1º dia do Encontro da AASP debate advocacia e ansiedade contemporânea
Em Campos do Jordão, Paula Lima defendeu a participação da advocacia na Justiça; Luiz Felipe Pondé abordou as origens sociais da ansiedade.
Da Redação
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Atualizado às 10:04
O 17º Encontro Anual da AASP – Associação dos Advogados foi aberto na noite de quinta-feira, 27/8, em Campos do Jordão/SP, com a defesa de uma advocacia presente nos debates sobre as transformações do sistema de Justiça. A cerimônia teve falas da presidente da entidade, Paula Lima Hyppolito Oliveira, e do diretor Cultural, Rogério Tucci. Na sequência, o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé apresentou a conferência "A Era da Ansiedade".
Também compuseram a mesa solene o prefeito de Campos do Jordão, Carlos Eduardo Pereira da Silva, o Caê; a vice-presidente da OAB/SP, Daniela Magalhães; e o presidente da OAB Campos do Jordão, Fausto Augusto Ribeiro.
Ao lembrar os 17 anos do Encontro Anual, Paula destacou a importância de sair da rotina profissional para promover conversas, trocar experiências e adquirir conhecimento.
"É exatamente isso que faz deste encontro um momento tão importante para a AASP. Uma Associação feita não apenas de serviços, cursos, produtos ou estruturas, mas, sobretudo, de pessoas, encontros, confiança e pertencimento", declarou.
Em balanço da atuação institucional em 2026, Paula citou debates sobre sustentação oral, julgamentos virtuais, inteligência artificial, transformação digital do Judiciário, segurança jurídica, golpes digitais e novas formas de exercício profissional.
"Presença institucional, para nós, nunca significou simplesmente estar na fotografia. Significa levar a voz da Advocacia para a mesa", disse.
Como exemplos, citou o ingresso da AASP como amicus curiae em procedimento no CNJ sobre sustentação oral e julgamentos virtuais; a admissão em recurso repetitivo do STJ que discutirá a validade de citações por aplicativos de mensagens e redes sociais; e a participação, no STF, em processo sobre o reconhecimento pessoal feito sem observância do CPP.
"São temas diferentes, mas existe algo que une todos eles: a defesa do devido processo legal e de uma Advocacia que participe efetivamente da construção da Justiça. Não existe Justiça forte com Advocacia enfraquecida", declarou.
Paula também retomou propostas e frentes institucionais da AASP para ampliar a confiança nos Tribunais Superiores. Entre elas estão a preservação da sustentação oral, o fortalecimento da colegialidade, o aperfeiçoamento das regras de impedimento e suspeição, critérios mais claros para a revisão de precedentes e transparência e supervisão humana no uso da inteligência artificial. Mencionou ainda a necessidade de padrões nacionais para os sistemas de processo eletrônico.
"Modernizar o sistema de Justiça não pode eliminar garantias. A confiança nas instituições não se exige, a confiança se constrói", afirmou.
O diretor Cultural da AASP, Rogério Tucci, destacou que boas ideias surgem "do olho no olho, do debate com humanidade e da pergunta inesperada".
"Reunir pessoas, experiências e diferentes perspectivas para analisar os grandes temas que transformam o Direito e a Advocacia será o espírito desses três dias", afirmou, antes de apresentar a programação.
Ansiedade, aceleração e controle
Na conferência inaugural, Luiz Felipe Pondé propôs uma leitura sociológica da ansiedade. Para o filósofo, o fenômeno não deve ser compreendido apenas como experiência individual ou psicológica, mas também como resultado da organização da sociedade moderna.
Pondé relacionou a ansiedade à aceleração da vida, ao aumento do fluxo de informações, às rupturas tecnológicas e à tentativa de controlar um número crescente de variáveis no trabalho, na saúde, nos relacionamentos e nas finanças.
"A modernização é o momento histórico baseado na possibilidade de aumentar o controle sobre as variáveis", afirmou. Segundo Pondé, a ansiedade surge quando as pessoas percebem que seus mecanismos de controle podem entrar em colapso. Por decorrer de transformações históricas e sociais iniciadas há mais de um século, o fenômeno não tende simplesmente a desaparecer, embora cada pessoa possa desenvolver maneiras de lidar com seus efeitos.
O Encontro Anual prossegue nesta sexta-feira, 28/8, com debates sobre inteligência artificial e cibersegurança, plataformas digitais, litigância abusiva, Direito do Trabalho, planejamento sucessório, provas eletrônicas e insolvência. No sábado, 29/8, as plenárias abordarão as relações entre imprensa, opinião pública e processos judiciais; os desafios dos tribunais; e o combate ao crime organizado com preservação das garantias fundamentais.
A programação completa está disponível aqui.
