Presença feminina na liderança não elimina desigualdade, diz advogada
Monya Tavares analisa dados da OIT, aponta entraves à ascensão profissional feminina e destaca a importância da transparência salarial e da fiscalização.
Da Redação
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Atualizado às 17:48
O crescimento da presença feminina em cargos de direção nas empresas representa um avanço importante, mas ainda está longe de traduzir uma realidade de igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. A avaliação é da advogada Monya Tavares, sócia do Mauro Menezes & Advogados, ao analisar dados de relatório da OIT - Organização Internacional do Trabalho, que aponta o aumento da participação das mulheres em posições de liderança nas últimas décadas.
O estudo mostra que a proporção de empresas com mulheres na presidência do conselho de administração passou de 13,1%, em 2013, para 30,9%, em 2025. Já a participação de mulheres na direção executiva das empresas aumentou de 23,4% para 28,2% no mesmo período. Para Monya, entretanto, a evolução precisa alcançar todos os níveis de gestão para representar um avanço efetivo.
Segundo a especialista, a desigualdade também se manifesta nos níveis intermediários das organizações, justamente onde são construídas as oportunidades de ascensão profissional.
"Os avanços descritos no relatório da OIT são insuficientes. O aumento da presença de mulheres em cargos diretivos de alto nível nas empresas, embora animador, não reflete a realidade da maioria. A carreira se decide nos cargos intermediários, e ali o avanço em 25 anos foi mínimo", afirma Monya.
Para a profissional, superar esse cenário exige mais do que compromissos institucionais ou declarações de boas intenções por parte das empresas. É necessário estabelecer mecanismos concretos que permitam identificar desigualdades, corrigir distorções e assegurar condições efetivas de desenvolvimento profissional para as mulheres.
"Para mudar esse quadro, não basta a empresa declarar boas intenções. Precisamos de transparência nos salários, de fiscalização e de meios reais para que a mulher possa alcançar uma igualdade efetiva", destaca.
A advogada também chama atenção para a importância da lei 14.611/23, que estabelece medidas para garantir a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens. Para Monya, a legislação representa um instrumento relevante no enfrentamento da desigualdade, mas sua efetividade depende da aplicação prática das regras e da atuação dos órgãos responsáveis por assegurar seu cumprimento.
"A lei 14.611/23 vai nessa direção, mas vai depender muito de como for aplicada, e a Justiça do Trabalho tem um papel importante nisso", ressalta.
A especialista conclui que o desafio é garantir condições equivalentes de ingresso, permanência, reconhecimento e crescimento profissional, com oportunidades reais de alcançar posições de liderança e remuneração compatíveis com as funções exercidas.
