Quarta-feira, 16 de outubro de 2019

ISSN 1983-392X

A Alemanha é aqui! Migalhas apresenta hoje em uma matéria especial ilustres alemães que fazem parte da história do Brasil

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

 

A Alemanha é aqui !

Migalhas apresenta hoje aos leitores ilustres alemães que fazem parte da história do Brasil. Embarque nessa fantástica viagem.

No findar de outubro Migalhas iniciou um informativo (1.280) com uma ditosa citação extraída de um trecho da fantástica viagem de Spix e Martius pelo Brasil, no início do século retrasado.

"Depois de havermos forçado caminho através dessa orla de mato, que o povo chama de alagadiço, cheios de alegria, avistamos o Rio São Francisco, correndo em majestosa calma diante de nós. O rio mede aqui quase meia hora de largura, apertado na margem oposta por uma orla de alagadiço, coberto de cerrado." Spix e Martius (Viagem pelo Brasil 1817-1820)

Como sempre se dá, a citação era uma chamada para a primeira migalha do dia. E, como é possível prever, tinha como tema a famigerada transposição do rio São Francisco. Assim, nada mais justo e conveniente do que lembrar então de Spix e Martius e de suas preocupações com a diversidade da vegetação às margens do Velho Chico. Os exploradores alemães faziam - na obra de onde se retirou a abertura do informativo - outro valioso comentário, como que prevendo o que estava porvir :

"ocorreu-me o voto para que já, sem demora, se pudesse dar início a investigações deste gênero na terra fecunda, antes que a mão destruidora e transformadora do homem tenha atalhado ou desviado o curso da natureza."

Diante daquela despretenciosa cita, ocorreu-nos o quanto faltava falar sobre os alemães que aqui estiveram e estão, com escopo muito mais nobres do que muitos que aqui vieram apenas para explorar e furtar a riqueza que encontravam.

Além do mais, "2006 é o ano do Brasil na Alemanha" (sem falar no sexto caneco que a seleção canarinho deve trazer, para não criar polêmica).

É isso, precisávamos - numa onírica nau - navegar pela história, para mostrar o quanto os alemães fizeram e fazem parte de nossa vida.

Embarque nessa fantástica viagem de Migalhas - sem medo de soçobrar - e conheça alguns germânicos que passaram por aqui, algumas empresas e colégios que aqui fincaram estaca.

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Spix e Martius

Os naturalistas Johann Baptist Von Spix e Karl Friedrich Philipp von Martius chegaram ao Brasil na segunda década do século XIX. A visita foi uma conseqüência indireta do contrato de casamento da arquiduquesa da Áustria, Dona Leopoldina, com D. Pedro de Alcântara, herdeiro da coroa portuguesa e primeiro imperador do Brasil.

Uma completa comitiva de estudiosos das mais variadas ciências naturais foi organizada. Dentre eles estavam Spix, zoólogo nascido em Höchstaedt (1781) e Martius, nascido em Erlangen (1794). Os dois vinham da Baviera, região hoje pertencente à Alemanha.

A chegada ao Rio de Janeiro se deu em 1817. Nos primeiros meses de sua estada exploraram as matas de Santa Tereza, Tijuca, Niterói e outras. Um ano depois se embrenharam pelo interior brasileiro, visitando São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. A expedição durou quase três anos e foi realizada, na maior parte, em lombo de burros ou em canoas.

Quando retornaram à Europa, em 1820, Spix tinha 39 anos e Martius 26. Era hora de organizar todo o material coletado. Foi uma época de intensa produção intelectual, onde foram elaborados tratados e obras de Botânica, Taxonomia, fitogeografia, etnografia, lingüística, costumes indígenas e plantas medicinais. Martius confeccionou um detalhado mapa fitogeográfico do Brasil, que foi dividido em cinco províncias, de acordo com a vegetação que aqui encontrou: flora amazônica, região das caatingas, Mata Atlântica, cerrado e região das matas de araucária e dos campos do sul.

A Flora Brasiliensis, iniciativa de Martius e base para toda a Botânica Sistemática Brasileira, foi um árduo trabalho. Sessenta e seis anos foram necessários para sua conclusão, que contou com a colaboração de botânicos de diversos países. São 40 volumes, onde estão descritas 20.000 espécies, das quais 6.000 eram desconhecidas na época. Mais de 3.000 estampas ilustram a obra. Depois da morte de von Martius a direção da obra foi continuada por Urban, que a concluiu em 1906.

Fatos interessantes da expedição de Spix e von Martius são relatados na obra "Viagem pelo Brasil". A primeira edição foi originalmente publicada em Munique (Alemanha) em três volumes, nos anos de 1823, 1828 e 1831. Spix morreu logo após a publicação do primeiro volume, possivelmente de esquistossomose contraída anos antes no norte do Brasil.

"Viagem pelo Brasil" só seria publicada no país em 1916, mesmo assim sem sua integridade original. Algumas partes selecionadas foram separadas sob o título "Através da Bahia". A tradução integral do livro é de 1938, promovida pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

A Estrada Real foi uma etapa importante da viagem de Spix e Martius: o trajeto entre Vila Rica, hoje Ouro Preto, e o Distrito Diamantino, sediado em Tijuco, hoje Diamantina. A cavalo e em lombo de burro, os dois naturalistas levaram 15 dias para percorrer os cerca de 400 quilômetros que separam as duas localidades.

* Informações tiradas do prefácio de Mário Guimarães Ferri, livro "Viagem pelo Brasil", de Spix e Martius (Editora Itatiaia).

Johann Baptist von Spix

Nasceu em fevereiro de 1782 e faleceu em março de 1826, Munique, Alemanha. Natural de Höchstädt an der Aish, Baviera.

Spix viveu apenas 44 anos. Nessa curta existência, realizou o que era o sonho de todos os cientistas europeus de sua época: uma expedição científica por “terras exóticas”.

“Sua Majestade o rei da Baviera, insigne patrono das ciências, convencido das vantagens que para as mesmas e, sobretudo, para a humanidade, traria o mais íntimo conhecimento da América, transmitiu para esse fim, no ano de 1815, à Academia de Ciências de Munique que a ordem para que se providenciasse sobre uma viagem científica ao interior da América do Sul. Entre os escolhidos para a viagem, achamo-nos ambos, o acadêmico Spix para a zoologia, o acadêmico Martius para a botânica... o casamento de sua alteza D. Carolina Josefa Leopoldina, Arquiduquesa da Austrália, com S.a Real D. Pedro de Alcântara, príncipe herdeiro de Portugal, Brasil e Algarves, ofereceu a mais bela oportunidade para a realização da idéia do rei... A honrosa escolha recaiu em nós ambos, e recebemos, portanto, a 28 de janeiro de 1817, o aviso de seguir viagem quanto antes...” (Spix).

Antes da viagem a América do Sul, Spix havia trabalhado para o governo Bávaro percorrendo a França, Suíça e Itália. Mas foi no Brasil que teve a oportunidade de realizar sua grande expedição cientifica que saiu do Rio de Janeiro e chegou ao Amazonas, sendo primeiro zoólogo a trabalhar na região amazônica. Em seus escritos já denunciava o desmatamento no Brasil.“Deve cessar a destruição da floresta decorrente de excessivo desmatamento para a construção de casas, a instalação de fábricas de açúcar e a escavação de minas de ouro”.

Sua carreira como zoólogo se iniciou quando foi convidado pela academia Real de Ciências, em 1810, a organizar um museu de zoologia em Munique. Entre os animais catalogados por Spix estão: Arainha-azul-de-spix (cyanopsitta spixii), sagüi biclor (saguinus bicolor), jacutinga (Pepile jacutinga), jacaré-açu (Melonosuchus niger). No ano de 1820, Spix retornou a Europa levando páginas e páginas de anotações, descrições e relatos da extraordinária expedição que publicou pela Academia Bávara de Ciências. No seu regresso, recebeu o título de cavaleiro e uma renda vitalícia. Seis anos depois o cientista faleceu. Sua lápide, destruída durante a Segunda Guerra Mundial, trazia a inscrição “aos restos mortais do mais sagaz, honrado e respeitável dos homens, Dr. Johann Von Spix cavaleiro da Ordem do Mérito Civil, membro da Academia Real das Ciências.”

Cal Friedrich Phillipp von Martius

Nasceu em abril de 1794 e faleceu em dezembro de 1868, Munique, Alemanha. Natural de Erlanger, Baviera.

Sua vida foi dedicada às ciências naturais. Com apenas vinte e três anos, teve a oportunidade de integrar a missão científica organizada em 1817 pelos governos bávaro e austríaco para pesquisar as terras brasileiras. Para um pesquisador cujo grande interesse eram as ciências naturais, participar de uma expedição científica ao Brasil foi uma oportunidade única.

“... Era o ultimo alemão (Eschwege) que encontramos no interior do Brasil. Saudosos, prosseguimos a viagem pelo remoto país estranho”. Von Martius ficou com a responsabilidade das pesquisas sobre botânica. Durante três anos percorreu, ao lado de Spix, as províncias do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, maranhão, Pernambuco, Piauí, Pará e Amazonas. Desse logo percurso foi possível formar coleções de botânica, zoologia, mineralogia e etnografia. Sua extraordinária pesquisa sobre a flora brasileira começou a ser organizada quando retornou ao seu país e concluída mais de 60 anos após o seu início, graças à dedicação de diversos pesquisadores que deram continuidade ao trabalho.

Quando Von Spix passaram por Minas Gerais, realizaram o percurso entre Ouro Preto, naquela época Vila Rica, e o Distrito Diamantino, hoje Diamantina, pelo caminho oficial que ligava a região do ouro à região dos diamantes, “... Como o modo der exploração dessas minas não devergia do que até aqui havíamos visto, não nos demoramos na estrada real (grifo nosso), que leva a cidade de Mariana, distante três léguas ao sul de Bento Rodrigues, para regressarmos a Vila Rica...” (Spix e Martius) Inspirada nessa viagem dos cientistas bávaros, a expedição Spix e Martius reviveu em 1999 essa saga que hoje é um dos mais importantes produtos turísticos de Minas - A Estrada Real. As pesquisas de Von Martius foram importantíssimas e até hoje são as bases para a botânica sistemática brasileira. Von Martius foi o primeiro a dar nome à Mata Atlântica, batizando-a de Dríades.

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Hans Staden

Hans Staden passou pela América portuguesa no início do século XVI, onde teve oportunidade de participar de combates na Capitania de Pernambuco e na Capitania de São Vicente, contra corsários franceses e indígenas. Aprisionado pelos tupinambá no litoral sul-fluminense, quase pereceu e foi devorado por eles.

Resgatado, conseguiu retornar à Europa, onde redigiu um relato sobre as peripécias de suas viagens e aventuras no Novo Mundo, uma das primeiras descrições para o grande público acerca dos costumes dos nativos americanos.

Publicado pela primeira vez em 1557, o livro "Viagens e aventuras no Brasil" conheceu sucessivas edições, constituindo-se num sucesso editorial devido às suas ilustrações, descrições de rituais antropofágicos, animais, plantas e costumes exóticos. Para o estudioso, a obra contém informações de interesse antropológico, sociológico, linguístico e cultural sobre a vida, os costumes e as crenças dos indígenas do litoral brasileiro na primeira metade do século XVI.

O relato deu origem a um filme em 1999 (Hans Staden, 92 min, diretor Luiz Alberto Pereira), falado na língua tupi, original dos índios brasileiros, que mostra parte de sua história no Brasil.


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Alexander von Humboldt

Friedrich Heinrich Alexander, Barão von Humboldt, (14 de setembro de 1769, Berlim - 6 de Maio de 1859, Berlim), mais conhecido como Alexander von Humboldt, foi um naturalista e explorador alemão, e o irmão caçula do Ministro e lingüista prussiano Wilhelm von Humboldt.

Alexander von Humboldt foi um naturalista de uma polivalência que, desde sua morte, nunca mais foi vista e, haja visto como a ciência se desenvolveu e especializou, certamente nunca mais o será. Ele desenvolveu (e se especializou em) diversas áreas. Foi etnógrafo, antropólogo, físico, geólogo, mineralogista, botânico, vulcanólogo e humanista, tendo lançado as bases de ciências como a Geologia, Climatologia e Oceanografia. Apesar de ter pesquisado diversas coisas em seus mínimos detalhes, sempre o fez com uma visão geral e imparcial.

Com 14 anos de idade, fixou-se em Berlim para continuar seus estudos, e mais tarde freqüentou as universidades de Frankfurt e Göttingen, onde cursou Filosofia, História e Ciências Naturais.

Em 1789, com apenas 20 anos de idade, fez sua primeira viagem de caráter científico, passanndo pelos Países Baixos, Alemanha e Inglaterra, e principalmente ao longo das margens do rio Reno, seguindo George Forster, um naturalista que estava acompanhado pelo Capitão Cook em sua viagem ao redor do mundo. O resultado de toda essa exploração científica foi um obra intitulada Observações Sobre os Basaltos do Reno.

Sua viagem exploratória pela América Central e América do Sul (1799-1804) e pela Ásia Central (1829) tornaram-no mundialmente conhecido ainda antes da sua morte. Sua principal obra é o Kosmos, uma condensação do conhecimento científico de sua época. Sua obra Ansichten der Natur também foi bastante popular.

Sua correspondência científica com colegas cientistas compõe-se de 35.000 cartas, das quais aproximadamente 12.500 estão arquivadas.

Além das ciências naturais, foi também um influente mecenas da Literatura. Humboldt apoiou os poetas e escritores Heinrich Heine, Ludwig Tieck e Klaus Groth. Entre seus amigos e conhecidos estavam Matthias Claudius, Jacob e Wilhelm Grimm, August Wilhelm Schlegel, assim como Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller.

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Manfred Göbel

Assim como Spix e Martius, o enfermeiro alemão da Baviera, Manfred Göbel, em 31 de maio de 1979, é enviado ao Brasil pela DAHW, Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos, uma organização filantrópica sem fins lucrativos que tem a missão de ajudar os países em desenvolvimento a combater a pobreza, levar informação e assistência médica às pessoas carentes e combater a hanseníase. Manfred veio com a missão de trabalhar juntamente com o governo do Estado do Mato Grosso em prol do combate a hanseníase.

 

E foi no interior do Estado, em Rondonópolis, que Göbel começou sua missão. Percorreu as regiões mais pobres do Estado, aldeias indígenas e o pantanal, levando informação e assistência médica aos enfermos que não tinham acesso à saúde.

A base da Ong DAHW é o trabalho voluntário, que possibilita a ajuda em 48 países em desenvolvimento, entre eles o Brasil. Atualmente existem 80 mil doadores individuais, além de empresas. O governo alemão doa anualmente cerca de 900 mil euros para o trabalho da DAHW. Há 27 anos no Brasil, hoje com sede em Cuiabá/MT, a DAHW atende a 46 municípios em Mato Grosso e 16 no Mato Grosso do Sul.

Desde sua fundação, a DAHW já proporcionou mais de 440 milhões de euros para projetos de combate à hanseníase e à tuberculose. Esse valor inclui subvenções do Governo Alemão e da União Européia, no montante aproximado de 15 milhões de euros. Através do apoio da DAHW, desde 1985 já foram tratados mais de 1,1 milhões de hansenianos. E desde 1990 mais de 1,55 milhões de pacientes com tuberculose.

Para saber mais sobre o trabalho da ONG, clique aqui.

No Brasil...

Em 1991, o Brasil, juntamente com outros 122 países, assinou um pacto junto à OMS para eliminação da hanseníase. Destes 122 países, apenas nove ainda não alcançaram esta meta em 2005. Hoje, o Brasil ocupa o quinto lugar no mundo em número de doentes e o primeiro na América Latina. Segundo a OMS, cerca de 11 milhões de pessoas no planeta foram curadas da hanseníase desde a data da assinatura do pacto de eliminação, em 1991. De acordo com a OMS, eliminar a hanseníase significa ter menos de um caso para cada 10 mil habitantes.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a hanseníase afeta hoje cerca de 30 mil brasileiros, a maioria vivendo em estados do Norte e do Centro Oeste, onde a prevalência ultrapassa o número de cinco casos a cada dez mil habitantes.

Hoje, o Brasil tem cerca de quatro mil crianças com hanseníase. O estado do Maranhão, por exemplo, produz sozinho 600 novos casos por ano. Por isso, o Ministério da Saúde começou um plano de mobilização, em conjunto com as secretarias municipais e estaduais de Saúde, para tratar precocemente da doença e evitar novos casos em crianças.

Além de atingir a meta internacional estipulada pela OMS, o desafio do Brasil é de diminuir a desigualdade regional de incidência da doença. Os Estados com maior número de casos a cada dez mil habitantes são Mato Grosso (7,85), Pará (6,7), Roraima (6,6), Rondônia (5,5) e Maranhão (5,4).

Dados atuais da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde informaram que os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro já estão com o índice de menos de um caso a cada 10 mil habitantes. Os Estados da Paraíba, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Distrito Federal e Alagoas estão próximos de alcançarem o índice.

O Ministério da Saúde acredita que na somatória dos dados, o Brasil conseguirá alcançar a meta proposta pela OMS.

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A Alemanha no Brasil

O alemão é uma das principais línguas do mundo. É falado principalmente na Alemanha, Áustria, Liechtenstein, na maior parte da Suíça, no Luxemburgo, na região italiana do Tirol Meridional, no voivodato polaco de Opole (Oppeln), nos cantões orientais da Bélgica, em partes da Roménia e na região francesa da Alsácia (Elsass) e Lorena.

Adicionalmente, a antiga possessão colonial alemã da Namíbia tem populações significativas de língua alemã, e existem minorias de língua alemã em vários países da Europa de Leste, incluindo a Rússia, a Hungria e a Eslovênia. Foi também a língua mãe de grandes músicos (Mozart, Bach, Beethoven, Wagner, Haydn, Schubert, Strauss, Brahms, Schumann, etc), escritores (Goethe, Schiller, etc) e físicos, químicos, psicanalistas, biólogos e pensadores do mundo (Einstein, Wöhler, Marx, Engels, Freud, Jung, Nietzsche, Haber, etc).

O alemão também é falado na América do Sul, em certas regiões do sul do Chile, em algumas comunidades da Argentina e do Paraguai mas principalmente em certas porções do Brasil meridional (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rondônia, etc...).

Há quem argumente que o alemão falado no Brasil é de fato um regionalismo brasileiro e não simplesmente uma língua estrangeira (sendo que o mesmo argumento poderia ser feito referente ao talian, um dialeto ítalo-brasileiro com raízes no vêneto e que é falado nas regiões vinícolas do Rio Grande do Sul). Cidades como Pomerode, Brusque, Teutônia e Santa Cruz do Sul são apenas alguns exemplos de localidades onde se pratica a língua alemã no Brasil. Mas muitos teuto-falantes também moram no campo e estão ligados à agricultura. As estimativas atuais oscilam entre dois a cinco milhões de falantes deste idioma. Os dois dialetos mais difundidos no Brasil são o hunsriqueano rio-grandense ou (Riograndenser Hunsrückisch) ou simplesmente como Hunsrückisch (Hunsrückisch é um dialeto falado na Alemanha e classificado como um dos dialetos que formam o grupo Moselfränkisch, falado no Palatinado Renano ou em Rheinland-Pfalz; e segundo dialeto alemão mais falado no Brasil é o pomerano (Pommersch/Pommeranisch). Ambos estes dialetos são provenientes de regiões da Europa onde surgiram originalmente.

Muitos imigrantes de outras regiões da Alemanha acabavam adotando o Riograndenser Hunsrückisch no Brasil depois de uma ou mais gerações. O idioma alemão do Brasil é mantido principalmente no lar, nas comunidades e, desde a II Guerra Mundial, passou a ser mais uma língua falada do que escrita, sendo que a Língua Portuguesa tomou o seu lugar nas escolas e na imprensa.

No ano de 2004 são comemorados por todo o sul do país os 180 anos da imigração e do regionalismo teuto-brasileiro. Note-se que a maioria dos teuto-brasileiros que é bilíngüe somente fala no dialeto com as pessoas mais chegadas e, portanto, o dialeto passa por despercebido na maioria dos casos. Na América do Norte os Amish, alguns Mennonitas entre outros grupos também falam uma forma ou outra do alemão.

A Alemanha é um dos maiores investidores estrangeiros no Brasil. Os investimentos começaram em 1953 com as indústrias automobilísticas e cresceram muito ao longo das décadas seguintes. São Paulo é a maior cidade com investimentos alemães fora da Alemanha.

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Educação alemã no brasil


 






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Empresas alemãs no Brasil



















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A nota divulgada em Migalhas 1.280 chamou a atenção do migalheiro Abilio Neto, que narrou, saudoso, seu primeiro encontro com o rio São Francisco. Confira.

Migalhas dos leitores - Spix e Martius

"Prezado Diretor: o Migalhas às vezes me surpreende e o fez, ontem (Migalhas 1.280 - 25/10/05), na abertura do informativo falando sobre a transposição do São Francisco e citando os alemães Spix e Martius (1817 a 1820), que já naquele tempo demonstravam nobres preocupações ecológicas. A primeira vez que vi o São Francisco foi, ainda lembro, no início da década de setenta do século passado. O sertão pernambucano passava por uma seca danada, e descia este migalheiro de Salgueiro com destino a Petrolina. Passei por Cabrobó seguindo aquelas estradas retas do sertão que parecem não ter mais fim. De repente, após uma subida, eis que de repente surgiu uma magnífica visão de um espelho d'água embelezando uma cidade que não por acaso chamava-se Santa Maria da Boa Vista. Era uma paisagem deslumbrante: a cor esverdeada das águas do Velho Chico contrastava com toda a paisagem triste da seca que eu tinha deixado pra trás. Parei o carro e agradeci a Deus por ter nascido com a visão! Mas perguntei a mim mesmo, como é que tantos morrem de sede e de fome com tanta riqueza nesse vale? O tempo e as ações governamentais que vieram depois não responderam à minha pergunta. Vieram o imenso lago de Sobradinho, Itaparica e os projetos de irrigação às margens do rio, do lado baiano e pernambucano. Os sedentos e famintos continuam habitando nas suas proximidades. O projeto de Lula vai acabar com esse drama? Particularmente não acredito. Lembro que quando a represa de Sobradinho alagou pequenas localidades, muitos morreram de desgosto por terem que abandonar tudo que tinham construído. Eram as comunidades de Remanso, Casa Nova, Santo Sé e Pilão Arcado. Elas foram homenageadas no lindo xote Sobradinho, de Sá e Guarabyra. Se não for demais, peço que publiquem essa poesia em homenagem aos migalheiros que não a conhecem. Obrigado e desculpem o saudosismo.

'Sobradinho (Sá e Guarabyra)

O homem chega

Já desfaz a natureza

Tira a gente, põe represa,

Diz que tudo vai mudar

O São Francisco

Lá pra cima da Bahia

Diz que dia menos dia

Vai subir bem devagar

E passo a passo

Vai cumprindo a profecia

Do beato que dizia

Que o sertão ia alagar

O sertão vai virar mar

Dói no coração!

O medo que algum dia

O mar também vire sertão

Adeus Remanso, Casa Nova, Sento Sé,

Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir!

Debaixo dágua, lá se vai a vida inteira,

Por cima da cachoeira, o Gaiola vai subir!

Vai ter barragem

No sertão de Sobradinho

E o povo vai se embora

Com medo de se afogar

Vai virar mar...dói no coração!'"


Abílio Neto

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