Nota da Redação - Questões inegociáveis
Em meio às revelações sobre interferências na imprensa, Migalhas reafirma seu compromisso com a independência editorial e a transparência na relação com patrocinadores.
Da Redação
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Atualizado às 08:17
As revelações sobre os tentáculos de Daniel Vorcaro na imprensa brasileira causam espanto. Mensagens agora conhecidas mostram um dublê de banqueiro que, não satisfeito em comprar publicidade, pretendia escolher pautas, aparar frases, emendar textos e até dar a última palavra sobre notícias. Era praticamente um copidesque. Convém, entretanto, separar o joio do trigo. A imprensa é muito maior que os desvios de alguns. Há, felizmente, uma legião de jornalistas para quem a independência não é ornamento do discurso, mas princípio do ofício.
No portentoso edifício-sede deste vibrante matutino, nosso amado Diretor, ao tomar conhecimento dos episódios, determinou que se lubrificassem as rotativas e se transmitisse aos estimados leitores uma singela garantia: Migalhas não integra, nem jamais integrará, esse triste rol.
Não se trata de bravata de ocasião, tampouco de virtude proclamada às pressas. Já dissemos e agora repetimos: essa gente nem sequer se atreve a bater à nossa porta.
Por estas bandas, apoiadores e fomentadores têm seu espaço, patrocinadores recebem seus merecidos destaques, mas nenhum deles possui as chaves da Redação. E tudo se faz à luz do sol. Não por acaso, desde o primeiro apoiador, no já longínquo 2002, todos os novos patrocinadores são anunciados na primeira nota do informativo (como, aliás, se vê na edição de hoje). Não é mero protocolo, muito menos gentileza. É publicidade no sentido mais nobre da palavra: tornar público, dar a conhecer, submeter ao olhar e ao escrutínio dos leitores. Afinal, quem nada tem a esconder não precisa trabalhar à socapa.
Aqui, portanto, notícias não se encomendam, opiniões não se compram, e a credibilidade, patrimônio construído ao longo de tantas madrugadas, não tem cotação no mercado.
Aos queridos migalheiros, fica, pois, a palavra desta Casa: enquanto o sol nascer e, no horizonte, anunciar um novo dia, nossas rotativas continuarão a girar livres, obedientes apenas aos fatos e à consciência de quem as conduz.
Porque há coisas que não se põem à venda. Entre elas, o direito de amanhecer de cabeça erguida.