Terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ISSN 1983-392X

Violência em Manaus

Imprensa lembra investigação envolvendo juiz de Manaus e magistrado rebate

Juiz participou das negociações para libertar reféns da rebelião que causou morte de 56 presos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O matutino Estadão divulgou nesta segunda-feira, 2, à tarde, matéria na qual afirma que o juiz Luis Carlos Honório de Valois Coelho, responsável pela negociação com os presos da rebelião em Manaus, seria suspeito de possuir ligação com a facção Família do Norte.

Assinada por Fabio Serapião e Fausto Macedo, a notícia sustenta que o magistrado foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da operação La Muralla.

Acerca da matéria, o próprio juiz de Direito Luis Carlos Valois deu a sua versão dos fatos, em sua página pessoal no Facebook (ver íntegra abaixo):

"Sobre a covardia do Estadão. Ontem, depois de passar doze horas na rebelião mais sangrenta da história do Brasil, um repórter, dito correspondente desse jornal me liga. Eu digo que estou cansado, sem dormir a noite toda, mas paro para atende-lo por vinte minutos. Algumas horas depois sai a matéria: “Juiz chamado para negociar rebelião é suspeito de ligação com facção no Amazonas”.

O Estadão é grande, eu sou pequeno, um simples funcionário público do norte do país. Eles não publicaram nada do que falei, nem, primeiramente, o fato de que eu não era o único a negociar a rebelião. Desenterraram uma investigação contra mim da Polícia Federal em que esta escuta advogados falando o meu nome para presos, sem qualquer prova de conduta minha. Detalhe, todos os presos das escutas estão presos, nunca soltei ninguém. Mas insinuaram que isso tinha algo a ver com o fato de eu ter ido falar com os presos na rebelião, que sequer eram os mesmos da escuta.

Fui porque tinha reféns. Estamos no recesso, eu não estou no plantão, fui porque havia reféns, dez reféns, mas isso eles não falaram também. Fui chamado pelo próprio Secretário de Segurança do Amazonas que, não por coincidência, é um dos delegados da Polícia Federal mais respeitados do Estado. Ele, o delegado, veio me buscar em casa, me cedeu um colete a prova de balas, e fomos para a penitenciária. O secretário de administração penitenciária, egresso igualmente da PF também estava lá aguardando. Tudo que fiz, negociei e ajudei a salvar dez funcionários do Estado, reféns dos presos, fiz sob orientação dos policiais.

Tudo isso falei para o tal Estadão, mas foi indiferente para eles. Agora recebo ameaças de morte da suposta outra facção, por causa da matéria covardemente escrita, sem sequer citar o que falei. Covardes. Estadão covarde, para quem não basta “bandido morto”, juiz morto também é indiferente."

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