A velocidade da máquina não pode atropelar o tempo da consciência humana
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Atualizado em 8 de julho de 2026 15:30
Meu pai dizia: "Vou devagar porque quero chegar longe."
Minha avozinha, professora, dizia aos seus alunos: "Cada um de vocês tem o seu próprio tempo para compreender o mundo."
Essas duas frases, simples e profundas, talvez digam muito sobre o tempo em que vivemos.
A inteligência artificial acelera tudo: os fluxos de dados, as tendências, a computação, a energia, a infraestrutura, os minerais, os mercados, os governos, as instituições e até a forma como pensamos o futuro. Pressiona líderes, formadores de opinião, empresas e Estados a se organizarem no ritmo da tecnologia, como se toda demora fosse falha, como se toda cautela fosse atraso.
Mas a sabedoria não nasce da pressa.
Há decisões que exigem ponderação. Há escolhas que pedem maturidade. Há temas que não podem ser conduzidos apenas pela velocidade do mercado: democracia, consulta social, proteção ambiental, direitos trabalhistas, dignidade humana e deliberação pública.
Nem tudo deve acelerar.
Decidir com cautela não é resistir ao futuro. É respeitar a complexidade da vida. É compreender que a velocidade da internet não é a velocidade da alma humana.
Regular a inteligência artificial não é ser contra a inovação. É impedir que a pressa substitua a prudência, que o entusiasmo substitua a ética e que a técnica caminhe sem a companhia da sabedoria.
Porque, no fim, chegar longe ainda exige saber caminhar.