Modelos de IA generativa passaram a produzir linguagem com base em probabilidade. Não escrevem por intenção, mas por recorrência. O texto surge do que mais aparece, do que mais se repete, do que estatisticamente parece fazer sentido.
O Direito, porém, sempre dependeu da interpretação. Conceitos jurídicos não são fórmulas fechadas. Eles permanecem abertos porque precisam dar conta do caso concreto, da mudança social, da complexidade moral.
Quando a tecnologia começa a organizar a escrita a partir de padrões, o ambiente onde o sentido se forma se transforma. O que é recorrente tende a parecer natural. O que é frequente tende a soar legítimo.
Neste episódio de Migalhas Crocantes, Sílvia Piva analisa como a linguagem probabilística pode influenciar a forma como compreendemos normas, decisões e argumentos e o que isso significa para a responsabilidade de interpretar.
Se o texto começa a nascer da repetição, interpretar deixa de ser apenas compreender. Passa a ser também resistir ao padrão.
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