Migalhas

Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

Poesia inédita do saudoso mestre Olavo Drummond

X

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

 

Um sonho...

 

Oscar Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de dezembro de 1907. É considerado o mais importante arquiteto brasileiro em função da quantidade e qualidade de obras construídas. Niemeyer iniciou sua carreira no escritório de Lucio Costa, em 1934, quando se graduou na Escola Nacional de Belas Artes.

A partir do instante em que substituiu Costa na coordenação do grupo que desenvolveu os estudos de Le Corbusier para o edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde, no RJ, Niemeyer desempenhou o papel principal na corrente modernista que privilegiava a expressão plástica. Em 1947, o edifício-sede da Unesco, nos Estados Unidos, proporciona mais uma vez a Niemeyer a oportunidade de dividir com Le Corbusier o projeto definitivo que funde as propostas independentes de cada um dos arquitetos.

A influência corbusiana é notável nas primeiras obras de Niemeyer. Porém, pouco a pouco o arquiteto adquire sua marca: a leveza das formas curvas cria os espaços que transformam o programa arquitetural em ambientes inusitados; portanto, harmonia, graça e elegância são os adjetivos mais apropriados para o trabalho de Oscar Niemeyer.

A arquitetura de Brasília, prevista nos esboços com que Lucio Costa concorreu ao concurso internacional de projetos para a nova capital do Brasil, foi o impulso definitivo de Niemeyer na cena da história internacional da arquitetura contemporânea. O uso das estruturas em concreto armado em formas curvas ou em casca e as explorações inéditas das possibilidades estéticas da linha reta se traduziram em fábricas, arranha-céus, espaços para exposições, residências, teatros e equipamentos para diversos programas sociais. Desses temas sobressaem-se os seguintes trabalhos: a Obra do Berço e sua residência na Estrada das Canoas, no Rio de Janeiro; a fábrica Duchen, o edifício Copan e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo; o conjunto arquitetônico da Pampulha, com o Cassino, o Restaurante e o Templo de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte; o projeto para o Hotel de Ouro Preto (Minas Gerais), o Museu de Caracas (Venezuela), a sede do Partido Comunista (Paris), a sede da Editora Mondatori (Milão), a Universidade de Constantine (Argélia) e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (Rio de Janeiro).

A presença constante de Oscar Niemeyer no cenário da arquitetura contemporânea internacional, desde 1936 até os dias atuais, o transformou em símbolo brasileiro.

Para comemorar essa data especial, 15 de dezembro, 100 anos de Oscar Niemeyer, Migalhas divulga hoje uma poesia inédita do saudoso escritor e advogado Olavo Drummond. "Deus, Oscar e Juscelino" é o título dessa raridade. De um mestre para outro. Confira abaixo o brilhante texto.

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DEUS, OSCAR E JUSCELINO

Olavo Drummond

Sonhei um sonho divino
Por certo o mais belo dos meus
Nele, flagrei Juscelino
Feliz, falando com Deus

- Vós fostes, filho, entre todos
O melhor dos Presidentes
Vossa elegância dos modos
Vos fez chefe diferente

Brasília, do Céu vizinha
Atende a ordem do Pai
Vosso país só caminha
Por onde Brasília vai

Dei-vos chuva, dei estio
Dei-vos fé e ousadia
Abençoei o desafio
E veio o que eu já sabia

A enriquecer vossa sorte
Mandei candangos do Norte
Tirei Israel das Gerais
Busquei Oscar, dei-lhe alento
E com Lúcio foi talento,
Garra, ardor e tudo o mais...

Agora, dado e passado,
Quando já estais festejado
Não pensais que seja o fim;
Quero a dúvida espancar:
Dizei-me porque o Oscar
Insiste em não crer em mim?

Dei-vos vinho, não vinagre
Para chegar ao milagre
Coloquei-vos lado a lado...
Não pode ele ser assim
Quando alguém diz bem de mim
O Oscar fica emburrado!

Um dia, o descrente Oscar
Virá conosco morar
Neste Hotel de Mil Estrelas...
Mas com tarefas de mouro
Irá trabalhar como um touro
Sem folga, sem choro, nem velas...

Ao ser por ele esquecido
Fiquei magoado, ofendido
Mas Deus perdoa, ora essa!
Resolvi que o nosso Oscar
Conosco vai habitar
- embora eu não tenha pressa...

No eito a lição primeira
É saber que a espinheira
Em terra santa não medra
O que espera Oscar são lírios
Que pedem esforço e martírios
Para se livrarem das pedras...

JK, desenxabido
Escutava, embevecido
O Pai planejando assim
E disse: - Meu Pai, tanta obra...
Com jeito será que sobra
Uma cidade pra mim?

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