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Obra analisa limites da participação em processos de família

Com autoria de Caroline Pomjé, o livro analisa a participação de terceiros nos processos de família e os mecanismos para proteger os direitos e interesses envolvidos.

Da Redação

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Atualizado às 16:54

As disputas judiciais envolvendo questões familiares podem afetar interesses que ultrapassam os das pessoas diretamente envolvidas no processo. A complexidade dessas relações e os limites das regras tradicionais de participação são o ponto de partida do livro "A Participação nos Processos de Família" (Editora Juspodivm, 314p.), de Caroline Pomjé, advogada da área de Direito de Família e Sucessões do Silveiro Advogados, fruto de sua tese de doutorado.

A obra examina quem possui interesse jurídico para participar dos processos de família e quais mecanismos processuais podem assegurar uma proteção adequada e efetiva dos direitos discutidos. A análise considera as particularidades dessas demandas, que recebem tratamento como procedimento especial no CPC.

"Os processos de família frequentemente envolvem relações e interesses que não se limitam às partes formalmente presentes na ação. Quando essa complexidade não é considerada, existe o risco de que a decisão judicial não contemple adequadamente todos os direitos envolvidos. O livro parte dessa preocupação para investigar quem deve participar dessas demandas e em quais condições", aponta Pomjé, que é mestre em Direito Privado pela UFRGS, doutora em Direito Processual Civil pela USP e professora da FGV Law.

 (Imagem: Divulgação )

Livro examina a participação de terceiros nos processos de família e a proteção dos interesses envolvidos.(Imagem: Divulgação )

A autora investiga os diferentes interesses presentes nos processos familiares e questiona a suficiência do modelo tradicional de processo civil, estruturado principalmente em torno de duas partes em posições opostas. Segundo a abordagem desenvolvida no livro, determinadas controvérsias familiares apresentam relações jurídicas mais complexas, que exigem atenção à participação dos sujeitos cujos direitos e interesses possam ser afetados pelas decisões judiciais.

A partir dessa análise, Pomjé defende a estruturação de um regime de participação específico para os processos de família. A proposta busca superar limitações dos mecanismos tradicionais por meio da utilização de instrumentos já previstos no ordenamento jurídico brasileiro, sem depender necessariamente da criação de novas ferramentas processuais.

"A legislação processual já dispõe de instrumentos que podem ser utilizados para ampliar e adequar a participação nas ações de família. O desafio está em compreender as particularidades dessas demandas e aplicar esses mecanismos de maneira que contribuam para decisões mais efetivas, sem comprometer a duração razoável do processo", afirma a autora.

A discussão contribui ainda para o debate sobre a efetividade da prestação jurisdicional em conflitos familiares, especialmente diante da necessidade de conciliar a adequada representação dos interesses envolvidos com a duração razoável do processo e a proteção dos direitos discutidos.

Silveiro Advogados