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Proibição das bets

Após proibição das bets, consumo de alimentos cresce 6,5%, diz Abras

Em audiência pública no STF, presidente da entidade apresentou levantamento sobre aumento das compras em supermercados e defendeu manutenção da medida provisória.

Da Redação

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Atualizado às 17:13

O presidente da Abras - Associação Brasileira de Supermercados, João Carlos Galassi, afirmou nesta terça-feira, 3, que o consumo de alimentos nos lares brasileiros apresentou crescimento após a proibição das bets no país.

Durante audiência pública no STF, convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir a constitucionalidade da MP 1.394/26, Galassi apresentou levantamento realizado pela Abras em parceria com a NielsenIQ, segundo o qual o consumo alimentar cresceu 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, em comparação com os mesmos períodos de 2025.

O dirigente adiantou ainda que, na semana seguinte, o crescimento foi de 5,4%.

Segundo Galassi, a expansão ocorreu em todos os formatos de varejo alimentar, especialmente nos estabelecimentos frequentados pelas classes C, D e E, cujas famílias destinam maior parcela da renda à alimentação.

O presidente da Abras destacou que o levantamento acompanha o consumo nos lares brasileiros há mais de 20 anos. Também ressaltou que o reajuste do Bolsa Família começou a ser pago em 19 de outubro e, portanto, não explicaria o crescimento registrado nas duas semanas anteriores.

Impacto no consumo das famílias

Galassi apresentou uma projeção segundo a qual, considerando uma recuperação de 4% no consumo alimentar ao longo de 2026, o montante de compras que as famílias teriam deixado de realizar poderia superar R$ 50 bilhões.

Para o dirigente, os números indicam a possibilidade de que recursos anteriormente destinados às apostas sejam redirecionados para despesas essenciais, como alimentação.

O presidente da Abras também citou dados do Banco Central, divulgados pela Agência Brasil, que apontaram redução inicial de 10% no número de transações via Pix nos três primeiros dias após a proibição das apostas. Mencionou ainda a devolução de mais de R$ 1 bilhão em saldos aos apostadores durante outubro.

Embora os indicadores apontem mudanças no consumo após a edição da medida provisória, os dados apresentados não permitem, isoladamente, atribuir todo o crescimento das compras à proibição das bets.

Endividamento e despesas essenciais

Durante a manifestação, Galassi também apresentou pesquisa divulgada pela Febrafar e elaborada pela Unicamp, com 1.500 apostadores das classes C, D e E.

Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados reduziram compras de alimentos, medicamentos ou produtos de higiene em razão das apostas, enquanto 81% tinham dívidas e 99% relataram prejuízos com jogos nos 30 dias anteriores.

O dirigente alertou ainda para o comprometimento da renda de trabalhadores que, após perderem dinheiro nas apostas, recorrem a empréstimos para reorganizar as finanças, agravando o endividamento.

Para ele, a combinação entre apostas e ampliação do acesso ao crédito com juros elevados criou um cenário de dificuldades para o orçamento doméstico.

Galassi também mencionou estimativa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde segundo a qual os danos associados às apostas, considerando custos diretos e indiretos na área da saúde, alcançam R$ 30 bilhões anuais.

Defesa da proibição

Ao defender a manutenção da MP 1.394/26, o presidente da Abras argumentou que a avaliação dos impactos econômicos das bets não deve considerar apenas a arrecadação tributária proporcionada pelo setor de apostas.

Segundo ele, o varejo alimentar também gera empregos, tributos e movimenta uma extensa cadeia produtiva, que envolve agricultura, indústria, transporte e distribuição.

Galassi sustentou que a recuperação do poder de compra das famílias pode beneficiar tanto os consumidores quanto a atividade econômica.

"O alimento está voltando para a mesa dos trabalhadores e essa transformação é que precisamos conservar."

A manifestação ocorreu no âmbito da audiência pública convocada por Luiz Fux, relator da ADIn 8.027, que questiona a constitucionalidade da medida provisória responsável pela proibição das apostas de cota fixa no Brasil.

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