“Nordestino com orgulho”: Juiz relata xenofobia em restaurante no RS
Magistrado do TJ/PE afirmou que foi ofendido por homem em restaurante de hotel e atribui hostilidade ao sotaque e à origem.
Da Redação
sábado, 10 de outubro de 2026
Atualizado às 09:17
O juiz de Direito Francisco Tojal, do TJ/PE, relatou ter sido vítima de xenofobia no restaurante de um hotel em Porto Alegre/RS.
Natural de Aracaju/SE, o magistrado estava na cidade para ministrar uma palestra na Escola da Magistratura sobre a escalada da violência de gênero.
Segundo Tojal, as ofensas começaram quando ele perguntou a uma funcionária sobre o prato “à la minuta”, que não conhecia. Um homem sentado na mesa ao lado teria interrompido a conversa, em tom de deboche, perguntando de que país ele era.
“Esse cidadão se levantou, se sentiu no direito de me xingar, de falar vários palavrões e ainda de me associar a um determinado grupo político”, afirmou.
Assista o relato:
Sotaque e origem
Para o magistrado, a hostilidade foi motivada por seu sotaque e sua origem, e não pelo desconhecimento da refeição. Tojal disse que vestia roupas pretas e não utilizava qualquer identificação partidária.
“Nenhum cidadão brasileiro deve ser hostilizado no seu próprio país por ser de onde é”, declarou.
Ao se apresentar como um “nordestino com muito orgulho”, o juiz destacou a contribuição da região para o país e mencionou nomes como Jorge Amado, Nise da Silveira e Maria da Penha.
“A existência, a dignidade e a identidade do outro não podem ser negociadas”, acrescentou.
Apoio institucional
Tojal contou que ficou paralisado por receio de sofrer agressões mais graves. Após o episódio, porém, afirmou ter recebido acolhimento de amigos e de instituições gaúchas.
Segundo seu relato, a Presidência, a Vice-Presidência e a Corregedoria do TJ/RS, além da Ajuris — Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, prestaram auxílio para a adoção das providências legais.
O magistrado ressaltou que o episódio não define o povo gaúcho e afirmou que decidiu torná-lo público por considerar necessário alertar a sociedade sobre a discriminação.
“Xenofobia é ódio, é intolerância. É crime”, concluiu.