Comunidade jurídica lamenta morte de Márcio Chaer, editor do ConJur
O jornalista sofreu um infarto enquanto perseguia um ladrão nas proximidades da estação Armênia do Metrô, em São Paulo.
Da Redação
sábado, 3 de outubro de 2026
Atualizado às 18:49
A comunidade jurídica lamentou neste sábado, 3, a morte do jornalista Márcio Chaer, aos 71 anos. Fundador e diretor do Consultor Jurídico – ConJur, Chaer foi lembrado por integrantes do Judiciário e de instituições jurídicas por sua atuação na cobertura especializada dos tribunais e por sua contribuição ao jornalismo jurídico brasileiro.
Segundo informações, o jornalista sofreu um infarto enquanto perseguia um ladrão nas proximidades da estação Armênia do Metrô, em São Paulo.
Chaer fundou o ConJur há quase 30 anos. Desde então, esteve à frente do veículo dedicado à cobertura do Poder Judiciário, da advocacia e de temas relacionados ao Direito.
Edson Fachin, presidente do STF
"O Supremo Tribunal Federal recebe com profundo pesar a notícia do falecimento do jornalista Márcio Chaer, ocorrido neste sábado.
Fundador e diretor do portal Consultor Jurídico (ConJur), Márcio Chaer deixa um importante legado ao jornalismo especializado na cobertura do Poder Judiciário. Profissional apaixonado pelo que fazia, construiu ao longo da vida um caminho marcado pela dedicação à informação de qualidade e ao fortalecimento das instituições republicanas.
Pioneiro na comunicação especializada da Justiça, Marcio Chaer enxergou com lucidez a importância de aproximar o Direito da sociedade, promovendo um jornalismo analítico. Sob o seu comando, o ConJur, fundado em 1997, não apenas inovou na difusão da informação jurídica, mas consolidou-se como um espaço, sempre aberto ao pluralismo de ideias, ao debate crítico e à publicação de reflexões fundamentais para a teoria e a prática do Direito. Outra importante iniciativa é o desenvolvimento do Anuário da Justiça, lançado na sede desta Corte como um divisor de águas para a gestão e o conhecimento do sistema de Justiça brasileiro. Produzido desde 2007, o Anuário faz um raio-x dos trabalhos da Justiça no ano anterior, com destaque para a atuação de ministros e ministras e para as principais decisões dos tribunais superiores.
O Supremo Tribunal Federal presta suas condolências e solidariedade aos familiares, amigos, colegas de redação e a toda a equipe do ConJur."
Ministro Luís Felipe Salomão, presidente do STJ:
O Superior Tribunal de Justiça e o Conselho da Justiça Federal manifestam extremo pesar pelo falecimento de Márcio Chaer, um dos principais jornalistas brasileiros e que por quase três décadas conduziu de forma competente e pioneira o sítio eletrônico Consultor Jurídico (ConJur). Sua atuação revolucionou a cobertura do Poder Judiciário. Um pouco de todos que defendem e respeitam a Justiça brasileira vai com ele. Que a família e os amigos se sintam confortados, pois Chaer foi um grande guerreiro. O exemplo de seriedade e comprometimento de Márcio Chaer com o jornalismo e com o Judiciário permanecerão para sempre na história do país.
Gilmar Mendes, ministro do STF
"Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento de Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico. Jornalista qualificado, foi um dos pioneiros do jornalismo especializado em assuntos jurídicos no país. Mais do que um profissional que eu admirava e acompanhava, perdi um querido amigo. Seu caráter íntegro e sua generosidade permanecerão na lembrança de todos que com ele conviveram.
Em 25 de julho de 1997, o ConJur publicou seu primeiro texto. O Judiciário brasileiro ainda era solene e distante, e pouco do que se decidia nos tribunais chegava ao público. Márcio ajudou a mudar isso. Construiu uma plataforma que democratizou o acesso à informação especializada de qualidade. Eram textos gratuitos, de amplo acesso. Deu voz a muitos estudiosos do Direito e subsídios para o trabalho de todos os profissionais da área. Não há um advogado, um juiz ou um promotor no país que não tenha frequentado esse site e percorrido o universo de informações que ali vicejava.
Com o tempo, o projeto ganhou capilaridade e alcance: em 2007, Márcio criou o Anuário da Justiça, que passou a registrar perfis, decisões e tendências dos tribunais e se firmou como referência de consulta. O ConJur ultrapassou também as fronteiras do país, e suas páginas passaram a receber textos de grandes nomes do Direito estrangeiro, como o italiano Luigi Ferrajoli, os argentinos Eugenio Raúl Zaffaroni e Raúl Gustavo Ferreyra e os portugueses Jorge Miranda e Carlos Blanco de Morais. Assim, Márcio posicionou a revista na vanguarda da cobertura jurídica. Poucos fizeram tanto para aproximar o jornalismo e o Direito, e o público da informação qualificada.
Márcio era um defensor das instituições e um entusiasta da difusão do conhecimento. Fugia do superficial. Nos momentos mais agudos da vida nacional, teve coragem e destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça. Foi assim na cobertura da Lava Jato, quando abriu espaço, num momento em que poucos o faziam, para a crítica aos abusos e às violações de direitos fundamentais. Para ele, o jornalismo era também uma forma de defender as garantias individuais e o Estado de Direito. Sob sua direção, o ConJur tornou-se um dos bastiões de resistência contra a desinformação, ao oferecer conteúdo de qualidade.
Ao redor do ConJur, Chaer reuniu gerações de jornalistas e juristas renomados e cultivou amizades que atravessaram décadas. Tenho a honra de ter convivido com ele. À sua família, aos amigos e à equipe do ConJur, expresso minhas sinceras condolências e meu respeito por aquele que foi, e continuará sendo, uma referência para o jornalismo e para o Direito no Brasil."
Alexandre de Moraes, ministro do STF
"Em tempos de tanta desinformação, milícias digitais e discurso de ódio, Marcio Chaer representava o melhor do jornalismo, com inteligência, seriedade, competência e independência. Tornou-se o maior e melhor jornalista especializado no Poder Judiciário brasileiro, sempre defendendo de maneira intransigente o Estado Democrático de Direito. Meus sentimentos a seus familiares e amigos, na certeza de que Marcio Chaer combateu o bom combate."
Dias Toffoli, ministro do STF
"O jornalista Márcio Chaer, falecido no dia de hoje, foi um homem de bem, um amigo das instituições jurídicas brasileiras, um defensor da democracia e da dignidade das liberdades constitucionais da comunicação. Em sua trajetória, iniciada nos principais órgãos jornalísticos brasileiros dos anos 1970-1980, construiu uma sólida reputação profissional. Com a fundação da revista Consultor Jurídico, escreveu uma página pioneira na imprensa ao criar um novo objeto para a Comunicação Social: o jornalismo setorial especializado no sistema de justiça. Pessoalmente, perco um amigo certo das horas incertas, uma pessoa leal e integra, mas que nunca desertou de sua vocação e dos valores do jornalismo ético. Em tempos como os atuais, a perda de Marcio Chaer e ainda mais significativa. Aos familiares, meus sinceros pêsames, especialmente ao seu filho Léo."
Ministro Cristiano Zanin, do STF:
Não há como falar de Márcio Chaer sem falar da história do Judiciário brasileiro. O jornalista, que nos deixa de forma trágica neste sábado (3), era um profundo conhecedor dos temas afeitos à justiça e ao direito no país.
Há quase 30 anos, inaugurou a revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), pioneira na cobertura especializada sobre o Poder Judiciário. Ao longos de todo esse período, o portal se transformou em referência para quem busca informações confiáveis sobre o que acontece nos tribunais e na advocacia no Brasil.
Chaer empunhava, como poucos, a defesa do Estado de Direito Democrático no Brasil. Seu legado permanecerá vivo.
Jorge Messias, AGU:
Recebi, com profundo pesar e consternação, a notícia do falecimento de meu amigo Márcio Chaer. Jornalista dedicado e importante difusor da cultura jurídica nacional, deixa uma contribuição inestimável e uma marca especial em todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e acompanhar seu trabalho. Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade aos familiares, e demais amigos, desejando-lhes força e serenidade.
Professor Olavo Augusto Vianna Alves Ferreira:
Muito abalado com a notícia do falecimento do amigo Márcio Chaer. Uma enorme perda. Ficam as memórias de um gênio, um gigante incentivador e uma rapidez de raciocínio impressionante. O conheci quando entrevistamos o ministro Gilmar Mendes no Programa do Luiz Flávio Gomes, em 2003. Desde sempre me incentivou nos estudos e escritos. Deus conforte a família.
Bruno Dantas, ex-ministro do TCU:
Perdi hoje um amigo querido. Marcio Chaer era homem de fibra, coragem e caráter. Mas guardarei, sobretudo, sua lealdade inabalável aos amigos. Sentirei muito a sua falta, meu amigo. Descanse em paz.
Felipe Santa Cruz, ex-presidente da OAB:
Desolado, recebo a notícia do falecimento, em São Paulo, do grande jornalista Márcio Chaer. Através do seu ConJur, transformou a vida de muitos advogados ao, democraticamente, abrir espaço para o debate de ideias. Pessoalmente, perco um amigo querido que só me apoiou ao longo da caminhada; foi dele o meu primeiro perfil quando, aos 38 anos, resolvi concorrer à presidência da OAB/RJ. Nossa família se une à dele e aos muitos amigos neste momento de luto.