AASP debate impactos da inteligência artificial na prática da advocacia
Encontro reuniu especialistas para discutir aplicações da IA, proteção de dados, supervisão humana e responsabilidade profissional diante dos avanços tecnológicos.
Da Redação
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Atualizado às 14:21
A inteligência artificial já integra a rotina jurídica e amplia as possibilidades de pesquisa, análise e organização do trabalho. Sua incorporação, porém, exige cuidados que vão além da escolha de uma ferramenta. Esse foi o eixo do evento "Diálogos: IA e Advocacia", realizado em 16/10 pela AASP - Associação dos Advogados, na Unidade Centro, em São Paulo. Ao longo do dia, a programação reuniu debates e demonstrações sobre as mudanças na profissão e no sistema de justiça.
Na abertura, a presidente da AASP, Paula Lima Hyppolito Oliveira, destacou que adotar tecnologia não significa, por si só, gerar valor. Ao abordar as oportunidades de ampliar a produtividade e democratizar o acesso à justiça, também chamou a atenção para a confidencialidade, a proteção de dados e a qualidade do trabalho jurídico. A presidente defendeu que a ética esteja presente desde a concepção das soluções e ressaltou o papel da Associação na preparação da advocacia para essas transformações.
As discussões percorreram questões que já fazem parte do cotidiano profissional: como selecionar ferramentas, proteger informações de clientes, verificar respostas e preservar a capacidade de análise diante da automação. Também estiveram em pauta as provas digitais, a regulação das plataformas e os efeitos da IA sobre o processo civil e as relações de trabalho. Entre perspectivas distintas, o encontro colocou em debate tanto os ganhos de eficiência quanto os limites da delegação de tarefas à tecnologia.
Na plenária "O Cenário Atual da IA, Cibersegurança e o Papel Institucional", Luiz Fernando Martins Castro e Patrícia Peck Pinheiro abordaram a trajetória da informatização jurídica e as responsabilidades que acompanham as novas ferramentas. O debate relacionou a evolução tecnológica à preservação das garantias processuais, ao dever de sigilo e à avaliação das condições de segurança oferecidas pelos fornecedores. A transparência com os clientes e a supervisão do trabalho produzido também integraram a discussão.
O painel "Direitos Digitais e Privacidade", com Bruno Bioni e Fabiano Menke, aproximou a reflexão sobre inteligência artificial dos fundamentos da proteção de dados e da regulação do ambiente digital. As exposições trataram da conciliação entre inovação e proteção de direitos, da prestação de contas e das escolhas de funcionamento das plataformas. O desenho das interfaces apareceu como uma questão concreta: ele pode facilitar ou dificultar o exercício de direitos e influenciar o comportamento dos usuários.
Em "Os Impactos da IA no Processo Civil", Dierle Nunes e Matheus Romero Martins discutiram como a tecnologia participa da organização das informações e da formação das decisões. A necessidade de uma supervisão humana efetiva esteve no centro das reflexões, assim como os riscos de omissões, vieses e confiança excessiva nas respostas dos sistemas. As falas ainda ressaltaram a importância do letramento digital e da preservação das habilidades profissionais, para que a busca por produtividade não esvazie a análise jurídica.
No debate sobre relações e processo do trabalho, Erotilde Ribeiro dos Santos Minharro e Renato Opice Blum trataram das provas digitais, da autenticidade das informações e dos desafios trazidos pela produção de conteúdos artificiais. No painel "Como Utilizar a IA na Advocacia", Gustavo Rocha e Fernando Hoffmann apresentaram possibilidades de aplicação da IA na rotina da advocacia, com demonstrações de recursos para organizar documentos e apoiar tarefas. As diferentes abordagens mostraram que conhecer o funcionamento e as limitações das ferramentas faz parte da responsabilidade de utilizá-las. A revisão dos resultados foi outro cuidado em discussão.
Na plenária de encerramento, Marcel Leonardi abordou perspectivas para 2027, incluindo o uso de conversas com ferramentas de IA como fonte de prova em investigações e processos. A discussão retomou o sigilo e a responsabilidade profissional, reforçando a importância de preservar o julgamento jurídico próprio diante de respostas aparentemente convincentes.
