sábado, 19 de setembro de 2020

MIGALHAS QUENTES

Ministério da Fazenda quer reduzir o número de prestações no crédito ao consumidor para evitar aumento insustentável da demanda

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Queda-de-braço

Confederação Nacional da Indústria diz que apóia restrição ao crédito

Na queda-de-braço entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central para decidir qual instrumento será usado para conter pressões inflacionárias, o setor industrial está do lado do ministro Guido Mantega (Fazenda).

  • Sobre o assunto, leia abaixo as matérias publicadas nos jornaisl Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.

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Folha de S.Paulo

CNI diz que apóia restrição ao crédito

Na queda-de-braço entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central para decidir qual instrumento será usado para conter pressões inflacionárias, o setor industrial está do lado do ministro Guido Mantega (Fazenda).

O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, avaliou a iniciativa do ministro como positiva e disse que os industriais preferem e apoiarão medidas que restrinjam a expansão do crédito à possibilidade de o Banco Central retomar a alta dos juros.

"Não é aconselhável mexer na Selic porque o Brasil já possui a maior taxa de juros do mundo. É preferível restringir a oferta de crédito ou reduzir prazos de financiamento."

De acordo com ele, há indicações de pressões de preços e a área econômica está preocupada com efeito que isso terá na inflação.

Devido ao forte aquecimento do consumo, importantes segmentos da indústria operam com elevada capacidade de produção, uma situação de risco para a remarcação de preços. Entre esses setores, figuram montadoras de veículos, fábricas de máquinas e equipamentos, papel e minerais.

Divergência

José Arthur Assunção, vice-presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), criticou a intenção de Guido Mantega de adotar medidas de contenção do crédito. Ele classificou de antiquada a idéia do ministro.

"O controle de crédito como política monetária é um retrocesso. Foi adotado no governo Sarney, mas já não se usa mais", disse Assunção.

Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, antes de restringir o crédito, o governo deveria procurar "exigir" das empresas um aumento na oferta. "É bom lembrar que foi o crédito que fez a economia crescer. Se mexer nisso agora, vai punir as classes média e média baixa", afirmou Paulinho.

Procuradas ontem pela reportagem, os diretores da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e das principais montadoras não se pronunciaram. Representantes da CUT não foram localizados.

O Estado de S. Paulo

Fazenda quer limitar o crediário

O Ministério da Fazenda quer reduzir o número de prestações no crédito ao consumidor para evitar um aumento insustentável da demanda, que comprometa o crescimento do País em 2009 e 2010. Uma das idéias em discussão é limitar o financiamento para a compra de veículos em 36 meses. Hoje, um carro pode ser financiado em até 99 meses.

Com as medidas de contenção do crédito, o Ministério da Fazenda avalia que será possível desacelerar o consumo e, assim, evitar uma elevação da taxa de juro, medida que já está sendo cogitada pelo Banco Central (BC) para ser adotada em abril. O BC está preocupado com os indícios de uma aceleração da inflação decorrente de pressões de demanda.

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebe os bancos para avaliar a redução do prazo do financiamento, como informou ontem o colunista Merval Pereira, de O Globo. O governo quer chegar a um acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) sobre a questão, mas não descarta definir o prazo por resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), se as negociações não foram satisfatórias.

Na segunda-feira, o encontro é com representantes do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), para discutir a forte elevação do preço do aço e, na sexta-feira, com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), para tratar de aspectos do crescimento no setor.

Mantega avalia, segundo fontes da área econômica, que o crescimento econômico deste ano "já está dado" e deverá ficar em torno de 5%. Ao pensar em medidas que possam conter o consumo, a preocupação do ministro é "garantir um crescimento sustentado em 2009 e 2010", disse em recente reunião.

Os assessores do Ministério da Fazenda lembraram que a demanda das famílias está crescendo 7% ao ano, o que é considerado insustentável. Essa demanda exacerbada poderá comprometer um crescimento econômico sem inflação nos próximos anos. "O objetivo é tomar medidas preventivas agora, que possam evitar o caminho ortodoxo adotado em 2004, quando o Banco Central elevou a taxa de juros para conter a demanda", explicou um assessor da área econômica.

"Não queremos puxar o freio da economia (elevar os juros), pois sabemos que as pressões de demanda são localizadas", disse outra fonte, citando a indústria automobilística. "Não é a economia como um todo que cresce de forma insustentável, mas alguns setores estão em ritmo forte demais." O setor habitacional está entre os que não devem sofrer limitação, pois cresce, segundo as avaliações, em ritmo adequado e sustentado.

Para o governo, o problema dos prazos muito longos no financiamento dos veículos é que o bem adquirido perde o valor com o tempo, o que reduz as garantias do banco se houver inadimplência.

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Fontes: Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo 22/3/2008

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Por: Redação do Migalhas

Atualizado em: 1/1/1900 12:00

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