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Violência de gênero

Cármen Lúcia: “Quem ama não mata; feminicídio é relação de poder”

Ministra fez afirmação durante julgamento no STF sobre aplicação da lei Maria da Penha em casos de violência de gênero sem vínculo familiar, doméstico ou afetivo entre vítima e agressor.

Da Redação

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Atualizado às 18:28

Ministra Cármen Lúcia, do STF, afirmou nesta quarta-feira, 19, que a violência contra a mulher não decorre de relações de afeto, mas de relações de poder.

A manifestação ocorreu durante julgamento, em plenário, sobre a possibilidade de aplicação da lei Maria da Penha em casos de violência de gênero mesmo quando não existe vínculo familiar, doméstico ou afetivo entre vítima e agressor.

Ao abordar o contexto da violência de gênero, a ministra afirmou que a sociedade é "misógina" e alertou para o que classificou como tentativa de retrocesso nos direitos das mulheres.

"A verdade é que nós temos uma sociedade misógina e nós estamos vivendo em um tempo de tentativa de retrocesso de direitos. Falo especificamente no tema que é este aqui, que é contra os direitos da mulher."

Segundo Cármen, esse cenário se manifesta em diferentes níveis e pode culminar em violência. A ministra também apontou insuficiências tanto nas estruturas criadas para enfrentar o problema quanto na educação voltada à civilidade e à convivência entre as pessoas.

"Quem ama não mata"

Ao tratar especificamente da referência a relações de afeto em casos de violência contra a mulher, Cármen Lúcia rejeitou a associação entre violência e amor.

"Quem ama não mata. O feminicídio é praticado, o assassinato de mulher é praticado por uma questão de poder."

Para a ministra, a violência ocorre porque o agressor se coloca em uma posição de domínio sobre a mulher.

"O homem acha que tem um poder de vida e morte contra nós e mata. Ponto. Não tem nada com relação de afeto."

Cármen também recordou o movimento "Quem ama não mata", promovido por mulheres mineiras no início da década de 1980, para reforçar que, em sua avaliação, a violência deve ser compreendida sob a perspectiva das relações de poder.

A ministra ainda fez uma analogia para explicar essa dinâmica, afirmando que o agressor trata a mulher como se fosse algo sobre o qual possui domínio: "Ele acha que é uma coisa a mais que ele tem dentro de casa. Não funciona bem, ele quebra".

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