Óculos inteligentes da Meta são proibidos em tribunais da Inglaterra e País de Gales
Equipamento capaz de gravar vídeos será retido na entrada dos prédios judiciais e devolvido na saída; medida busca impedir registros não autorizados.
Da Redação
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Atualizado às 17:46
Os óculos inteligentes da Meta não poderão ser utilizados nos tribunais da Inglaterra e do País de Gales. Segundo informações do The Guardian, o HMCTS - Serviço de Tribunais e Cortes de Sua Majestade determinou que o acessório seja retido de quem tentar entrar com ele em prédios judiciais e devolvido apenas na saída.
A restrição ocorre porque os óculos permitem realizar gravações enquanto são utilizados. Ao jornal britânico, um porta-voz do HMCTS explicou que já existem regras claras contra a captação de imagens e vídeos em tribunais, razão pela qual o uso do dispositivo foi proibido.
Celulares continuam permitidos
A medida diferencia os óculos inteligentes dos smartphones. De acordo com o The Guardian, advogados e demais frequentadores ainda podem entrar nos tribunais com celulares, desde que os aparelhos não sejam usados para registrar audiências ou outros procedimentos judiciais.
No caso dos óculos da Meta, porém, não haverá a mesma possibilidade: quem estiver com o equipamento deverá deixá-lo sob custódia na entrada.
No Reino Unido, fotografar ou filmar dentro de prédios judiciais sem autorização oficial é proibido e pode, conforme o caso, resultar em responsabilização por desacato ao tribunal.
Suspeita de auxílio durante depoimento
A preocupação com o equipamento já havia chegado ao Judiciário britânico. Conforme relatou o jornal, neste ano, um homem que prestava depoimento no High Court foi acusado por uma juíza de utilizar óculos inteligentes para receber auxílio durante o interrogatório.
A magistrada determinou a retirada do dispositivo após considerar que o depoente estaria sendo assistido em suas respostas. Ele negou ter recebido orientações por meio dos óculos e também afirmou que o equipamento não estava conectado ao celular.
O HMCTS informou ao jornal que não possui dados sobre quantos episódios envolvendo o uso ou a apreensão de óculos inteligentes já ocorreram nos tribunais.
Restrição também chegou aos EUA
A Inglaterra e o País de Gales não são os primeiros a restringir o equipamento no ambiente judicial. Em julho, o sistema de Justiça de Nova York também anunciou a proibição dos óculos inteligentes, com o objetivo de evitar gravações clandestinas de procedimentos judiciais.
A preocupação com privacidade também levou estabelecimentos como restaurantes, teatros e pubs britânicos a restringir o acessório.