No início da sessão plenária do STF, nesta quarta-feira, 11, ministra Cármen Lúcia fez um registro em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Magistrada, celebrado em 10 de março.
A data foi instituída pela ONU em 2021 e, segundo a ministra, representa um reconhecimento das dificuldades ainda enfrentadas por mulheres na carreira jurídica.
450633
Ao lembrar que o Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março, Cármen destacou que a criação da nova data chama atenção para desafios específicos vividos por magistradas. Entre eles, citou o acúmulo de responsabilidades profissionais e familiares e as dificuldades adicionais enfrentadas na progressão na carreira.
"Se nós, mulheres, temos tantos problemas ainda para tornar efetivo, não apenas juridicamente, mas também socialmente, o direito à dignidade e aos mesmos direitos, as juízas têm uma situação realmente muito especial", afirmou.
A ministra observou que, muitas vezes, quando são promovidas, magistradas precisam considerar condições pessoais e familiares que não recaem da mesma forma sobre os homens.
"Quando são promovidos, eles apenas comemoram", comparou.
Cármen Lúcia também ressaltou que mulheres na magistratura e na advocacia enfrentam ambientes mais hostis, mencionando especialmente ataques e discursos de ódio dirigidos a juízas que atuam em comarcas do interior.
Apesar das dificuldades, a ministra afirmou que o país conta com profissionais qualificadas em todas as áreas do Direito.
"Temos ótimas e excelentes juízas no Brasil, assim como temos excelentes advogadas", disse.
Ao encerrar a manifestação, Cármen Lúcia defendeu a efetivação do princípio constitucional da igualdade entre homens e mulheres, previsto no art. 5º da CF. Segundo Cármen, o objetivo deve ser garantir que meninas e meninos possam escolher carreiras jurídicas em igualdade de condições.
A ministra também criticou a violência contra mulheres no país e afirmou que o problema exige mudanças profundas.
"Parece que é uma sociedade que decidiu nos matar, só que nós, mulheres, decidimos não nos deixar morrer", declarou.
Para Cármen Lúcia, a superação desse cenário depende de uma transformação social ampla, que ultrapasse reformas pontuais e reafirme o compromisso com a dignidade e a igualdade.