídica.(Imagem: Reprodução/Arte Migalhas/AASP)

"A confiança nos Tribunais Superiores se fortalece quando previsibilidade, transparência e participação caminham juntas. As cinco propostas apresentadas pela AASP representam uma contribuição técnica e propositiva para o debate. Defendemos uma Justiça cada vez mais moderna, mas também mais transparente, previsível e aberta ao diálogo. Julgamentos virtuais, sustentação oral e mecanismos efetivos de participação da Advocacia não são reivindicações corporativas: são garantias do devido processo legal, qualificam o contraditório e contribuem para decisões mais consistentes, legítimas e capazes de fortalecer a confiança da sociedade nas instituições", destaca a Presidente Paula Lima.

O documento foi elaborado a partir da atuação institucional da associação, que tem mais de oito décadas de conhecimento e a força do associativismo ao reunir mais de 75 mil advogadas e advogados brasileiros; das reflexões reunidas na edição especial da Revista da AASP; e de uma pesquisa que será divulgada em breve.

A AASP não pretende substituir as instituições responsáveis por regulamentar esses temas. O que apresentamos são caminhos concretos, construídos a partir da experiência da Advocacia, para ampliar a previsibilidade, a transparência e a participação no sistema de Justiça. As propostas são uma contribuição técnica e institucional para um debate que interessa a toda a sociedade”, afirma Antonio Freitas.

Para acessar o documento completo com as cinco propostas apresentadas pela AASP, clique aqui.

Ética e integridade nos Tribunais

No campo da ética e da integridade, a AASP recomenda que seja instituído um código de ética específico para os Tribunais Superiores — STF, STJ, TST, TSE e STM —, como complemento ao Código de Ética da Magistratura Nacional.

A proposta é que sua elaboração seja conduzida pelas instituições competentes, considerando as especificidades dos Tribunais Superiores e as transformações tecnológicas, processuais e financeiras ocorridas nos últimos anos.

A AASP também defende a ampliação das hipóteses de impedimento e suspeição, com o objetivo de prevenir conflitos de interesse e situações de influência cruzada, caracterizadas pelo uso indireto de relações pessoais ou institucionais para obter acesso ou exercer influência. A associação trabalha ainda na elaboração de uma sugestão de PL sobre o tema, que poderá ser apresentada ao Congresso Nacional.

A proposta inclui maior transparência sobre compromissos, audiências e despachos institucionais, além de mecanismos permanentes de integridade, prestação de contas e controle institucional.

Controle administrativo do STF

Em relação à atuação do CNJ, a AASP sugere que o STF reavalie o entendimento firmado na ADIn 3.367, para reconhecer que a competência constitucional do Conselho abrange os atos administrativos da própria Corte.

Outra possibilidade apontada é a apresentação de uma nova ação de controle concentrado para discutir o alcance da atribuição constitucional do CNJ diante dos princípios de moralidade, publicidade e eficiência aplicáveis ao Poder Público.

Colegialidade, sustentação oral e acesso aos Tribunais

As propostas preveem a redução de decisões monocráticas em matérias estruturantes e nas mudanças relevantes de entendimento. Nesses casos, a AASP defende que as decisões sejam tomadas pelos órgãos colegiados e que alterações jurisprudenciais observem regras de transição, evitando surpresas para as partes.

O documento também propõe o combate à chamada jurisprudência defensiva, caracterizada pela utilização de obstáculos processuais que impedem o julgamento do mérito dos recursos. Para a associação, os regimentos internos dos Tribunais devem privilegiar a análise das controvérsias e estabelecer critérios objetivos para a revisão de precedentes.

Em relação aos julgamentos virtuais, a AASP defende que a parte possa escolher entre a sustentação oral presencial e a participação síncrona por videoconferência, sempre que houver pedido. Também propõe ampliar as hipóteses de retirada de processos do ambiente virtual mediante manifestação fundamentada da advocacia.

Outro eixo prevê a padronização nacional do atendimento a advogadas e advogados, com critérios públicos e isonômicos para audiências com ministras, ministros e integrantes dos gabinetes. A medida poderia ser implementada por resolução do CNJ, elaborada com a participação das entidades representativas da advocacia.

Supervisão humana no uso de inteligência artificial

Para o uso de inteligência artificial no Judiciário, a AASP propõe a atualização das normas do CNJ, com supervisão humana obrigatória em todas as decisões apoiadas por sistemas automatizados.

A associação também defende que as partes sejam informadas sobre a utilização dessas ferramentas e tenham acesso a mecanismos de auditoria e rastreabilidade. Entre as informações que deveriam ser registradas estão a versão do sistema, os parâmetros utilizados, o treinamento realizado e as taxas de erro. O uso da tecnologia, segundo o documento, não pode substituir o dever constitucional de fundamentação das decisões.

As cinco propostas estão organizadas nos seguintes eixos: segurança jurídica e estabilidade da jurisprudência; devido processo legal, colegialidade e participação efetiva da advocacia; igualdade e transparência no acesso aos Tribunais; ética, integridade e governança institucional; e transparência e supervisão humana no uso da inteligência artificial.

"O diagnóstico está acompanhado de possibilidades de implementação. Parte relevante das medidas pode avançar por alterações regimentais, resoluções do CNJ e decisões administrativas dos próprios Tribunais. Não se trata de confrontar as Cortes, mas de contribuir para fortalecer sua legitimidade, a qualidade das decisões e a confiança da sociedade", complementa Antonio Freitas.

AASP - Associação dos Advogados