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AM Cast debate como literatura e cultura contribuem para a advocacia

No episódio, André Menescal e Gabriel Dantas discutem pensamento crítico e repertório linguístico em tempos de IA, a partir da experiência do clube de leitura do escritório.

20/10/2026
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O episódio "Cultura, literatura e pensamento crítico em tempos de inteligência artificial", do "AM Cast", podcast do escritório André Menescal Advogados, recebeu Gabriel Dantas, poeta, escritor, advogado e coordenador de Cultura e Repertório da banca. Conduzida por André Menescal, sócio-fundador do escritório e host do programa, a conversa abordou a experiência do clube de leitura da banca e a importância da formação cultural para preservar a autonomia intelectual diante das ferramentas de IA.

Ao longo do debate, os profissionais discutiram como, para além de códigos, leis e decisões judiciais, a literatura e outras expressões culturais ampliaram as referências utilizadas pelos advogados para compreender pessoas, organizar ideias e se comunicar. Eles destacaram que interpretar conflitos, compreender diferentes pontos de vista e apresentar argumentos com clareza são tarefas da advocacia, e a leitura pode contribuir para desenvolver essas capacidades.

Na discussão, os participantes destacaram a importância do repertório linguístico para distinguir conceitos, perceber sutilezas e formular raciocínios com precisão, além de sua aplicação na elaboração de petições, apresentação de defesas e comunicação com clientes.

André Menescal e Gabriel Dantas também trataram da contribuição da literatura para o contato com experiências diferentes das vivenciadas pelo leitor. Ao acompanhar personagens, escolhas e conflitos, eles reconheceram que a leitura permite conhecer outras perspectivas e questionar primeiras impressões. Essa possibilidade aparece na experiência do clube de leitura do escritório, em que uma mesma obra pode despertar interpretações distintas.

Gabriel Dantas e André Menescal durante o AM Cast.(Imagem: Reprodução/Youtube/André Menescal Advogados)

Os advogados discutiram a experiência do clube de leitura a partir de diferentes obras. Foi o que ocorreu com "A Cabeça do Santo", da escritora cearense Socorro Acioli, escolhido para abrir as atividades. Enquanto alguns leitores destacaram a história de amor, outros perceberam questões relacionadas à fé e à vida no Nordeste. "A Morte de Ivan Ilitch", de Liev Tolstói, por sua vez, produziu reflexões sobre escolhas profissionais e o sentido da vida.

Os encontros também passaram por "Tudo é Rio", de Carla Madeira, e "1984", de George Orwell. Gabriel apresentou o autor e a obra antes de abrir o debate sobre as impressões, os sentimentos e os trechos destacados pelos leitores.

Além do clube de leitura, o poeta e escritor compartilhou indicações de museus, exposições e programas gratuitos. A conversa também tratou dos planos para um cineclube. O grupo reúne profissionais de diferentes cidades, que compartilham descobertas e encontram um espaço de convivência e discussão.

"Eu acho que cultura e repertório, para ter a riqueza que a gente pretende que ela tenha, não pode ser pragmático demais. Ah, vamos ler esse livro porque esse livro vai trazer ótimos insights ou comparações e analogias que vão ser úteis na condução do processo XPTO. Se for muito nessa linha, é como se fosse um utensílio de mesa que você pega, usa e descarta", afirma André Menescal.

Segundo o sócio-fundador, nessa perspectiva, a escolha dos livros não depende de sua utilidade para um processo ou uma demanda específica. A proposta é ampliar as referências dos participantes e estimular a troca de diferentes interpretações.

No episódio, os dois reconhecem ainda a utilidade da inteligência artificial para escrever e estruturar conteúdos, mas destacam a importância da leitura e da revisão humana. A facilidade de obter um texto organizado exige que o profissional saiba avaliar se o argumento faz sentido, se o foco está correto e se a abordagem corresponde ao problema que precisa resolver.

"É preciso cultura e repertório para humanizar a coisa", afirma Gabriel. No debate, ele relaciona a formação cultural à capacidade de analisar o que a ferramenta entrega e manter um olhar próprio sobre o conteúdo.

Para sustentar esse exercício, o advogado defendeu que a leitura tenha espaço regular na rotina. Reservar um horário, afastar o celular e buscar um ambiente favorável foram algumas das estratégias discutidas.

O episódio completo está disponível aqui.

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