Domingo, 24 de junho de 2018

ISSN 1983-392X

Olinda - 483 anos

de 11/3/2018 a 17/3/2018

"Hoje Olinda faz 483 anos. Belíssima cidade que me encanta desde menino. Mesmo na madrugada quando suas ruas estão cheias de solidão, parece-me que fica ainda mais bela como se estivesse a refletir a paz dos seus mosteiros. Meu desafio pessoal é daqui a 17 anos presenciar a comemoração dos seus 500 anos, já que o futuro a Deus pertence. Agradeço ao poeta caruaruense Carlos Fernando por retratar tão bem numa música o clima que vivíamos na juventude nas noites olindenses, uma marcha regresso, muito bem cantada pelo baiano Caetano Veloso."

Abílio Neto - 12/3/2018

"Nem sempre um menino-prodígio será um adulto-maravilha. A vida nos tem mostrado isso e, às vezes, de uma forma bastante cruel. Foi o que aconteceu com o nosso querido Paulo Molin, nascido em Recife, porém descendente de franceses. Paulinho aos oito anos já encantava nos programas de auditório das emissoras de rádio recifenses como cantor-mirim. A fama do garoto prodígio se espalhou pelo Nordeste. Do Recife para gravar o primeiro disco de 78 rotações no Rio de Janeiro foi um pulo. E lhe coube a honra de gravar originalmente, de Lourenço Barbosa, o Capiba, a linda música 'Olinda, cidade eterna', em 1950, aos 12 anos. Sucesso absoluto do nordeste até o sudeste. Eis que o menino-prodígio vira homem, mas o povo exigia-lhe a mesma voz de garoto. E alguns chegavam a perguntar o porquê da sua voz ter mudado tanto. Ele fez algum sucesso como adulto, porém nada parecido com aquele que desfrutou quando criança. Eu que tenho dez anos a menos que ele, até acho que sua voz ficou mais bonita sem tantos agudos, todavia o povo não entendeu assim. Ele sumiu do meio artístico. Deixou de gravar e fazer shows. Foi o motivo para que ele mudasse de profissão. Passou a ser jornalista. Editou um jornal em Guaxupé/MG, município que lhe deu a cidadania e o carinho não demonstrado pelos olindenses e recifenses. Lá voltaram a lhe chamar de Paulinho. Em 26/8/2004, aos 66 anos, Paulo Molin disse adeus. Nenhum jornal ou emissora de Pernambuco deu a triste notícia. Vim saber dois anos depois. Como é que pode ter morrido tão olvidado na terra que o viu nascer e onde fez tanto sucesso? Como modesto pesquisador da música popular brasileira, obtive as gravações de 'Olinda, cidade eterna', uma que fez aos 12 anos, em 1950, e outra que realizou em 1963, aos 25 anos. Tenho ótimas gravações dele no período 1950/1970. Seu maior sucesso? Sem dúvidas, Sereno. Por que me lembrei dele hoje? Porque hoje Olinda completou 483 anos e Paulo Molin está para sempre marcado na memória desta cidade-monumento. Que lá onde sua alma repousa possa nos perdoar pelo esquecimento da sua pessoa em vida. Da sua voz, eu, pelo menos, jamais esqueci."

Abílio Neto - 12/3/2018

"Quem batizou acertou: oh linda, com a exclamação cheia de 'h', com tudo que já havia e estava por vir. Você é um privilegiado por ter corrido pelas ladeiras, fortes, mosteiros e ruas desse chão, onde se ouve o repique do surdo, dos dançarinos e músicos de frevo, dos bonecos que desfilam nas festas da carne, e por aí afora. Dia desses chego por aí, para um dedo de prosa, com votos para que alcance os festejos dos 500 anos, e continues levando a vida 'derrepente', inspirado pelos poetas - teus colegas - que expõe os seus versos nos cordéis. Grande abraço, com votos de que essas tuas agudas retinas, continuem desfrutando - sempre com muita poesia na volta - das paisagens desse 'ólindo' lugar'."

Cleanto Farina Weidlich - 15/3/2018

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