Advogada faz ensaio gestante com seringas usadas contra trombofilia
Ilva Cabrera transformou em registro fotográfico parte da rotina de tratamento durante a gestação.
Da Redação
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Atualizado às 18:31
As marcas de uma gestação de risco viraram registro fotográfico para a advogada Ilva Cabrera. Em ensaio publicado nas redes sociais, ela reuniu elementos que passaram a fazer parte de sua rotina desde que recebeu o diagnóstico de trombofilia durante a gravidez, entre eles as seringas utilizadas diariamente no tratamento com anticoagulante.
As imagens acompanham um relato sobre os meses de descoberta, preocupação e acompanhamento médico mais intenso durante a gestação, enquanto Ilva se prepara para a chegada de Lucas, seu primeiro filho.
Começou com a gripe
Ilva contou que tudo começou em fevereiro, quando foi diagnosticada com Influenza A. Mesmo após o tratamento, alguns sintomas não desapareceram e, pouco depois, ela descobriu que estava grávida.
No início do pré-natal, sua obstetra solicitou 46 exames. Quando os resultados ficaram prontos, algumas alterações fizeram com que a médica marcasse uma consulta para o mesmo dia.
Foi então que veio o diagnóstico de trombofilia.
A notícia trouxe apreensão. Ilva contou que ficou nervosa e chegou a tremer durante o ultrassom enquanto ouvia as explicações sobre os possíveis riscos da condição durante a gravidez.
Entre eles, segundo seu relato, estavam trombose, aborto espontâneo, sangramento no parto, descolamento de placenta, nascimento prematuro, pré-eclâmpsia e alterações no crescimento do feto.
Apesar da preocupação, naquele momento Lucas estava bem.
Seringas na rotina
Com o diagnóstico, a gestação deixou de ser considerada normal e passou a ser acompanhada como gestação de risco. As consultas, que inicialmente ocorreriam uma vez por mês, passaram a ser feitas a cada 20 dias.
Ilva também começou o tratamento diário com Clexane, medicamento anticoagulante aplicado por injeção, além do uso de meia de compressão e progesterona. Segundo relatou, o tratamento deverá continuar até o período pós-parto.
A rotina das aplicações acabou deixando marcas visíveis nos braços e nas pernas. "Já me acostumei com os roxos nos braços e pernas em razão da aplicação do anticoagulante", escreveu.
Ela contou ainda perceber, algumas vezes, olhares de curiosidade e outros que interpreta como julgamento em razão dos hematomas.
Tratamento precisou ser reforçado
No segundo trimestre, após a repetição de alguns exames, Ilva recebeu a informação de que a dose de 40 mg do anticoagulante não estava sendo suficiente. A quantidade foi então elevada para 60 mg.
O medicamento, segundo ela, tem custo elevado. Uma caixa com seis seringas chega a custar entre R$ 400 e R$ 500 nas farmácias. A advogada conseguiu obter o anticoagulante pelo Crema - Centro de Referência de Medicamentos Especiais.
Outro cuidado foi acrescentado após o ultrassom do primeiro trimestre, quando foi identificado risco elevado de pré-eclâmpsia.
Ilva relata que estranhou a informação porque nunca havia apresentado pressão alta. A médica, porém, explicou que o risco estava relacionado à circulação sanguínea e, principalmente, à trombofilia. A partir daí, ela passou a utilizar também AAS diariamente.
Gestação diferente da imaginada
Ao compartilhar o ensaio e o relato, Ilva apresenta uma gravidez que tomou um rumo diferente daquele inicialmente imaginado. Consultas mais frequentes, exames, medicamentos e aplicações diárias passaram a acompanhar a expectativa pela chegada do filho.
A advogada também atribui à fé parte da forma como tem enfrentado esse período.
"Tem sido desafiador, mas com Deus à frente, tudo se torna mais leve", escreveu.