Migalhas Crocantes

O Direito Probabilístico

O impacto da inteligência artificial generativa – baseada em linguagem probabilística – sobre a interpretação jurídica.

25/2/2026

Modelos de IA generativa passaram a produzir linguagem com base em probabilidade. Não escrevem por intenção, mas por recorrência. O texto surge do que mais aparece, do que mais se repete, do que estatisticamente parece fazer sentido.

O Direito, porém, sempre dependeu da interpretação. Conceitos jurídicos não são fórmulas fechadas. Eles permanecem abertos porque precisam dar conta do caso concreto, da mudança social, da complexidade moral.

Quando a tecnologia começa a organizar a escrita a partir de padrões, o ambiente onde o sentido se forma se transforma. O que é recorrente tende a parecer natural. O que é frequente tende a soar legítimo.

Neste episódio de Migalhas Crocantes, Sílvia Piva analisa como a linguagem probabilística pode influenciar a forma como compreendemos normas, decisões e argumentos e o que isso significa para a responsabilidade de interpretar.

Se o texto começa a nascer da repetição, interpretar deixa de ser apenas compreender. Passa a ser também resistir ao padrão.

Acompanhe o podcast aqui.

Colunista

Sílvia Piva é doutora e mestre em Direito do Estado pela PUC/SP, professora de Direito e Tecnologia no Ibmec e advogada. Pesquisadora do IEA-USP, integra o GPGAIA, dedicado à governança de agentes de IA. Sua trajetória une prática jurídica e pesquisa acadêmica sobre Direito, tecnologia e futuros.

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