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Empreendedorismo

Ricardo Faria, "o rei do ovo", compara desafios de empreender no Brasil, EUA e Europa

Empresário destacou diferenças regulatórias e jurídicas entre os mercados e apontou oportunidades no Brasil.

Da Redação

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Atualizado às 08:17

O empresário Ricardo Faria, founder da Granja Faria e presidente da Global Eggs, conhecido como "o rei do ovo", afirmou nesta quinta-feira, 3, que empresas capazes de construir modelos de negócio bem-sucedidos no Brasil encontram condições para expandi-los internacionalmente.

Durante palestra no Europe-Brazil Legal Summit, em Lugano, na Suíça, Faria relatou sua trajetória empresarial e a expansão de seus negócios para Europa e Estados Unidos, destacando diferenças regulatórias, jurídicas e culturais entre os mercados.

Para ilustrar essas diferenças, o empresário comparou o ambiente europeu a um lago calmo, no qual é possível enxergar com antecedência o caminho a percorrer. Os Estados Unidos, segundo ele, se assemelhariam a um rio com alguma correnteza, mas com mecanismos que facilitam a atividade empresarial.

 (Imagem: Migalhas/Redação)

(Imagem: Migalhas/Redação)

Nos EUA

Ao falar do mercado norte-americano, mencionou, entre outros pontos, a facilidade para constituir empresas e mecanismos tributários de incentivo a investimentos.

Faria também afirmou que percebe diferenças relevantes na demanda por serviços jurídicos nos Estados Unidos em comparação com o Brasil. Segundo ele, determinadas empresas norte-americanas possuem estruturas jurídicas internas menores para lidar com questões operacionais e trabalhistas, embora enfrentem outros tipos de litígios.

"Quando a gente vai comprar empresas nos Estados Unidos [...] a gente chega na empresa e pergunta: "Cadê o jurídico?''

Na sequência, afirmou que o contencioso trabalhista representa uma dificuldade particularmente relevante para empresas que atuam no Brasil.

"É porque tu não tem aquele negócio, que é um problema grave no Brasil, que é ação trabalhista."

O empresário ponderou, porém, que o mercado norte-americano possui seus próprios riscos jurídicos, citando ações relacionadas a consumidores, embalagens e acidentes envolvendo veículos das empresas.

Jacaré, cobra e árvore

Ao chegar ao Brasil em sua comparação, Faria descreveu um ambiente empresarial mais turbulento. Na metáfora utilizada durante a palestra, o empreendedor brasileiro percorre um rio no qual precisa lidar constantemente com obstáculos inesperados.

"Aí tu consegue dar um passo e vem um jacaré. Então tu tem que dar uma remada na cabeça do jacaré. Daqui a pouco cai uma árvore na tua frente e tu tem que serrar essa árvore. E já a cobra tenta te morder."

Apesar das dificuldades, o empresário disse enxergar justamente no Brasil um dos maiores espaços para crescimento.

"Eu acho que o nível de oportunidades que a gente tem no Brasil, tem tanta coisa ainda imatura pra fazer, é muito grande."

Para Faria, portanto, o desafio consiste em superar os obstáculos que tornam o ambiente de negócios brasileiro mais complexo sem perder de vista as oportunidades disponíveis.

"O grande trabalho nosso aqui é a gente se livrar do jacaré, da cobra e da árvore que cai no meio desse riozinho."

Internacionalização

Durante a palestra, Faria contou que sua primeira experiência empresarial de maior escala ocorreu no segmento de locação e lavagem de uniformes e enxovais. A empresa cresceu por meio de aquisições até alcançar presença nacional e, posteriormente, foi vendida.

O empresário afirmou que, apesar do resultado financeiro da operação, permaneceu com uma frustração: não havia conseguido internacionalizar aquele modelo de negócio.

Depois de um período de estudos em Harvard Business School, decidiu iniciar um novo projeto e ingressou no mercado de produção de ovos.

A partir de 2018, passou a adquirir empresas no Brasil e afirmou ter utilizado as melhores práticas de cada uma delas para construir um modelo comum de operação.

Posteriormente, a companhia iniciou sua expansão internacional. Segundo Faria, foram adquiridas dez empresas na Espanha, além de operações em Portugal e Alemanha. Mais tarde, o grupo entrou também nos Estados Unidos.

"Eu tinha um negócio bem-sucedido no Brasil e a gente consegue transformar, também, um negócio bem-sucedido na Europa."

Execução

Ao final, Faria apontou quatro elementos que considera comuns aos negócios que desenvolveu: estrutura, estratégia, cultura e capacidade de execução.

Para ele, esta última é decisiva.

"Eu não preciso ser o mais inteligente da sala, o mais rico da sala, com a melhor ideia da sala, mas eu preciso ser a pessoa que vai ter a capacidade de fazer."

Segundo o empresário, mesmo uma organização que ainda não tenha encontrado a estratégia ideal pode chegar a ela por tentativa e erro se possuir elevada capacidade de execução.

"A execução vai vencer o jogo."

Faria também destacou a formação e atração de profissionais como elementos centrais para o crescimento das empresas. Ao comentar o avanço da inteligência artificial, afirmou que a tecnologia não elimina a importância do capital humano.

"Por mais que venha inteligência artificial, seja o que vier pela frente, a gente gosta de gente e quem vai fazer a diferença são as pessoas."

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