MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Resultado do sorteio da obra "Conflito, Jurisdição e Direitos Humanos – (des) apontamento sobre um novo cenário social"

Resultado do sorteio da obra "Conflito, Jurisdição e Direitos Humanos – (des) apontamento sobre um novo cenário social"

Da Redação

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Atualizado em 7 de janeiro de 2010 10:15


Sorteio de obra

A idéia de produzir livro "Conflito, Jurisdição e Direitos Humanos – (des) apontamento sobre um novo cenário social" (Unijuí – 361p.), organizado por Fabiana Marion Spengler e Doglas Cesar Lucas, nasceu da constatação de que as relações sociais contemporâneas sofreram profundas mudanças em sua configuração, colocando em xeque as tradicionais instituições modernas, o próprio Estado e sua(s) estratégia(s) organizativa(s) sob o modelo da especialização de funções. Tal fato, de forma inexorável, tem demandado a essas instituições uma profunda revisão dos seus papéis e práticas. Nesse cenário, transforma-se e fragiliza-se o desempenho de suas atribuições, determinando um quadro de crises profundas. Essas crises podem ser traduzidas pela crescente distância entre a legislação e a realidade, na dificuldade de produção e aplicação dos programas estatais e na interpenetração entre as esferas pública e privada, o que reflete a necessidade de novas práticas administrativas, jurídicas e políticas.

Nesse contexto de crise, evidencia-se a preocupação com a efetividade/qualidade da prestação jurisdicional, cujo modelo conflitual se caracteriza pela oposição de interesses entre as partes, que esperam pelo Estado (terceiro autônomo, neutro e imparcial) que deve dizer a quem pertence o direito. Atualmente, a tarefa de "dizer o direito" encontra limites na precariedade da jurisdição moderna, incapaz de responder às demandas contemporâneas produzidas por uma sociedade que avança tecnologicamente, permitindo o aumento da exploração econômica, caracterizada pela capacidade de produzir riscos sociais e pela incapacidade de oferecer-lhes respostas a partir dos parâmetros tradicionais.

Por outro lado, constata-se que essa realidade se instaura a partir da propalada "cultura da guerra", produzida/reproduzida a partir das universidades cujo ensino jurídico proporciona a disseminação e a manutenção de uma lógica positivista que ainda define o processo como meio único de tratamento dos conflitos. A cultura jurídica atual — cujo paradigma liberal-individualista-normativista dificulta não só a decisão judicial democrática como a sua efetividade — precisa ser revista. O paradigma jurídico prevalecente, de matriz hobbesiana, institui a lei como técnica disciplinar exclusiva das relações sociais e a sua interpretação formal como conduta ideal privilegiadora da certeza e da segurança jurídicas.

(...)

Tendo como pano de fundo esse cenário de desencantos e de insuficiências que caracterizam as formas tradicionais de se "dizer o direito" e de se tratar juridicamente as novas pautas de sociabilidade contemporâneas, cada vez mais complexas e transnacionais, o presente livro tem a preocupação de tratar, de modo crítico e sob diferentes enfoques, de algumas questões que são substanciais na efetivação de um Estado Democrático de Direito sem miopias jurídicas e sem apelos a uma espécie de "paradigma técnico" que parece dominar o mundo pelo encanto do "progresso" a qualquer custo.

Assim, o presente livro se divide em três partes. No primeiro momento objetiva-se abordar a questão do conflito social e as formas de tratamento tradicional adotado pelo Judiciário. Alerta-se para o exaurimento e para a impossibilidade (na esmagadora maioria dos casos) de se prestar, nos moldes atuais, uma jurisdição quantitativa e qualitativamente adequada. Esse primeiro bloco se compõe de quatro textos, cujo fio condutor é a tríade "Conflito, jurisdição e crise".

O segundo bloco de textos teve como viés principal "Direitos humanos, hermenêutica e Constituição". Nele se pretendeu abordar os direitos humanos e fundamentais e suas difíceis relações com o Judiciário brasileiro. Posteriormente, a Constituição Federal de 1988 e os novos direitos entram em cena numa concepção que pretendeu destacar suas aproximações com a dignidade da pessoa. Por fim, o ensino jurídico é alvo de uma detalhada análise da resistência positivista ainda presente nas universidades brasileiras.

Num terceiro momento, o texto que se apresenta tem como título "Limites da jurisdição, separação de poderes e crise: a participação como elemento de abertura e de legitimação da jurisdição constitucional na ordem democrática". A proposta ali elaborada reside na construção de uma "jurisdição constitucional aberta", sedimentada em uma jurisdição que, ao exercer e cumprir com sua função de preservação e de realização da Constituição, esteja aberta institucional e operacionalmente aos argumentos e à participação democrática, constituindo-se, assim, em um locus privilegiado de exercício da cidadania e conferindo-se, desta forma, maior legitimidade democrática — num sentido republicano — às suas decisões.

Enfim, mesmo guardando diferenças teóricas bem claras todos os textos se comprometem com uma postura jurídica crítica, preocupada em superar as velhas verdades jurídicas que cheiram à morte, que conduzem a vida do direito como se fossem zumbis e que produzem indiferença tanto pela sua burocracia kafkiana, quanto pelas formas veladas de rei produzir seu saber/poder.

Sobre os organizadores :

Fabiana Marion Spengler é doutora em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Atualmente é professora adjunta da Universidade de Santa Cruz do Sul lecionando na graduação as disciplinas de Direito Civil - Família, Processo Civil I, Mediação e Arbitragem, e na pós- graduação junto ao programa de mestrado e de doutorado em Direito a disciplina de "Políticas Públicas no Tratamento de Conflitos".

Doglas Cesar Lucas é mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutor em Direito pela UNISINOS. É professor do Instituto Cenecista de Ensino Superior Santo Ângelo e do quadro efetivo do plano de carreira da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente exerce o cargo de chefe do Departamento de Estudos Jurídicos da Unijuí. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Filosofia do Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: Direitos humanos, multiculturalismo, desobediência civil e democracia.

_______________

 Ganhadora :

Carolina Lopes Soares, do Grupo Orguel, de Belo Horizonte/MG

____________

Patrocínio

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

FREDERICO SOUZA HALABI HORTA MACIEL SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

ANDRIA ARAUJO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA

instagram
TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA
TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA

TORRES & SILVA SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA