Segunda-feira, 23 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ladrão na caixa d´água


Ladrão na caixa d’água

Não faz muito tempo, publicou-se nos jornais que um ladrão, flagrado no interior de casa alheia, se escondera dentro da caixa d’água, para fugir do flagrante, mas de nada adiantou sua criatividade, pois lá foi encontrado e preso.

Fiquei matutando (sem o cigarrinho de palha ) como era caprichoso o destino: lugar de ladrão é na cadeia ou ... na caixa d'água, pelo menos na língua portuguesa, por artes e manhas do Latim, que tem o vocábulo fur, furis, para designar o gatuno, furari (verbo depoente da 1ª conjugação) para a ação de "furtar" e furunculus, i, (diminutivo de fur) para nomear tanto o ladrãozinho, quanto aquele furinho (o furúnculo), que se forma nas inflamações com pus, para drená-lo. Não passa, assim, de um ladrãozinho da ferida, um dreno, que evita os efeitos maléficos da inchação purulenta.

Você já imaginara, leitor, que aquele furo bem no alto das caixas d'água (exatamente para, drenando, evitar que o líquido transborde) ganharia, também, o nome de ladrão, ou seja, o seu "furúnculo"?

Anote-se que "ladrão" é palavra que tem origem em latro, latronis (subst. masc. da 3ª declinação), mas um seu sinônimo é fur, do qual se originaram furunculus, i, furtum, i e furari (verbo depoente, transitivo).

Os verbos depoentes são os que têm forma passiva e sentido ativo, matéria que merece abordagem especial, da qual cuidaremos oportunamente, volente Deo.

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* Silvio Teixeira Moreira foi desembargador do TJ/RJ, ex-promotor de Justiça do MP/SP, ex-professor de Latim e advogado criminal.