Segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

"Um dos assuntos da semana foi a postagem do vídeo pelo presidente Bolsonaro, em sua conta pessoal, onde dois sujeitos praticam atos repugnantes e obscenos (Migalhas quentes – 2/3/19). A propósito, em qualquer país do mundo civilizado eles já estariam presos e processados. A postagem de Bolsonaro tem o mérito de revelar à sociedade aquilo que se transformou (em boa medida) o Carnaval brasileiro: um antro de promiscuidade e libertinagem, com raras e honrosas exceções. Ocorre que a sociedade está tão anestesiada e acostumada com a mediocridade (lembram-se da repugnante 'peça' Macaquinhos, onde um ator enfia o dedo no ânus do ator mais à frente, e da abominável 'exposição cultural' Queer Museu?) que não tem mais forças para reagir àquilo que, no fundo, não concorda (mas tem vergonha de discordar). A sociedade prefere fazer de conta que não vê (lembra até a fábula 'As Roupas Novas do Imperador'). No Carnaval, para transformar o anormal e inaceitável em normal e aceitável, trocaram sutilmente algumas palavras. Assim, 'libertinagem' virou 'liberdade' (de expressão); 'promiscuidade' foi substituída pela palavra mais politicamente correta 'pegação'; 'ofensa' transformou-se em 'irreverência'. O presidente Bolsonaro foi muito claro quando declarou que não se sentia confortável em mostrar o vídeo, mas ao fazê-lo, prestou um grande favor à sociedade ao tentar retirar as vendas que cobrem os olhos dos brasileiros."

Milton Córdova Junior - 11/3/2019

Comente