Presidente do Supremo da Bolívia foge após ordem de prisão por tráfico
Romer Saucedo alega perseguição política; autoridades suspeitam que o magistrado esteja no Brasil.
Da Redação
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Atualizado às 10:17
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país após a emissão de um mandado de prisão por suspeita de tráfico de drogas e organização criminosa.
O magistrado afirma sofrer perseguição do governo de Rodrigo Paz, enquanto o Ministério Público boliviano anunciou que acionará a Interpol para uma busca internacional.
Investigação sob sigilo
A ordem de prisão foi expedida na terça-feira, 3, pelos fiscais Daniel Perales e Edwin Sarmiento, com base nos crimes de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa. O documento menciona o artigo 48 da Lei 1008 e o artigo 132 bis do Código Penal boliviano, além de apontar indícios de autoria e riscos de fuga e obstrução da Justiça.
Segundo o procurador-geral interino, José Armando Urioste, Saucedo havia retornado à Bolívia naquela terça-feira, após uma viagem ao exterior, e teria deixado o território por via terrestre. A apuração segue sob sigilo por contar com a colaboração de testemunhas protegidas.
Na quinta-feira, 5, as autoridades realizaram quatro operações em Santa Cruz, prenderam familiares do magistrado e apreenderam materiais para a investigação. De acordo com Urioste, há suspeita de que Saucedo esteja no Brasil.
Acusações ao governo
Ao explicar sua saída em publicação no X, Saucedo afirmou temer pela própria segurança e pela de sua família. Também acusou o poder político de preparar provas falsas para desacreditá-lo e atingir outros líderes.
Durante visita à Espanha para a Cúpula Ibero-Americana, Rodrigo Paz rejeitou a acusação de perseguição e classificou a fuga como uma “notícia penosa”. O presidente afirmou que a saída ocorre diante de acusações e investigações sobre o sistema judicial boliviano.
Já o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, declarou que Saucedo “ficou nervoso” com o avanço das apurações. O governo relaciona o episódio ao caso do ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso em outubro sob acusação de liderar uma organização criminosa que protegia o narcotráfico.
Prazo para retornar
Diante da ausência, a Sala Plena do TSJ concedeu seis dias para que Saucedo retome suas funções em Sucre. Caso ele não se apresente, o tribunal analisará medidas legais por abandono do cargo. A decana Rosmery Ruiz foi designada presidente interina.
Saucedo, de 38 anos, é advogado formado em Santa Cruz e foi eleito magistrado por voto popular em 2024, com mais de 700 mil votos. Assumiu a presidência do tribunal em janeiro de 2025 e, em 15 de outubro deste ano, apresentou renúncia à função, com efeitos previstos para janeiro de 2027.
Durante sua gestão, determinou a revisão de processos contra líderes opositores do Movimento ao Socialismo. A medida resultou na libertação progressiva de Luis Fernando Camacho, Marco Antonio Pumari e Jeanine Áñez.