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“Antes Elize do que Eliza”: aluna de Direito explica TCC que viralizou

Clara Souza analisou como o sistema de Justiça e a mídia tratam mulheres envolvidas em casos criminais, tanto na condição de vítimas quanto de rés.

Da Redação

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Atualizado em 11 de agosto de 2026 17:30

Antes Elize do que Eliza”. A frase provocativa escolhida pela estudante de Direito Clara Souza, de 22 anos, para seu TCC viralizou nas redes sociais e abriu espaço para uma discussão que vai além dos dois casos que inspiraram o trabalho.

A expressão contrapõe Eliza Samudio, assassinada em 2010 a mando do ex-goleiro Bruno Fernandes, e Elize Matsunaga, condenada pela morte e esquartejamento do marido, Marcos Matsunaga, em 2012.

Na pesquisa, apresentada na Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral/CE, Clara parte das duas histórias para discutir violência de gênero, resposta das instituições e o julgamento moral imposto às mulheres, sejam elas vítimas ou rés.

Ao Migalhas, a estudante explicou que a frase não representa uma defesa do crime cometido por Matsunaga. A provocação busca traduzir uma das inquietações que motivaram o estudo: a percepção de que, para muitas mulheres, a proteção do Estado pode chegar tarde demais.

 (Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal)

Clara Souza apresentou TCC que relaciona os casos de Elize Matsunaga e Eliza Samudio para discutir violência de gênero.(Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal)

Origem da pesquisa

Clara conta que o interesse pelo tema ganhou força quando passou a atuar no atendimento jurídico a mulheres vítimas de violência.

A experiência, segundo ela, tornou mais evidentes questões como o descrédito da palavra feminina, o julgamento sobre a vida pessoal das mulheres e as relações de poder presentes na sociedade.

Foi nesse contexto que decidiu revisitar os casos de Elize e Eliza. A expressão escolhida para o título já circulava nas redes sociais e chamou sua atenção pelo significado atribuído por algumas mulheres.

“Não uso essa frase como defesa de um crime cometido por Elize, como muitas pessoas acharam, mas como uma provocação para discutir o que ela revela sobre o medo de muitas mulheres e a sensação de que a proteção institucional, se chega, chega muito tarde.”

Repercussão nas redes

Atualmente, Clara presta assessoria jurídica a mulheres vítimas de violência no núcleo especializado da Defensoria Pública do Ceará, na Casa da Mulher Cearense, em Sobral.

Após apresentar o TCC, publicou um registro no TikTok por sugestão de amigos. A repercussão aumentou quando a imagem chegou ao X, antigo Twitter.

Com a viralização, vieram também críticas de pessoas que, segundo Clara, avaliaram uma pesquisa de mais de 100 páginas apenas pela fotografia e pelo título. Apesar disso, ela afirma que a repercussão ajudou a levar a discussão acadêmica para além da universidade.

“Não quero que todos concordem com a minha pesquisa, mas gostaria que as críticas fossem feitas sobre aquilo que realmente escrevi e defendi.”

Julgamento jurídico e moral

Um dos pontos centrais do trabalho é a diferença entre responsabilização jurídica e julgamento moral. Para Clara, mulheres envolvidas em processos criminais podem ter aspectos de sua vida pessoal utilizados para definir se merecem proteção, quando vítimas, ou para reforçar uma imagem de perversidade, quando rés.

“A vítima não deveria precisar provar que possui uma vida considerada moralmente correta para merecer proteção.”

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