Domingo, 19 de novembro de 2017

ISSN 1983-392X

2006

Elevada a distrito de paz, pela lei nº 79, de 22 de agosto de 1892, no município de Casa Branca, ficou pertencendo à comarca de Casa Branca.

Elevada a município pela lei nº 559, de 20 de agosto de 1898, continuou a pertencer à comarca de Casa Branca.

Como município, foi instalado a 15 de abril de 1889, constituído com o distrito de paz de Tambaú.

O território atual do município esteve subordinado:

  • Até o ano de 1814 à comarca de São Paulo;
  • De 1815 a 1833 à de Itu;
  • De 1834 a 1852 à de Campinas;
  • De 1853 a 1863 à de Franca;
  • De 1864 a 1872 à de Mogi-Mirim;
  • Em 1873 à comarca de Casa Branca.

A primeira Câmara foi eleita em 23 de março de 1899, sendo seu presidente o capitão José de Vasconcelos Bittencourt. O primeiro prefeito foi o capitão e fundador da cidade David de Almeida Santos.

Advogado de destaque na década de 50 :

  • Américo Pereira Spinola (solicitador)

Juízes que passaram pela comarca :

  • José Pacheco – 8/11/64 a 14/12/66

  • José Gastão dos Santos – 15/3/67 a 21/9/67

  • Caio Eduardo Canguçu de Almeida – 5/7/68 a 20/2/70

O Desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida nasceu na cidade de Campinas e formou-se pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ingressou na magistratura em 1967, como Juiz Substituto para a 10ª Circunscrição Judiciária, com sede em Catanduva.

Trabalhou ainda nas comarcas de Tambaú, Porto Ferreira e Barretos. Antes de chegar à entrância especial, em 1978, foi convocado para trabalhar como Juiz Auxiliar da Comarca de São Paulo. Em 1983, foi promovido a Juiz do Tribunal de Alçada Criminal do Estado de São Paulo e tomou posse como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo em 1988. Atualmente é vice-presidente do TJ/SP.

  • José Elias Habice Filho – 4/2/71 a 7/3/73

A influência da família foi definitiva para que o desembargador seguisse carreira no Direito. Depois de formado, exerceu pouco a advocacia em Porto Feliz. Fez uma peregrinação pelo interior de São Paulo, passando por Jaboticabal, Tambaú, Ribeirão Pires e Mogi das Cruzes. Dois dos três filhos do desembargador seguiram os passos do pai e também optaram pelo trabalho judicial. Veja abaixo alguns trechos da entrevista que o desembargador concedeu à Revista Viu!, em 2005.

Quando saiu de Porto Feliz?

Praticamente em 1956, para estudar. Levei "bomba" quando estava na 4ª série e meus pais me internaram em Campinas, no Colégio Diocesano, onde passei nove anos. Fiz o ginásio e os três anos do científico. Queria estudar Engenharia ou Administração de Empresa. Mas era muito ruim em matemática, como ainda sou. Então resolvi fazer Direito, até porque tinha influência da minha irmã, a Ceci (Habice), que já era advogada formada desde 1954. Meu cunhado Juca Santana, casado com a minha irmã mais velha, também era juiz e chegou a desembargador. Estava fazendo o colegial em Campinas e emendei com a faculdade. Fiz Direito na PUC. Voltei para Porto Feliz e advoguei lá por cinco anos. Em 1970 ingressei na magistratura e fiquei fora de Porto Feliz o tempo todo.

Direito é uma paixão?

É, tanto que tenho 44 anos em tempo de serviço contado e não me aposentei. Nem penso em parar. Só paro com a compulsória. Gosto da carreira, sempre gostei. Já cheguei a gostar mais, hoje um pouco menos.

Por quê?

O judiciário no Brasil é muito injustiçado. Dizem que é moroso, que é a bola da vez... Ele realmente é moroso, mas não tem a corrupção que você vê no legislativo e no executivo. Nunca se viu o judiciário com corrupção nesse quilate. Tem um ou outro juiz que sai da linha, mas é punido. Temos vários casos de juízes que prevaricaram e foram colocados na rua.

Esses casos, embora sejam poucos, acabam manchando todo o corpo?

Mancham. E o judiciário é muito procurado porque a Constituição Cidadã de 88 propiciou muitos direitos, fez muito bem. Isso provocou uma demanda muito grande do judiciário. A minha filha que é juíza em Itápolis, passou por Cachoeira Paulista e viu um caso interessante e me contou. Achei, para minha geração, surpreendente. Um rapaz trabalhava com um carrinho de lanches na rua. Constava que a prefeitura ia remover a barraca dele de um lugar para outro. Ele entrou com um mandado de segurança preventivo.

Como reverter esse congestionamento de processos?

Temos que simplificar nossa legislação, que é bem obsoleta. Nosso Código Penal é de 1940 e prevê algumas condutas que hoje em dia são risíveis. Por exemplo, seduzir mulher inexperiente menor de 18 anos... Qual mulher de 17 ou 18 anos hoje é inexperiente? O código prevê essa hipótese. Esse crime caiu em desuso, crime de sedução, adultério...

A demora nos processos acabou virando uma ferramenta da defesa?

Ferramenta para ganhar tempo, principalmente por parte do Estado. O Estado é o grande cliente do judiciário. Para se ter uma idéia, minha seção, que é de direito público, tem hoje cerca de 110 mil processos, em todos eles há interesse de uma das fazendas, ou a fazenda estadual ou a fazenda municipal. A fazenda recorre sistematicamente contra tudo. Muitos processos atravancam. Temos desapropriações, multas de trânsito...

E a formação dos novos profissionais da magistratura?

De forma geral é ruim, por causa do nível das faculdades que caiu muito. Hoje, no estado de São Paulo, exagerando, temos sete faculdades de primeira linha; as demais são fracas, e são mais de 100.

E a formação dos advogados?

Reclamam muito. Aqui na minha área, direito público, a advocacia é de primeira ordem. Aqui os advogados são qualificados. Mas a reclamação é muito grande. Meus filhos, que estão em contato mais direto com os advogados reclamam muito da má formação, que mal conseguem colocar no papel o que eles pretendem.

  • José Monteiro – 26/6/73 a 16/7/74

  • Flair Carlos de Oliveira Armani – 9/8/74 a 30/11/74

  • Hélio Rubens Pereira Navarro – 6/11/76 a 10/10/79

  • Pedro de Alcântara Lustosa Goulart – 6/5/81 a 25/8/81

Compõe a 8ª Câmara Criminal do TJ/SP.

  • Theophilo Carlos Vessoni de Siqueira – 4/11/81 a 7/1/82

  • Carlos Alberto Giarusso Lopes Santos – 27/4/82 a 14/1/83

Compõe a 27ª Câmara Direito – Privado do TJ/SP

  • Claudio Hamington Barbosa – 29/3/83 a 9/4/83

  • Carlos Eduardo de Souza Goulart – 25/5/83 a 9/983

  • José Raul Gavião Almeida – 20/10/83 a 16/5/84

Juiz e Livre Docente da USP.

  • Pedro Aurélio Pires Maríngolo – 3/7/84 a 15/7/86

O juiz Pedro Aurélio Pires Maríngolo, que era da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, em 1997, condenou o então prefeito Celso Pitta à perda de função pública, à suspensão de direitos políticos, ao ressarcimento de prejuízos ao município e ao pagamento de multa civil. Veja abaixo matéria publicada na revista IstoÉ em 1997.

"Como um Pitta fica Pitta e um excelso vira ex-Celso

Juiz chama o prefeito de O prefeito está Pitta da vida. Excelso tempo (para ele) em que se vendia como um doce de honestidade. Hoje à frente da Prefeitura de São Paulo, ficou nu. Seu padrinho político é Paulo Maluf e foi nessa administração que ele afundou os cofres públicos em dívidas de US$ 10 bilhões. Na segunda-feira 22, numa sentença de 65 páginas, o juiz Pedro Aurélio Pires Maringolo da 12ª Vara da Fazenda Pública praticamente transformou o excelso em ex-Celso mesmo: em função da farra com os títulos para pagamento de precatórios judiciais, a Justiça decretou a sua perda da função pública e dos direitos políticos por um período de oito anos. Mais: Pitta terá de restituir R$ 21,5 milhões. Vale para isso fazer uma vaquinha com os coleguinhas de condenação: o seu ex-braço direito Wagner Ramos e mais 15 corretoras amigas – aquelas da chamada "cadeia da felicidade" promovida às custas de negociatas com títulos municipais. Muito Pitta, o prefeito anunciou (através do secretário de Negócios Jurídicos) que vai recorrer da sentença. Como agora é tempo de recesso de fim de ano da Justiça, a decisão de Maringolo será publicada somente em fevereiro. É a partir daí que começa a contar o prazo de 15 dias para o recurso do prefeito. Como o recurso tem efeito suspensivo, até que seja julgado continuará Pitta à frente da Prefeitura paulistana. Mas que o estrago está feito, isso está. O juiz lembrou de algumas coisas. Coisas de que o leitor com certeza também se recorda: o carro Tempra do Banco Vetor no qual andou passeando a primeira-dama Nicéia, o Vectra zerinho em folha comprado com cheque de doleiro. Uma das conclusões do juiz:

- "Os réus Celso Pitta e Wagner Ramos não foram probos, no sentido de íntegros, honestos, honrados, retos, quando cuidavam das finanças e recursos municipais." Precisa mais? Pode-se perguntar onde a bufunfa foi parar. Isso nem Deus sabe, mas o juiz Maringolo registra que há "a suspeita de que parte dele tenha sido usada na campanha política e parte se encontre em algum paraíso fiscal ou em conta bancária dos Estados Unidos, tantas são as ramificações dessa verdadeira quadrilha". Excelso? Ex-Celso!São Paulo de quadrilheiro e decreta a perda de sua função pública e dos direitos políticos."

  • Angelo Constantino Livonesi – 23/8/86 a 11/10/89

  • Durval José de Moraes Leme – 22/11/89 a 20/6/91

Veja abaixo a mensagem que o juiz deixou ao mestre Goffredo, em seu portal, na comemoração dos seus 90 anos.

"Por este acendrado amor, amor à vida, amor ao direito, amor à justiça, felicito-o, com o coração em festa, por estes "nossos" fecundos noventa anos. Parabéns!" Durval José de Moraes Leme

  • Luís Augusto Freire Teotônio – 28/8/91 a 2/12/292

Juiz Titular da Vara do Júri e Execuções Criminais de Ribeirão Preto, Professor universitário e do curso Forensis preparatório para concursos públicos e autor do livro "Culpabilidade" e de vários artigos jurídicos.

  • Carlos Eduardo Pratavieira – 26/4/93 a 4/3/94

  • André Luiz de Macedo – 14/4/94 a 24/4/96

  • Jorge Corte Júnior – 6/6/96 a 12/4/98

  • Juize diretor: Antonio Cézar Hildebrand

  • Promotor: Fábio José Moreira Dos Santos

Tambaú é nome de origem Tupi que quer dizer "Rio das Conchas" (Tamba-hy-rio das conchas ou dos mariscos). Tal designação foi conseqüência da identificação com que os índios nomeavam os lugares onde habitavam ou tinham sua região de caça ou pesca. O nome rio Tambaú adveio de tais circunstâncias de toda a extensão onde se localiza. O município de Tambaú seria um vasto campo de caça de alguma tribo. Objetos indígenas encontrados em locais da zona rural (pontas de lanças ou flechas, machadinhas, mão de pilão e outros) confirmam essa hipótese, assim como as "conchinhas bivalves", encontradas no leito arenoso do córrego Tambaú.

Fundada em 27 de julho de 1886, foi elevada à condição de município em 20 de agosto de 1898. Seu desenvolvimento econômico teve inicialmente contribuição da monocultura da cana, a qual foi substituída pela monocultura do café. O ciclo do café propiciou grandes fortunas, e Tambaú se beneficiou deste surto.

A região de Tambaú cobriu-se de lavouras com alta produtividade e a Mogiana incumbiu-se de levar o produto até Santos. A área foi enriquecendo e em 1886 era elevado à condição de povoado, e em 1892, promovido à distrito de Paz, contando já com o embrião da futura cidade; fábrica de cerveja, bar e bilhar, lojas e, prenunciando sua futura vocação: várias olarias.

Finalmente um senhor, Capitão David de Almeida Santos, que ajudou a levar os trilhos da Mogiana até Tambaú, encantou-se com o local, lá fixando residência e lutando para que, finalmente, em 20 de agosto de 1898, Tambaú fosse desmembrada de Casa Branca e passasse a se constituir um novo município do Estado de São Paulo.

Graças aos esforços do Capitão David, agora auxiliado por Alfredo Guedes, advogado ilustre, Deputado Estadual, Secretario da Agricultura do Governo de São Paulo e proprietário da Fazenda Santa Carolina em Tambaú, conseguiu que Bernardino de Campos, Presidente do Estado de São Paulo, assinasse no dia 20 de agosto de 1898 a Lei de n.º 559 demarcando os limites e tomando as demais medidas administrativas para instalação do município de Tambaú, que veio a se efetivar em 15 de abril de 1899.

Tambaú começava em condições propícias ao seu desenvolvimento. Terra fértil, extensas lavouras de café, razoável pecuária e excelentes olarias que permitiram o progresso vertiginoso da indústria cerâmica.

No início do século XX, Tambaú recebeu um bom contingente de imigrantes (italianos, portugueses, espanhóis e sírio libaneses), fator primordial do progresso da cidade. A grande maioria fixou-se como colonos das lavouras de café, principalmente os italianos. Com os conseqüentes casamentos entre os filhos destes imigrantes europeus, juntaram suas forças na florescente indústria cerâmica de Tambaú, devido a excelente qualidade do barro, aventurando-se nos primórdios da indústria cerâmica.

Até meados do século passado, esta foi uma das únicas fontes de riqueza do município e o processo de industrialização chegou à região através da implantação de algumas empresas do ramo de alimentos, metalurgia e minérios não metálicos. Estas indústrias absorveram contingentes de mão-de-obra não somente da cidade, como também de áreas vizinhas. O desenvolvimento da cidade passou a oferecer novos recursos econômicos, em 1905 instala-se a primeira cerâmica produzindo utensílios domésticos, utilizando-se da disponibilidade de argila local. Em 1917 foi fundada a primeira cerâmica de telha, foi o início da instalação do Pólo Cerâmico de Tambaú.

Na década de 1950, o município foi cenário de um fenômeno sócio-religioso importante, o Padre Donizetti Tavares de Lima. Os milagres que realizava extrapolaram os limites do pequeno município da região de Ribeirão Preto. Aproximadamente 40 mil visitantes chegavam todos os dias à cidade.

Religioso austero, ele não permitia que os tambauenses comemorassem o carnaval. Amigo das crianças, patrono dos pobres, o padre mineiro natural de Santa Rita de Cássia, nasceu a 3 de janeiro de 1882. Passou os últimos 35 anos de sua vida em Tambaú, onde veio a falecer a 16 de junho de 1961.

Comenta-se que o padre ganhou fama quando curou as pernas cheias de feridas de um vendedor ambulante de vinho. O homem tratou de contar o milagre que o padre realizou para os comerciantes das cidades vizinhas e em poucos dias os romeiros começavam a chegar a Tambaú para receber as bênçãos do padre taumaturgo.

No dia 16 de março de 1997 foi aberto o processo de beatificação do Padre Donizetti. Os habitantes do município e os devotos esperam que ele seja beatificado, se tornando assim o primeiro santo brasileiro.

As histórias e estórias dos milagres do Padre Donizetti povoam o imaginário dos habitantes da cidade. Dizem que o menino Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, esteve na cidade em 1955. Acompanhava o seu pai na praça lotada de romeiros que ouviram o sermão do padre quando ele disse que "há aqui um menino acompanhado de seu pai que um dia se tornará um atleta não só conhecido no país como no mundo". Outra história, porém confirmada pelo próprio protagonista, é a do jornalista e economista da Rede Globo Joelmir Betting.

Depois de tomarem sopa de quiabo na Casa Paroquial, o padre pegou a mão do garoto e juntos rezaram um Pai Nosso em voz alta. Nunca mais o futuro jornalista gaguejou e pode, finalmente, ser aceito na escola que o recusava por causa da gagueira. Joelmir Betting, natural de Tambaú, foi coroinha do Padre Donizetti, seu guia espiritual.

A última aparição pública do Padre Donizetti aconteceu em 30 de maio de 1955. Após esta data ele precisou se recolher por ordens superiores e aceitou a proibição sem se revoltar.

  • Personagens

Padre Donizetti

Conhecido em todo Brasil e no exterior como o Taumaturgo de Tambaú, Padre Donizetti foi, na década de 50, responsável pela multidão que afluía a Tambaú em busca de alento para seus males.

Nasceu em 3 de janeiro de 1882, em Santa Rita de Cássia, Minas Gerais. Faleceu em Tambaú, Estado de São Paulo, em 16 de junho de 1961, onde viveu por 35 anos como pároco. Iniciou o Curso de Direto na Faculdade do Largo de São Francisco em 1900. Abandonou esse curso para ingressar no Seminário. Ordenou-se Sacerdote em 12/7/1908, em Pouso Alegre, MG.

Após pouco tempo em Minas Gerais, acompanhou o Bispo Dom Nery para a recém criada Diocese de Campinas. Em 3/4/1909 toma posse como Vigário de Vargem Grande do Sul/SP, onde permanece por 16 anos. Em 13/6/1926 toma posse como Vigário de Tambaú,, onde permaneceu até o dia em que entregou sua alma a Deus, em 16/6/1961.

O Padre Donizetti devotou toda sua vida em prol dos pobres e necessitados. Sua luta minorou o sofrimento de inúmeras famílias que encontravam no Padre um alento para o corpo e para a alma. O Padre considerava necessitado todo aquele que fosse carente, seja no campo material, moral ou espiritual. Sua vida foi toda devota ao próximo.

Seu sacerdócio é um paradigma para aqueles que consagram sua vida a Deus. Ele vivia todos os instantes que podem ser vividos por um sacerdote zeloso de suas responsabilidades. Nunca pensava na sua comodidade, mas sim na implantação diária do Reino de Deus na terra. Cuidava pessoalmente de todos os detalhes de sua Paróquia, desde o ensaio das crianças para Coroação de Nossa Senhora, no mês de maio, até os problemas municipais envolvendo políticos do cenário nacional. Estão catalogados milhares de milagres alcançados pela interseção do Padre Donizetti. Ele jamais se reconheceu como agente de fenômenos sobrenaturais que realizava esses milagres. Todas as Graças, alcançadas pelos miraculados, eram por ele sempre atribuídas à fé dos mesmos e à ação intercessora de Nossa Senhora Aparecida, sua Mãe Espiritual, junto de Deus Pai.

Primeiro milagre

Em 11 de outubro de 1929, às 8h da manhã, Tambaú sofreu um grande susto, pois a Igreja Matriz foi praticamente destruída por um grande incêndio. Foram queimadas 22 imagens de santos, todos os bancos e o altar, mas, milagrosamente, só não foi destruída a imagem de Nossa Senhora de Aparecida. O padre, no livro que relatava a paróquia assim escreve:

"Atesto que a 11 de outubro de 1929, às 8h, irrompeu pavoroso incêndio na Matriz local, destruindo tudo, 22 imagens ficaram reduzidas a cinzas, restando do edifício, apenas as paredes revestidas de reboco. Entretanto, ilesa ficou a imagem de Nossa Senhora de Aparecida com o manto de seda, o que causou profunda impressão a todos. Será perpetuado o fato insólito em suntuosa Igreja que será construída para a conservação de sua imagem".

O documento foi assinado pelo padre Donizetti e por um grande número de testemunhas. Este acontecimento triste para a cidade foi o começo da força espiritual do Padre Donizetti. A partir daí começava seu trabalho junto aos menos favorecidos e sua luta contra os fazendeiros que não pagavam salários aos seus empregados.

Ele levantava a voz contra os patrões que atrasavam o pagamento de seus empregados. Até no púlpito ele falava contra os tais "pagamentos com ordem", que ele considerava um verdadeiro roubo. Era um "vale" dado pelos patrões, obrigando os assalariados a comprar em determinadas casa de comércio. Para o padre, todos tinham direito de um salário digno.

Seu trabalho pastoral nas fazendas era muito grande e ele considerou um milagre pregar o cristianismo para um grupo de colonos japoneses que mal falava o português, conseguindo com que todos se batizassem e freqüentassem as missas dominicais.

As crianças eram o alvo de todo o seu carinho. Ele gostava muito de provar às suas crianças que nada era impossível. Como exemplo, manda os meninos pegarem uma taturana nas mãos, e ela não queimava. Entretanto, era só o padre sair de perto para que os meninos que se atravessem a tentar repetir o gesto, sentissem a ardência da defesa natural do animal.

Com esta demonstração de força espiritual, passou a ser o grande líder de Tambaú. Toda e qualquer decisão a ser tomada na cidade teria que antes ser submetida ao padre Donizetti que nem por isso, deixou de viver humildemente. Sua casa só tinha o estritamente necessário e tudo o que ganhava era destinado aos pobres. Além de toda a sua atividade em favor dos pobres, tinha uma vida exemplar com muita sobriedade e austeridade.

A multiplicação dos pães

Jornal "O Tambaú", dia 5 de dezembro de 1954:

"A respeito de sua missão apostólica, assim se expressa o padre Donizetti: ‘Sou muito amigo do Monsenhor Magalhães do Rio de Janeiro. Ele tem um programa de rádio, com o título ‘aos que sofrem’. Eu aqui em Tambaú, realizo a minha missão, seguindo o mesmo lema ‘aos que sofrem’. Nossa missão é suavizar a dor dos homens e reerguê-los para a vida. Deus deu-me o poder dos milagres. Alegrei-me em saber que se repetiu em Tambaú o milagre da multiplicação dos pães. É interessante: chegou um caminhão cheio de gente, era hora do almoço, enviei-os a um dos paroquianos para que tivessem a refeição, a família não fora avisada e fizera almoço para quatro pessoas, pois todos almoçaram e sobrou alimento".

Alfredo Guedes

O Dr. Alfredo Guedes, político paulista, nasceu no dia 24 de abril de 1868. Exerceu o mandato de deputado estadual nos períodos legislativos de 1892 a 1894, 1898 a 1900, e o cargo de secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, durante a presidência do Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, no período decorrido de novembro de 1898 a maio de 1900. Como jornalista foi proprietário da "Tribuna Livre" de Casa Branca, além de colaborador assíduo do "Estado de São Paulo" e de outros jornais da Capital e do interior, nos quais publicava artigos políticos de grande repercussão. Faleceu no ano de 1904. Foi casado com Albertina de Azevedo Guedes.

Alfredo Guedes, advogado ilustre que foi, auxiliou Capitão David a conseguir que Bernardino de Campos, Presidente do Estado de São Paulo, assinasse no dia 20 de agosto de 1898 a Lei de n.º 559 demarcando os limites e tomando as demais medidas administrativas para instalação do município de Tambaú.

Wanda Furtado Lins

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1949. Aos 12 anos foi viver na França, onde se formou pela École Supérieure d'Interprètes et Traducteurs. Em 1974, seus primeiros poemas lhe valeram o primeiro lugar (empatada) em um concurso de poesia organizado pela Université de Genève tendo Starobinsky como presidente do júri. Em 1986, publicação do livro Les Monstrillons (ed. Albert Meynier, Torino-Genebra). Em novembro de 99 volta para o Brasil, em janeiro 2000 começa a escrever em Português, tem um poema - Se - publicado no jornal literário Panorama da Palavra e apresenta-se em eventos de poesia falada no Rio de Janeiro.

Tambaú 53 ou Canção dos exílios concêntricos

Mas onde fica Tambaú ?

Tambaú fica tão longe

na outra beira do mar

lá onde tem areia fina

gostosa de se andar

jangada água de coco

pitomba e mungunzá

Mas onde fica Tambaú ?

Tambaú fica tão longe

na outra beira do mar

lá onde tem lampião

pra espantar o escuro

linda luz de lampião

gostosa de se cheirar

Mas onde fica Tambaú ?

Tambaú fica tão longe

na outra beira do mar

lá onde tem sotaque

feito para se cantar

aquele sotaque gostoso

que me ensinou a falar.

Mas onde fica Tambaú?

Tambaú fica tão longe

na outra beira do mar

na outra beira da vida

na dor do meu lembrar.

  • Locais históricos

Grupo Escolar de Tambaú – atual EE Alfredo Guedes

Seu projeto, datado de 1909, fez parte de um projeto para 11 escolas (Brotas, Cachoeira Paulista, Descalvado, Igarapava, Lençóis, Matão, Piraju, São Bento de Sapucaí, São João da Bocaina, São Pedro e Tambau), elaborado por José Van Humbeeck, com oito salas de aula, à exceção de Descalvado, que teve ao seu projeto duas salas acrescentadas. As plantas são simétricas, com uso independente para cada seção, isolada por porta tipo vai-e-vem, localizada no corredor central. Foi instalado em 23 de julho de 1914. Segundo o Anuário do Ensino do Estado de São Paulo de 1915, naquele ano, foram matriculados 478 alunos, com freqüência média de 305. Seu diretor era José Gonso. Conforme publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 7 de agosto de 2002, páginas 1 e 52, pelo alto valor histórico na evolução educacional do Estado de São Paulo, juntamente com outras 122 escolas públicas da capital e do interior, seu prédio foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT). Atualmente a escola oferece Ensino Fundamental (de 1ª a 4ª série).

Marco Zero do Caminho da Fé

O Caminho da Fé (Brasil), inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), foi criado para dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes os necessários pontos de apoio e tem como objetivo unir dois grandes polos religiosos do Brasil (Tambaú e Aparecida do Norte). Em seu caminhar, seguindo sempre as setas amarelas, o peregrino vai reforçando sua fé, observando a natureza privilegiada, superando as dificuldades do Caminho que é a síntese da própria vida. Aprende que o pouco que necessita cabe na mochila e vai despojando-se do supérfluo.

Este caminho tem apoio da igreja católica e já é uma grande rota de peregrinação. Ao iniciar a caminhada a partir do Marco Zero, em Tambaú, o peregrino segue 425 quilômetros, passando por 19 cidades até chegar em Aparecida.

Turismo Artesanal ou cerâmico

Com a participação dos imigrantes, o distrito logo se transformou em município. Aceitando um convite feito pelo Capitão David em 1888, o italiano Antonio Calicchio realizou uma pesquisa com a argila local. Fazendo experiência com um torno trazido da Itália, ficou comprovada a excelência do material para a confecção de manilhas e telhas e assim se implantou a primeira indústria cerâmica de Tambaú. Mais tarde com a chegada do português Francisco Cordeiro do Valle, ele trouxe a tecnologia da época e instalou-se a primeira indústria cerâmica de telhas tipo francesa, e também cerâmica artesanal. Com isso, o desenvolvimento industrial cerâmico de Tambaú destacou-se no Estado de São Paulo extrapolando divisas até outros estados do sul do país. Portanto, desde os primórdios do século o município passa a ter como sua principal atividade econômica centrada na produção de produtos cerâmicos. Atualmente Tambaú conta com mais de 100 empresas instaladas, fabricando os mais diversos produtos cerâmicos: tijolos, telhas, elementos vazados, tubos, pisos, revestimentos e cerâmica artística, obtendo assim a denominação de Cidade da Cerâmica.

Igreja de São José

A leste do córrego Arrependido, a cidade recebera o nome de "Patrimônio". Isso porque aquela parte fora doada pelo fazendeiro José Silvestre para a Diocese de Ribeirão Preto, logo após a fundação de Tambaú, com o propósito de ali ser construída uma igreja, o que foi feito em 1900, com a contribuição de fazendeiros. Foi denominada Igreja de São José. Este fato tem suas origens em dissidências entre o fundador da cidade e outros políticos locais. Por ciúmes políticos o capitão David de Almeida Santos doou o terreno onde é hoje a praça Santo Antonio, para a construção da Igreja Matriz, de acordo com os padrões exigidos pela Diocese de Ribeirão Preto. Isto porque a Igreja de S. José no "Patrimônio" fora construída com recursos de fazendeiros adversários e, sendo a única, absorvia o movimento sócio-religioso da cidade. Lançada a pedra fundamental em 13 de junho de 1913, a Igreja de Sto. Antonio foi inaugurada em 13 de junho de 1919.

Joaquim Rosa foi o empreiteiro das obras que edificaram a Igreja, no ano de 1915. Na época o prefeito da cidade era José Fernando Pimenta. Em 14 de maio de 1902 era criada a Paróquia de Tambaú e seu primeiro padre, Cassiano Ferreira Menezes, veio em 28 de maio do mesmo ano, já idoso. No ano seguinte, faleceu e foi sepultado em Tambaú. Seu sucessor, padre Salvador Torrentino, chegou em 16 de setembro de 1903 e conseguiu provisão para que a Igreja de S. José considerada "Igreja de propriedade particular" funcionasse como Matriz, até que se construísse "uma nova e boa igreja". A provisão foi concedida pelo Monsenhor Manoel Vicente da Silva, Vigário Capitular do Bispado de São Paulo. A Igreja de São José seria muito mais tarde, cenário do movimento sócio-religioso em torno da figura do padre Donizetti. Consta do Brasão Heráldico de Tambaú. A última missa nela rezada foi no dia 4 de novembro de 1962. Demolida, ergue-se em seu lugar o Santuário N. S. Aparecida.

Igreja do Meio

O prédio da Sociedade Italiana, doado para a Paróquia em 1940, ficou longo tempo em desuso, servindo às vezes para quermesses em recinto fechado, depósitos de peças religiosas e outros materiais.

Em 1962, ano de sua chegada a Tambaú, o novo pároco Luiz Girotti, após ampla reforma, transformou o local numa capela aberta aos cultos católicos. Chamada inicialmente Capela de Nossa Senhora, acabou sendo a "Igreja do Meio", porque estava situada a meio caminho entre os dois lados de Tambaú, a "cidade" e o "patrimônio".

Em terreno contínuo, padre Luiz Girotti construiu a Escola de Catequese D. Thomaz Vaquero. A sede da "Sociedade Italiana Vitório Veneto", que existia desde 1895, situada nas esquinas das ruas Santo Antonio e Cel. Bittencourt, foi doada para a Paróquia de Tambaú em 1940. Neste salão, que serviu até de cinema, aconteceram, em datas diferentes, festivais escolares, apresentação de teatro amador entre outros eventos. Após a doação passou a ser a "Igreja do Meio". Hoje esta Igreja tem o nome de Igreja Cristo Redentor.

Matriz de Santo Antônio

Em 1913, à oeste do córrego Arrependido, do lado chamado "cidade", foi lançada a pedra fundamental da Igreja Santo Antônio, em terra doada pelo Cap. David de Almeida Santos, a 200 metros da estação da Mogiana. Construída com subvenção popular, foi inaugurada em 13 de maio de 1919. Era vigário o padre José Fernando Pimenta. Esta igreja ainda é a Matriz de Tambaú, localizada na praça Santo Antonio.

Um fato insólito abalou a cidade em 11 de outubro de 1929: um curto circuito incendiou a Matriz de Santo Antonio. O fogo começou pelo teto, destruindo totalmente o madeiramento, inclusive o altar-mor que fora esculpido por Primo Uliana. "A torre da igreja parecia uma chaminé, contam os espectadores do sinistro.” Em 1931 estaria completada sua restauração, custeada com recursos do povo tambauense. Após a restauração, todo o seu interior foi decorado pelo artista Ernesto Ricciardi, imigrante italiano que associava ao seu labor a qualidade de artista plástico. Após a reforma posterior da igreja, restam dois quadros de seu trabalho.

O Santuário

Nossa Senhora Aparecida sempre foi a santa da devoção do padre Donizetti. Sua intenção era erguer uma igreja, tendo-a como padroeira. Para isso, arrecadava dinheiro das quermesses e leilões. Os resultados financeiros, contabilizados de próprio punho, o padre Donizetti afixava na porta da Igreja de São José. Pouco dinheiro, mas muita esperança. Após as romarias, havia fundos para a sonhada igreja. A Paróquia de Tambaú passara para a nova Diocese de São João da Boa Vista. Depois da morte do padre Donizetti, uma comissão presidida por Manoel Meirelles Alves deu início às providências para a construção da nova igreja. O lançamento da pedra fundamental ocorreu no dia 1 de novembro de 1961. O Santuário de Nossa Senhora Aparecida foi inaugurado quando era vigário o padre Luiz Girotti.

Não houve propriamente inauguração do Santuário porque a Igreja foi aberta à visitação pública antes de seu término. Em outubro de 1966, o Santuário serviu para solenidades religiosas da Missão Redentora.

Estação de Tambaú

A estação de Tambaú foi aberta em 1887 e teve o prédio ampliado em 1910. Funcionou como estação até 1959, quando a variante Lagoa-Tambaú ficou pronta. A nova estação da cidade foi construída então fora da área urbana, ao norte da cidade (Tambaú- nova) e a linha, obviamente, foi para lá transferida.

A estação, hoje, serve de escritório para uma indústria que montou seus galpões na área que seria a da entrada; a plataforma é a que hoje é a frente desse escritório.

Estação Tambaú-nova

Foi aberta em 1959, juntamente com Coronel José Egídio-nova. Construída fora da cidade, a estação substituiu a antiga, em pleno centro, desativada quando da abertura do trecho Coronel Correa-Tambaú, que completou a variante Lagoa-Tambaú. Está no limite da zona urbana da cidade, e para se chegar a ela, há de se trafegar por dois quarteirões de ruas não asfaltadas. Era um dos pontos de cruzamento de trens; desde 11 de setembro de 1997, data da extinção dos trens de passageiros na linha, somente trens de carga passam por ela. Tem um estilo mais moderno, estava bem cuidada até a extinção da Fepasa, em 1998.

"Os trens PM1 (vindo de Campi-nas) e PM2 (de Araguari) cruzavam lá (em Tambaú-nova) e eu, enquanto esperava o cruzamento, dava uma voltinha a pé pela estação para ver aqueles antigos cofres, os aparelhos de staff, etc.. Na fachada, há um grande logotipo C.M. Perto dali, há o único túnel da linha. Antigamente, eles cruzavam em Ribeirão, Evangelina, São Simão, Cravinhos, Canaã, dependendo do atraso. Hoje, cruzam em lugar nenhum, foram cortados... já sabe, se privatizarem a Fepasa esse trem não volta, porque foi suprimido antes... era simpático. Havia duas composições. Uma tinha dois ou três carrinhos de aço-carbono, construídos pela C.M. em 61, e um restaurante, também desta data, e era também de aço-carbono. O outro trem era de aço-inox, com janelas ovais com dois ou três carros da Mafersa, de 61, e um restaurante. Então, de Campinas saia um dia um trem, e um dia outro. Saía às 9 da manhã de Campinas e no domingo saía às 10, porque era o trem Bandeirante da Refesa, com leitos, etc.. Dava para pegar o PP-1 na Luz e chegar a tempo, porque o Bandeirante só saía quando chegava o PP-1 em Campinas. Eu peguei muito este trem, e descia em Evangelina, onde residem meus parentes. Lembro-me de um dia em que eu estava almoçando no carro-restaurante, quando o trem adentrou a estação de Aguaí. Naquele momento, tive uma premonição: um dia isso vai acabar. Dito e feito. Ultimamente, um carro era reservado para carregar a miséria para cima e para baixo. Mendigos com passe da prefeitura. Que contraste... Começou transportando a esperança de progresso, a riqueza, nossos imigrantes e terminou transportando o fracasso, a pobreza, a falta de perspectiva... O que fizeram com nossas ferrovias? Quando o trem passa pela linha nova, nas imediações de Cerrado e Santos Dumont, é perfeitamente possível ver a linha velha serpenteando paralelamente à nova. Pode-se ver lastro, dormentes e algumas estações antigas, já fora da linha atual. A linha nova cruzou o ramal de 0,60 que ali existia e existe ali uma estação (Cerrado), que fica perto da linha nova. Agora, só passando de carro para ver".

O texto, relatado por Rodrigo Cabredo em outubro de 1998, mostra o que era a Mogiana, na região de Tambaú, no final dos anos 80 e até fins de 1997. Em fins de 2000 a estação foi invadida, vandalizada e incendiada. No trecho atual da linha, dali os trens seguem para Santos Dumont. A estação é hoje um setor da Prefeitura.