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OAB/SP cria comissão e inicia debate sobre reforma trabalhista

Da Redação

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Atualizado às 14:17


Reforma

OAB/SP cria comissão e inicia debate sobre reforma trabalhista

O professor Amauri Mascaro Nascimento foi designado pelo presidente da Seccional, Luiz Flávio Borges D'Urso, titular da recém criada Comissão de Estudos sobre Reforma Trabalhista e Sindical da OAB/SP. A partir de seminários, a Comissão que vai reunir elementos para formular propostas para o texto da reforma.

Na avaliação de Amauri Mascaro, a reforma é urgente, "razão pela qual a OAB SP resolveu entrar na discussão do tema, ouvindo, em seminários, especialistas para indicar os melhores caminhos". O primeiro debate sobre Reforma Trabalhista aconteceu ontem, às 9h30, na sede da OAB/SP, "O resultado deste e de outros seminários vão subsidiar o trabalho da Comissão e servirão de apoio às sugestões sobre reforma trabalhista que serão encaminhadas pela OAB/SP ao Legislativo", afirmou D'Urso, que abriu os trabalhos.

No evento, os palestrantes trataram sobre os problemas da legislação, como ser única para todo o país; a Convenção 87, da OIT e a ineficiência dos sindicatos. Durante as palestras foram feitas várias sugestões para a reforma, inclusive dar autonomia aos Estados para legislar sobre relações de trabalho.

O professor de Relações do Trabalho da USP, José Pastore, listou os problemas e as possíveis soluções para as relações trabalhistas. Segundo ele, será preciso criar um cartão único de identificação e um regime previdenciário especial para incluir os informais na Previdência Social atrair aqueles que trabalham por conta própria, respectivamente.

"No Brasil, os principais problemas na área trabalhista são a taxa de desemprego, de 9%, o que representa 9 milhões de pessoas; a informalidade, que atinge 57% dos trabalhadores e causa rombo na previdência de cerca de R$ 45 milhões; e os conflitos trabalhistas, cerca de 2 milhões de ações por ano. Esses problemas são causados pelo crescimento econômico anêmico, pela educação de má qualidade e pela legislação rígida e detalhista", explica Pastore. Para o professor, a Reforma Trabalhista deverá levar em conta a heterogeneidade do mercado de trabalho, focar as iniciativas nas micro empresas e nas pessoas que trabalham por conta própria e desburocratizar as despesas de contratação de empregados.

"Não retirar direitos de quem tem, evitar mudanças constitucional, estender direitos básicos para quem não tem, propor soluções diferenciadas e aumentar os custos da informalidade", listou Pastore.

O ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do TST, Almir Pazzianotto destacou qual, para ele, é o maior erro das leis trabalhistas e defendeu a criação de uma carteira de trabalho eletrônica. "O erro brutal da lei trabalhista é ser uniforme em todo o território nacional. Hoje o que vemos é que a selvageria caracteriza o mundo empresarial. Precisamos evoluir nas relações entre patrões e empregados. Precisamos criar uma carteira de trabalho eletrônica, cujos dados ficariam no Ministério do Trabalho e no Ministério da Previdência Social", afirmou o ex-ministro. Para ele, a Reforma Trabalhista deve vir depois da Reforma Sindical porque "existe uma proliferação de sindicatos. Uma pesquisa do Ministério do Trabalho, de 2001, apontava a existência de 15.960 entidades, 11 mil delas de trabalhadores. São sindicatos de fachada, inexpressivos, vivem de contribuição sindical e são organizações frágeis."

O advogado e professor Luiz Carlos Robortella discorreu sobre o atraso na questão trabalhista no Brasil e analisou os contrastes do país. "Temos um Brasil moderno contra um Brasil atrasado, com contrastes, dificuldades e, portanto, não pode haver legislação única. Temos trabalhadores A, B, C e informais e não podemos uniformizar os contratos de trabalho porque o mercado é heterogêneo", explicou.

Amauri Mascaro Nascimento propôs que uma lei complementar autorize os estados a legislar sobre Trabalho. "Os problemas trabalhistas não são iguais em todo o país.", afirmou. Já Arion Sayão Romita, advogado, membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho e professor universitário, tem posição pessimista quanto às mudanças nas leis trabalhistas "Acredito que só daqui a 10, 15 gerações poderemos fazer essa reforma. Mas espero que a história me desminta e que a reforma venha com rapidez". Segundo ele, a Constituição de 1988 trouxe três avanços para a legislação trabalhista: autonomia sindical, ênfase na negociação e regulação do direito de greve. "A liberdade sindical é a condição para que a reforma saia. Mas o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é contra a reforma e os sindicatos são inautênticos, voltados para projetos pessoais e particulares, sobrevivem do dinheiro da contribuição sindical", disse Romita. Segundo ele, é preciso garantir a segurança jurídica, abandonar o caráter paternalista da legislação, fazer a reforma sindical e democratizar a regulação das relações do trabalho.

Para o professor de Direito das USP, Nelson Manrich, o problema da reforma sindical é que os sindicatos não aceitam perder privilégios e para fazer a Reforma Trabalhista é preciso primeiro reformar o Artigo 8° da Constituição e depois ratificar a convenção 87, da OIT, que trata da liberdade sindical e da proteção do direito sindical. A Convenção foi aprovada em 1948 e o Brasil ainda não a ratificou. Renato Ruas, professor de Direito da PUC - SP, contou que existe um estudo que foi enviado ao Conselho Federal da OAB para aprovar a Convenção 87 como emenda constitucional. "A liberdade sindical é igualada aos direitos humanos", concluiu.

A Comissão terá como coordenadora a conselheira Sonia Mascaro Nascimento e como membros efetivos: o ex- ministro do TST, Almir Pazzianotto Pinto e os advogados Cássio de Mesquita Barros Junior, Nelson Mannrich e Renato Rua de Almeida. Também integram a Comissão como membros colaboradores: Adriana Carrera Calvo, Ari Possidonio Beltran, Carlos Carmelo Balaró e César Augusto de Mello.

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