Sábado, 20 de julho de 2019

ISSN 1983-392X

Fundadores da Renascer pagam fiança, mas terão que ficar nos EUA

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2007


Caso Renascer

Fundadores da Renascer pagam fiança, mas terão que ficar nos EUA

Os fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Sônia Haddad Moraes Hernandes e Estevam Hernandes Filho, tiveram que pagar, nesta terça-feira, uma fiança no valor de US$ 100 mil, US$ 50 mil cada para serem liberados. Os dois foram presos pelo FBI em Miami, sob a acusação de lavagem de dinheiro.

Segundo o Departamento de Imigração dos EUA, mesmo depois de pagarem a fiança, eles não podem voltar para o Brasil. O casal deverá aguardar na Flórida a conclusão do processo.

O casal havia embarcado para os Estados Unidos na noite desta segunda-feira, em Guarulhos/SP. Sônia e Estevam que estavam sendo monitorados pelo MP e pela PF foram presos porque declararam falsamente para a alfândega norte-americana que não carregavam mais de US$ 10 mil cada. Os dois portavam, juntos, US$ 56 mil (em espécie).

Um relatório produzido pela própria alfândega norte-americana revela que o casal transportava os dólares em diversos compartimentos, como bolsas, um porta-CDs e até dentro de uma bíblia, que estava na bagagem de Sônia.

Equívoco

O advogado dos fundadores da Renascer, Luiz Flávio Borges D'Urso, negou a prisão do casal. Ele sustentou que Estevam e Sônia foram somente detidos pela polícia americana porque teriam cometido o que chama de equívoco na declaração de valores à alfândega.

"Por um equívoco no preenchimento da declaração aduaneira quanto aos valores transportados pela família, foram chamados a prestar esclarecimentos perante as autoridades locais", afirma o advogado, que fez as declarações em nome do casal.

No Brasil

Sônia e Estevam conseguiram embarcar para os Estados Unidos porque obtiveram no final de dezembro uma liminar no STJ revogando o pedido de prisão preventiva que havia contra eles. Até então, eles eram considerados foragidos.

No Brasil, Sônia e Estevam são acusados de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, evasão de divisas e estelionato. Os crimes envolveriam as doações feitas pelos fiéis e a abertura de "empresas fantasmas".

Segundo o Gaeco, o MPE/SP irá pedir para o casal também ser investigado nos Estados Unidos pelo crime de lavagem de dinheiro.

No Brasil, a Justiça já havia bloqueado alguns bens do casal, como um haras na região de Atibaia/SP. Apesar do casal possuir uma fortuna estimada em R$ 19 milhões, como uma mansão na Flórida, a igreja acumula dívidas de R$ 12 milhões como os aluguéis dos vários templos da Renascer.

Para os promotores do Gaeco, a prisão deles com o dinheiro não declarado nos EUA confirma as práticas cometidas no Brasil.

Segundo eles, o Gaeco pediu a cooperação da polícia norte-americana para efetivar a prisão dos fundadores da Renascer.

Os promotores do Gaeco informaram ainda que irão entrar com novo pedido de prisão preventiva contra o casal Hernandes. Eles irão alegar que, ao retornar ao Brasil, Sônia e Estevam podem voltar à condição de foragidos, o que atrapalharia as investigações.

Acusações

Reportagem publicada pela Folha no dia 25 de outubro informava que um ex-funcionário da Renascer, que se identificou como "J", disse que o dinheiro arrecadado entre os fiéis era usado para pagar funcionários de empresas dos Hernandes. Assim, sobravam mais recursos para que as empresas do grupo comprassem bens.

Numa outra denúncia, o MP/SP acusou os Hernandes e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno de falsidade ideológica. Eles teriam montado uma igreja "laranja", chamada Internacional Renovação Evangélica, para livrar a Renascer de processos.

Segundo a denúncia, a igreja Internacional Renovação Evangélica, criada em 2004 por Jorge Luiz Bruno, não existe fisicamente. No endereço indicado na ata de fundação rua Maria Carlota, 879, na zona leste de São Paulo, funciona um templo da Renascer.

Os promotores do Gaeco Arthur Lemos, Eder Segura, Roberto Porto e José Reinaldo Carneiro não quiseram se manifestar publicamente, pois o processo está sob segredo de Justiça.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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