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Cartas na mesa

PF faz buscas contra Nelson Wilians em investigação sobre lavagem de dinheiro de bets

Operação Arena apura suspeita de ocultação e movimentação de recursos ligados a jogos de azar e apostas esportivas.

Da Redação

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Atualizado às 11:10

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira, 13, mandado de busca e apreensão contra o advogado Nelson Wilians, em São Paulo, no âmbito de investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos provenientes de jogos de azar e apostas esportivas.

A medida integra a Operação Arena, que cumpre 17 mandados em cinco Estados e prevê o sequestro de até R$ 1,1 bilhão.

A ordem contra Wilians foi expedida pela 4ª vara Federal da Paraíba. Segundo informações divulgadas pelo g1, o advogado é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo investigado e na ocultação de bens.

 (Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress | Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP)

Nelson Wilians é alvo de busca e apreensão em operação da PF que investiga suposta lavagem de dinheiro ligada a apostas esportivas.(Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress | Divulgação/Secretaria da Fazenda de SP)

Estrutura no exterior

A Operação Arena foi deflagrada pela PF em parceria com o MPF, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. As apurações miram grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos provenientes de jogos de azar e apostas esportivas.

Segundo a investigação, empresas constituídas fora do Brasil teriam sido usadas para justificar elevadas remessas internacionais sem atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados. O esquema também teria recorrido a instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais para dificultar o rastreamento dos recursos.

Entre as empresas investigadas está a PixBet, da Paraíba. De acordo com o g1, as apurações também envolvem a PixStar, em Curaçao, e identificaram pagamentos entre as duas companhias.

Atuação antes da regulamentação

As investigações começaram em 2022 para apurar a atuação de pessoas físicas e jurídicas de Campina Grande/PB na comercialização de créditos de jogos online sediados no exterior e na exploração ilegal de apostas esportivas no Brasil.

Antes da regulamentação do setor, o grupo alegava manter empresas na Costa Rica e em Curaçao para desenvolver a atividade. Segundo os investigadores, porém, essa estrutura teria sido usada para dar aparência de legitimidade às operações, justificar remessas internacionais e ocultar a destinação dos valores.

Os indícios também apontam possível blindagem patrimonial, evasão de divisas, omissão de rendimentos e planejamento tributário abusivo. A apuração investiga ainda se recursos provenientes da atividade considerada ilícita foram usados no pagamento da outorga necessária à autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas.

Nelson Wilians

Nesse contexto, Nelson Wilians é investigado por suspeita de participação na movimentação financeira do grupo. Segundo o g1, a PF apura se o advogado atuava como operador financeiro e na ocultação de bens obtidos pelos investigados.

Wilians já havia sido alvo de outra operação em julho, relacionada a uma investigação sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS em São Paulo e no Paraná.

 (Imagem: Reprodução/PF)

(Imagem: Reprodução/PF)

Buscas e bloqueios

Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão na Paraíba, em São Paulo, Sergipe, no Rio de Janeiro e no Paraná. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos telemático e bancário e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão, montante relacionado às estimativas dos valores supostamente envolvidos nos crimes investigados.

A Receita Federal participa da operação com 40 auditores-fiscais e analistas-tributários, responsáveis pela identificação e coleta de elementos destinados à apuração de possíveis infrações tributárias, penais e administrativas.

Segundo a PF, os investigados poderão responder, conforme suas responsabilidades, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

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