A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou ter sido alvo de discriminação ao longo de sua trajetória na Corte, inclusive em momentos decisivos de sua carreira. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa durante evento do IASP, ao comentar desafios enfrentados por mulheres em posições de poder.
Segundo a ministra, episódios de discriminação não se limitaram a manifestações isoladas. Ela relatou que enfrentou resistência durante sua eleição para a presidência do Tribunal, destacando que o voto de desempate que garantiu sua escolha foi o seu próprio.
A magistrada também mencionou episódio anterior, ocorrido há cerca de dez anos, quando exercia a vice-presidência e, segundo afirmou, houve tentativa de alteração do regimento interno para impedir sua ascensão ao cargo.
Maria Elizabeth Rocha declarou ainda que vivenciou situações de discriminação em diferentes momentos de sua atuação em espaços de poder, ressaltando que tais experiências refletem dificuldades enfrentadas por mulheres em cargos de liderança.
Apesar disso, afirmou que segue atuando no Tribunal e ocupando espaços institucionais, com o objetivo de ampliar a presença feminina em posições de decisão.
Confira:
Lutas estruturais
Ademais, a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou que ainda há entraves estruturais à ascensão de mulheres a cargos de poder, destacando a ausência de políticas públicas, letramento e sensibilidade social como fatores determinantes.
Segundo a magistrada, mulheres já demonstraram possuir plena qualificação para ocupar funções de liderança, sendo necessárias medidas reparadoras para enfrentar desigualdades históricas que, muitas vezes, não são superadas apenas pelas normas jurídicas vigentes.
A ministra mencionou iniciativas do CNJ voltadas à promoção da participação feminina no Judiciário, como a edição de resoluções e programas de incentivo à presença de mulheres em tribunais, bancas de concurso e cargos de direção.
Maria Elizabeth também ressaltou que a discriminação possui raízes sociais em uma estrutura considerada patriarcal e hierarquizante, defendendo que a superação desse cenário exige não apenas legislação, mas também conscientização e mudança de mentalidade.
Nesse contexto, destacou a realização de audiência pública no âmbito do STM voltada à promoção de políticas antidiscriminatórias, com foco na formação educacional desde os primeiros anos, como forma de fomentar a igualdade e enfrentar diferentes formas de exclusão social.
Veja: