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Digitalização

Especialista da e-Xyon explica evolução digital do Judiciário em 20 anos

Carlos Oyola analisa como a digitalização dos processos abriu caminho para novas tecnologias e para o uso da inteligência artificial na Justiça.

Da Redação

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Atualizado em 23 de setembro de 2026 17:20

Há cerca de 20 anos, o Judiciário brasileiro iniciava uma das maiores transformações de sua história com a migração gradual dos processos físicos para o ambiente eletrônico. A mudança, impulsionada pela lei 11.419/06, marcou o início de uma nova era para a Justiça brasileira, reduzindo a dependência do papel e inaugurando um processo contínuo de modernização que transformou a gestão processual, a atuação da advocacia e o funcionamento dos tribunais.

Antes da digitalização, a rotina jurídica era marcada por pilhas de documentos físicos, deslocamentos constantes aos fóruns, dificuldades de acesso às informações e procedimentos predominantemente manuais. A implantação dos processos eletrônicos trouxe ganhos significativos de produtividade, permitindo maior controle dos prazos, acesso remoto aos autos e redução de etapas burocráticas.

Segundo Carlos Oyola, diretor Comercial da e-Xyon, a migração dos processos físicos para o ambiente digital representou uma mudança estrutural na forma como o Judiciário passou a operar. "A transformação digital não foi apenas uma substituição do papel pelo meio eletrônico. Ela criou uma infraestrutura para a gestão processual, ampliando o acesso às informações, melhorando o controle dos processos e abrindo caminho para uma Justiça mais eficiente e conectada", destaca.

Ao longo dessas duas décadas, a transformação digital deixou de ser apenas uma iniciativa de informatização e passou a representar uma mudança estrutural na forma como a Justiça é administrada. A implantação do PJe - Processo Judicial Eletrônico ampliou a tramitação digital das ações, trouxe maior padronização entre tribunais e transformou a rotina de magistrados, servidores e advogados.

 (Imagem: Magnific)

O diretor explica a evolução digital da Justiça até o uso de IA na gestão jurídica.(Imagem: Magnific)

Paralelamente, novas ferramentas foram incorporadas ao ecossistema judicial para tornar a comunicação e a gestão processual mais eficientes. O DJe - Diário da Justiça Eletrônico substituiu gradualmente as publicações impressas, enquanto o DJEN - Diário de Justiça Eletrônico Nacional avançou na centralização das publicações oficiais dos tribunais brasileiros. Também foram implementados recursos como o Domicílio Judicial Eletrônico, que unificou o recebimento de citações e comunicações processuais, além de iniciativas como o Balcão Virtual, o Juízo 100% Digital e os Núcleos de Justiça 4.0, que ampliaram o acesso remoto e possibilitaram novos modelos de prestação jurisdicional.

Na avaliação de Carlos Oyola, essa evolução ocorreu em diferentes etapas. "Primeiro, o desafio era eliminar a dependência do papel e criar uma base digital para os processos. Depois, avançamos para a integração dos sistemas e para novos modelos de atendimento e prestação jurisdicional. Agora, entramos em uma fase em que o grande desafio é transformar dados em inteligência para melhorar ainda mais a gestão jurídica", afirma.

Essa evolução também foi acelerada por fatores externos, como a pandemia de Covid-19, que consolidou práticas como audiências por videoconferência, julgamentos virtuais e o trabalho remoto. O período demonstrou a maturidade da infraestrutura digital construída pelo Judiciário e reforçou que a tecnologia passou a ser um elemento essencial para garantir a continuidade da prestação jurisdicional.

Atualmente, a discussão entra em uma nova fase. Com um dos maiores volumes processuais do mundo, o Judiciário brasileiro encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos pendentes em tramitação, segundo o relatório Justiça em Números 2026, do CNJ. No mesmo período, foram registrados 40,9 milhões de novos processos, evidenciando o desafio de administrar uma demanda crescente e reforçando o papel estratégico da tecnologia para ampliar a eficiência, reduzir gargalos operacionais e aprimorar a gestão processual.

Nesse cenário, a inteligência artificial surge como a próxima etapa da transformação digital. Ferramentas capazes de automatizar tarefas repetitivas, analisar documentos, identificar padrões processuais, organizar informações e apoiar a tomada de decisões já começam a transformar a rotina de escritórios, departamentos jurídicos e instituições do sistema de Justiça.

Para o executivo, a inteligência artificial representa uma mudança de paradigma no setor jurídico. "Quando analisamos um Judiciário com mais de 75 milhões de processos pendentes e dezenas de milhões de novos casos chegando todos os anos, fica evidente que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de modernização. Ela se tornou essencial para garantir escala, produtividade e uma gestão jurídica mais estratégica", ressalta.

Mais do que automatizar atividades operacionais, a inteligência artificial permite utilizar dados e tecnologia para gerar análises mais precisas, apoiar decisões e liberar profissionais do Direito para atividades de maior valor estratégico.

e-Xyon